Finanças

SpaceX mira IPO com valuation de US$ 1,5 trilhão

SpaceX se prepara para o maior IPO da história, com valuation entre US$ 1,5 tri e US$ 2 tri. Entenda o que está em jogo e quem já aposta no foguete.

SpaceX mira IPO com valuation de US$ 1,5 trilhão
Foto: Forest Katsch / Unsplash

A SpaceX entrou oficialmente na fase de preparação para o que pode se tornar o maior IPO da história dos mercados globais. Segundo fontes ouvidas pelo NeoFeed e pelo Wall Street Journal, a empresa de Elon Musk trabalha com bancos de investimento para uma oferta pública que avalia a companhia entre US$ 1,5 trilhão e US$ 2 trilhões. Para efeito de comparação, a Saudi Aramco levantou US$ 25,6 bilhões em 2019 com um valuation de US$ 1,7 trilhão, até hoje o recorde absoluto.

A diferença é que a SpaceX não é uma petroleira estatal. É uma empresa privada de tecnologia aeroespacial que, nos últimos cinco anos, construiu três negócios distintos e complementares: lançamentos orbitais, a constelação Starlink e o programa de voos tripulados para a NASA. É essa diversificação que sustenta a tese de valuation agressivo.

O que justifica um valuation de US$ 2 trilhões

O número parece absurdo até que se olhe para os fundamentos. A Starlink, braço de internet via satélite, já opera com mais de 7.000 satélites em órbita e atende mais de 4 milhões de assinantes em mais de 100 países. Analistas do Morgan Stanley estimam que a receita recorrente da Starlink pode ultrapassar US$ 15 bilhões anuais até 2027, com margens brutas superiores a 50% conforme a escala avança.

O negócio de lançamentos continua dominante. A SpaceX realizou mais de 130 missões apenas em 2025, representando cerca de 70% de todos os lançamentos orbitais comerciais do planeta. O foguete Starship, em fase final de testes, promete reduzir o custo por quilograma em órbita em até 90%, o que abriria mercados inteiramente novos, desde manufatura espacial até turismo orbital.

Há ainda os contratos governamentais. A empresa é fornecedora principal da NASA para transporte de astronautas à Estação Espacial Internacional e compete pelo programa Artemis de retorno à Lua. Esses contratos garantem receita previsível na casa dos bilhões por ano.

Quem já está apostando antes da abertura de capital

O mercado secundário de ações da SpaceX já opera a todo vapor. No último round privado, concluído no início de 2026, a empresa captou US$ 16 bilhões com valuation implícito de US$ 350 por ação. Fundos como Andreessen Horowitz, Founders Fund e Fidelity figuram entre os maiores acionistas institucionais.

A Binance chegou a lançar contratos perpétuos de SpaceX pré-IPO em sua plataforma, refletindo o apetite especulativo global pelo ativo. A iniciativa mostra como o mercado cripto se entrelaça cada vez mais com ativos tradicionais, criando instrumentos derivativos sobre empresas que sequer têm ações listadas.

Entre investidores de varejo, a expectativa é enorme. Plataformas como Forge Global e EquityZen reportaram aumento de 300% na demanda por lotes secundários da SpaceX nos últimos seis meses. O problema é a acessibilidade: lotes mínimos giram em torno de US$ 100 mil, o que restringe a participação ao investidor qualificado.

Os riscos que ninguém quer discutir

Um valuation de US$ 2 trilhões exige execução impecável. O primeiro risco é regulatório: a Starlink enfrenta resistência em mercados como Índia e China, onde governos locais preferem soluções domésticas de conectividade. Uma restrição significativa em mercados emergentes pode comprometer a tese de crescimento exponencial.

O segundo risco é técnico. O Starship ainda não completou uma missão orbital completa com retorno e reutilização total. Atrasos no programa podem adiar contratos bilionários da NASA e reduzir a vantagem competitiva sobre rivais como Blue Origin e Rocket Lab.

O terceiro é Elon Musk. A concentração de poder em um único executivo é um fator de risco clássico de governança, algo que investidores institucionais avaliam com cada vez mais rigor. Musk acumula SpaceX, Tesla, xAI, Neuralink e a plataforma X. Um evento adverso em qualquer uma dessas frentes pode respingar nas demais.

O que isso significa para o investidor brasileiro

Para quem investe do Brasil, o IPO da SpaceX pode chegar de formas indiretas antes mesmo da listagem. ETFs temáticos de tecnologia aeroespacial, como o ARKX da Ark Invest, tendem a incluir a SpaceX assim que as ações forem negociáveis. Fundos internacionais disponíveis via BDRs e plataformas de investimento global também devem oferecer acesso.

O ponto de atenção é a precificação. A história dos mega-IPOs mostra que a euforia do primeiro dia raramente se sustenta. A Saudi Aramco caiu 18% nos 12 meses seguintes à estreia. O Facebook (hoje Meta) levou mais de um ano para recuperar o preço de IPO em 2012. Entrar cedo nem sempre é sinônimo de lucrar.

O IPO da SpaceX será, acima de tudo, um teste do apetite global por risco em 2026. Com juros americanos ainda elevados e um setor de tecnologia negociando a múltiplos historicamente altos, a capacidade do mercado de absorver uma oferta dessa magnitude dirá muito sobre a saúde do ciclo atual.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

Compartilhar
Sobre o autor
Marina Alves
Traduz o que Copom, câmbio e licenças de exchange fazem com a sua carteira. Cobre o mercado de capitais brasileiro, a macro do dia a dia e a regulação do cripto. Sem promessa de ganho fácil.
Continue scrollando para a próxima matéria…