Economia

4 coisas que você deveria saber antes de falar sobre Bitcoin e Meio Ambiente

Alvo de uma campanha ambiental do Greenpeace e do World Economic Forum, o Bitcoin carrega diversos estereótipos incorretos sobre seu impacto.

Idealizada por Chris Larsen, executivo da Ripple, e aliados do Greenpeace, a nova campanha publicitária do World Economic Forum ‘’Change the code, Not the Climate’’ tem como principal objetivo mudar o algoritmo de consenso do Bitcoin, transicionando de Proof-of-Work (PoW) para Proof-of-Stake (PoS).

O pedido, que traz uma série de consequências para a rede, foi munido por uma doação de $5 milhões realizada por Larsen, uma questionável figura do mercado de criptoativos.

Larsen, em sua realidade, não é bem recepcionado pela maior parte da comunidade devido às diversas acusações que enfrentam. Atual executivo da Ripple, organização por trás da criptomoeda XRP, ele é alvo de diversos processos da SEC que o acusam de realizar arrecadações ilegítimas por meio do token.

O protocolo Ripple também é um dos mais questionados do mercado, devido a imensa centralização de sua oferta nas mãos de seus criadores/executivos, fato que cria um ambiente hostil entre os amantes da descentralização do Bitcoin.

De qualquer forma, a reivindicação de Larsen é a mesma de diversos outros ativistas ambientais, que na maioria das vezes, não compreendem de fato o funcionamento de uma transação em blockchain e a relação centralização/descentralização da mesma.

Afinal, o que é mineração e pra que ela serve? 


Para entrarmos no mérito do desenvolvimento sustentável da mineração de bitcoin, temos que antes, entender brevemente como ela funciona. No sistema de moedas fiduciárias, todos os pagamentos digitais necessitam da confiança de terceiros, seja ele um banco ou uma agência de pagamentos especializada. 

O papel do terceiro é fiscalizar a transação para que não haja nenhuma fraude. 

Portanto, antes da invenção do bitcoin, todo pagamento feito a distância estaria sujeito a confiança de um terceiro, o que pode ser considerado uma fraqueza adicional de segurança. 

Envolver uma parte extra em uma transação introduz mais riscos e abre novas possibilidades de fraude e falhas técnicas. Além deste risco, a funcionalidade também é limitada, aumentando o tempo necessário para realização dos pagamentos. 

O bitcoin foi a primeira solução de engenharia capaz de permitir que pagamentos digitais fossem realizados sem a confiança de terceiros. Em troca da confiança de terceiros, a rede de bitcoin utiliza um complexo sistema chamado PoW (Proof of Work). 

A rede de bitcoin basicamente impõe diversos problemas matemáticos de alta complexidade a uma rede de computadores. Com o sistema PoW (prova-de-trabalho), esses problemas são resolvidos e verificados por GPUS especializadas. 

Apenas quando esta série de problemas matemáticos forem resolvidas e a solução correta for identificada, a transação é verificada e registrada na rede de bitcoin.

Como recompensa para a realização dos problemas matemáticos, a rede de bitcoin recompensa os computadores responsáveis pela resolução dos problemas com uma taxa de transação e com moedas proporcionais à taxa de emissão de bitcoin. Todo esse processo é chamado de mineração, análogo à mineração de metais preciosos. 

A mineração serve como uma barreira cibernética para fraudes, tornando a rede do bitcoin inviolável. Para violar a veracidade da rede seria necessário dispor de uma força computacional superior à existente que age resolvendo corretamente as questões.

O que se classifica como um esforço financeiro inviável, pois uma vez que a rede for violada todo valor financeiro existente se compromete.

A mineração incentiva o uso de fontes renováveis 

Ao contrário da premissa de Larsen e do senso comum,  a indústria de mineração de bitcoin é uma das indústrias mais focadas em energias renováveis e com os maiores incentivos para isso no longo prazo.

Sob perspectiva lógica, é um ponto essencial que os mineradores irão buscar se posicionar da melhor forma possível no mercado, essa posição é encontrada com o uso de fontes renováveis. 

Mineradores cada vez mais migram para territórios nos quais a energia excedente é gerada com custos marginais mais baixos, como é o caso do Texas, que tem se tornado a Meca da mineração e promete nos próximos anos mudar a dinâmica de mineração global.

No Texas, além do uso de fontes limpas como energia eólica e solar, outra fonte de energia destaca, ela é proveniente da reutilização dos subprodutos da produção de petróleo. Cortando parte da emissão de gases poluentes e reutilizando produtos que seriam descartados no meio ambiente com um grande custo ambiental. 

Segundo dados do relatório anual da CoinShares, a utilização de fontes renováveis é adotada por cerca de 76% dos mineradores e mais de 60% de todo o consumo de energia de mineradoras vêm de fontes renováveis. 

O custo do Bitcoin perante outros setores

Para manter um sistema de papel-moeda fiduciário não é necessário apenas papel. Necessita-se de uma extensa rede bancária desenvolvida para realizar transações e liquidações. 

Somente nos Estados Unidos existem aproximadamente 76.837 agências bancárias e 5.177 sedes de bancos comerciais no país. 

Se considerarmos os gastos energéticos do mercado bancário mundial, chegamos a 2.340.000 GJ, um número 13 vezes maior do que o utilizado em mineração de bitcoin. 

Isso tudo desconsiderando as consequências de um sistema fiduciário, como o mercado de câmbio. O bitcoin também possui vantagens em relação a metais com papel monetário, como o ouro. 

A mineração de ouro necessita de um gasto econômico muito maior e utiliza mais que o dobro de energia gasta na mineração de bitcoin. A exploração ambiental é muito mais danosa ao meio ambiente por si só, causando desmatamento e desmantelando o solo. 

O mundo possui problemas de inúmeras grandezas, e o Bitcoin trabalha para colaborar com a solução

Em escala mundial, o gasto de energia com a mineração representa cerca de 0,47% do gasto total de energia. Sendo que, como já foi abordado, 74% da matriz energética da rede de bitcoin é proveniente de energia limpa.

A matriz energética mundial hoje equivale a cerca de 27000 TWh, deste total, 19700 TWh são de origem de combustíveis fósseis, como o carvão. 

Por outro lado, a geração de energia elétrica corresponde a apenas ⅓ do total de emissões.

Em suma, o mundo demanda 167 mil TWh para manter todas as atividades humanas, disso, 0,07% corresponde à mineração de Bitcoin

Qual o peso do Bitcoin diante do total de ativos globais? Somando tudo o que a humanidade possui em ativos, temos algo em torno de $400 trilhões, ou 5 vezes o PIB global.

Para manter isso tudo girando, gastamos 10% do PIB, ou 1,5% do total de ativos, em energia. O Bitcoin por sua vez sustenta $1 trilhão em ativos ao custo de 0,45% ao ano em consumo energético

As mudanças climáticas causadas pela atividade humana são um problema real e que deve ser endereçado nas próximas décadas, ao contrário porém, o Bitcoin é parte da solução, servindo de base para sustentar uma demanda em fontes de geração de energia, e entregando um ativo ainda mais sólido: reserva de valor.

Do seu apartamento na Vila Madalena ou em São Francisco talvez seja um pouco difícil visualizar, mas em países como Nigéria, Zimbábue, Venezuela e Argentina, o Bitcoin tem sido utilizado para garantir uma preservação de patrimônio em relação aos abusos políticos ou econômicos de autoridades locais.

Dar uma oportunidade a qualquer cidadão no mundo com acesso a internet encontrar uma maneira de garantir o seu patrimônio é um produto relevante, e como já percebeu, o impacto disso no planeta é mínimo. 

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