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Tudo o que você precisa saber sobre o “calote” da dívida americana


Por Hugo Montan
Setembro 28, 2021

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Embate entre os republicanos e democratas trouxe incerteza e tensão para o contexto fiscal americano nesta terça-feira, aqui está tudo o que você precisa saber sobre. 

Na tarde desta terça-feira (28), os republicanos bloquearam a última tentativa dos democratas de aumentar rapidamente o teto da dívida americana, aumentando os temores sobre um potencial calote da dívida pública pela primeira vez na história.

O impasse entre os congressistas se tornou o foco das atenções de todo o mercado mundial, que amargou quedas relevantes, com o S&P 500 afundando -2,05%, Nasdaq 100 -2,9% e o Dow Jones – 1,6%. 

O imbróglio gerado pelo atrito entre os legisladores têm origem no desacordo sobre a responsabilidade do aumento do limite máximo de endividamento do país. Os republicanos não querem assumir a responsabilidade sobre a contração de mais uma grande dívida, passando o “bastão” para a oposição, os democratas. 

Os democratas, por sua vez, insistem que a decisão seja tomada sob uma base bipartidária, “dividindo” a responsabilidade da nova dívida contraída, fato que tem sido negado veementemente pelos republicanos. Utilizando uma analogia, a conjuntura política americana está brincando de “batata-quente” com a dívida pública americana, que está a beira de atingir seu teto (ou já atingiu).  

A última expansão do limite das dívidas ocorreu em agosto de 2019, sob o governo Trump, quando tanto os republicanos quanto os democratas aprovaram o plano que aumentou os gastos federais em US $320 bilhões de dólares e suspendeu o teto por dois anos. 

Sob esses sucessivos aumentos, a questão sobre o que é de fato o limite da dívida pública foi levantada, causando indagações sobre essa “bomba-relógio” econômica que os governos enfrentam periodicamente. 

Atualmente qual é o limite da dívida? 

Janet Yellen, secretária do Tesouro Dos Estados Unidos

De forma simples e resumida, o limite da dívida é um teto estabelecido para pré-determinar o total de dinheiro que o governo federal pode tomar emprestado para cumprir seus compromissos financeiros. Assim como a maioria dos países, os Estados Unidos também sobrevive com consecutivos déficits orçamentários, dessa forma, mecanismos de financiamento como emissão de títulos e obtenção de empréstimos são utilizados para cumprir os compromissos fiscais anualmente. 

Sob o ponto de vista técnico, os Estados Unidos já atingiram seu limite de dívida no final de julho deste ano, após o fim da última prorrogação de dois anos que o Congresso concordou em 2019 (quando o plano bipartidário foi aprovado).

Desde então, a secretária do Tesouro, Janet L. Yellen, tem usado “medidas extraordinárias”  para adiar um calote. Essas são ferramentas de contabilidade essencialmente fiscais que restringem certos investimentos do governo para que as contas continuem a ser pagas. Yellen prevê que caso a expansão da dívida não ocorra, o estado americano deve ficar sem dinheiro em algum momento entre 15 de outubro e 4 de novembro.

Caso esse evento se concretize, autoridades do governo e especialistas externos prevêem um “desastre econômico”.

Qual a dívida total dos Estados Unidos? 

De acordo com o rastreador ao vivo da Fundação Pete Peterson, atualmente a dívida nacional dos EUA é de US $28,43 trilhões. O limite máximo de endividamento é de US $28,4 trilhões, que foi excedido com as medidas extraordinárias tomadas por Yellen

Para oferecer alguma perspectiva sobre a escala de tal déficit, todo o produto interno bruto dos EUA foi de US $ 20,93 trilhões no ano passado.

Com os relógio andando e o congresso americano não encontrando um acordo, a tensão sob o mercado financeiro global aumenta. Hoje em uma carta para a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, Yellen alertou sobre “interrupções substanciais nos mercados financeiros” se os legisladores não agirem rapidamente para aumentar o teto da dívida. 

A Casa Branca também disse no início deste mês que o calote das dívidas pode significar a suspensão dos esforços federais de ajuda humanitária e emergencial, alertando que “atingir o teto da dívida pode causar uma recessão gigantesca”.

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