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SpaceX ultrapassa Amazon e vale US$ 2,7 tri após IPO

Empresa de Elon Musk se torna a terceira mais valiosa do mundo após estreia recorde na bolsa. Entenda o que sustenta essa avaliação e o que muda no setor.

A SpaceX não apenas fez o maior IPO da história dos mercados americanos. Em questão de dias, a empresa de Elon Musk ultrapassou a Amazon em valor de mercado, atingindo US$ 2,7 trilhões. O número a coloca como terceira empresa mais valiosa do planeta, atrás apenas de Apple e Microsoft.

A velocidade com que a avaliação disparou surpreendeu até analistas mais otimistas. Antes do IPO, a última rodada privada havia precificado a empresa em cerca de US$ 350 bilhões. A multiplicação por quase oito vezes em tão pouco tempo levanta uma pergunta inevitável: o que exatamente justifica esse valuation?

O que sustenta a avaliação de US$ 2,7 trilhões da SpaceX

Três pilares sustentam a tese dos investidores. O primeiro é a Starlink, a divisão de internet via satélite que já ultrapassa 5 milhões de assinantes em mais de 100 países. A receita recorrente da Starlink, estimada em mais de US$ 12 bilhões anuais, dá ao negócio uma previsibilidade rara no setor aeroespacial.

O segundo pilar é o programa Starship, o foguete reutilizável de carga pesada que promete reduzir o custo de colocar um quilo em órbita para menos de US$ 100. Se a promessa se confirmar, a SpaceX pode dominar o mercado de lançamentos comerciais, contratos militares e até o transporte interplanetário por décadas.

O terceiro fator é menos técnico e mais narrativo: a aura de Elon Musk. Assim como acontece com a Tesla, investidores de varejo atribuem à SpaceX um prêmio de “visão de futuro” que vai além dos múltiplos tradicionais. A estreia na bolsa atraiu um volume recorde de ordens de compra de pessoas físicas, segundo dados da plataforma Robinhood.

Contexto histórico: como o IPO da SpaceX se compara

Para dimensionar o feito, vale comparar. O IPO do Alibaba em 2014 levantou US$ 25 bilhões e foi considerado monumental. O da Saudi Aramco, em 2019, arrecadou US$ 29,4 bilhões. A SpaceX, segundo estimativas do mercado, superou ambos em sua oferta inicial.

A diferença crucial está no perfil do negócio. Aramco é uma petroleira estatal com décadas de lucros. Alibaba já era um gigante do e-commerce. A SpaceX é uma empresa que ainda opera em fronteiras tecnológicas com margens que só recentemente se tornaram consistentes, impulsionadas pela Starlink.

O mercado americano, vale lembrar, vive um momento de apetite agressivo por risco. O S&P 500 acumula alta de mais de 18% no ano, e a Nasdaq bate recordes quase semanais. Esse ambiente de euforia certamente inflou a demanda pelas ações da SpaceX.

SpaceX compra a Cursor por US$ 60 bilhões: o que isso sinaliza

Apenas um dia após o IPO, a SpaceX anunciou a aquisição da Cursor, startup de ferramentas de programação assistida por inteligência artificial, por US$ 60 bilhões. O movimento revela que Musk pretende usar o caixa levantado na bolsa para consolidar posições em IA.

A Cursor, que oferece um editor de código com copiloto de IA integrado, tinha uma avaliação de mercado significativamente menor antes da oferta. O prêmio pago pela SpaceX sugere urgência estratégica. A leitura do mercado é que a corrida por ferramentas de IA aplicadas a engenharia de software entrou em uma nova fase, com big techs e agora empresas aeroespaciais disputando as mesmas startups.

Para a SpaceX, a lógica faz sentido. A empresa emprega milhares de engenheiros de software que trabalham em sistemas críticos de navegação, telemetria e controle de foguetes. Ferramentas que aceleram esse desenvolvimento podem gerar economia operacional relevante a longo prazo.

O que muda para o investidor brasileiro

Investidores brasileiros que acompanham o mercado americano agora têm acesso direto às ações da SpaceX via corretoras internacionais. Antes do IPO, a única forma de exposição era indireta, através de fundos de venture capital ou ETFs que detinham participações na empresa.

O ponto de atenção é o valuation. Com um múltiplo de receita superior a 100 vezes (considerando os cerca de US$ 15 bilhões estimados de faturamento anual), a SpaceX negocia em um patamar que exige execução impecável nos próximos anos. Qualquer atraso no Starship, perda de contratos governamentais ou desaceleração da Starlink pode provocar correções severas.

Além disso, a dinâmica do câmbio importa. Com o dólar em trajetória de volatilidade frente ao real, a exposição a ativos americanos carrega um componente cambial que pode amplificar tanto ganhos quanto perdas.

O cenário mais amplo: o que a SpaceX diz sobre o mercado

O sucesso do IPO da SpaceX é, acima de tudo, um termômetro do apetite por risco no mercado global. Quando uma empresa pré-lucro consistente atinge US$ 2,7 trilhões, é sinal de que o ciclo de otimismo está em fase avançada.

Isso não significa que uma correção é iminente. Mas, historicamente, IPOs de grande porte em mercados aquecidos costumam marcar pontos de inflexão. O investidor atento observa esses sinais sem necessariamente agir por impulso. A pergunta que fica é se a SpaceX conseguirá, nos próximos trimestres, mostrar resultados que justifiquem o preço que o mercado aceitou pagar.

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Sobre o autor
Lucas Ferreira
Jornalista especializado em tecnologia e inteligencia artificial. Cobre big techs, startups, IA generativa, ciberseguranca e transformacao digital para o portal BlockTrends.
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