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Finanças

S&P 500 bate 7.800 pontos: o que sustenta o rali

S&P 500 renovou máxima histórica acima de 7.800 pontos com recuo nos rendimentos dos Treasuries e avanço de techs de IA. Entenda o que sustenta o rali.

S&P 500 bate 7.800 pontos: o que sustenta o rali
Foto: Jeremy de Blok / Unsplash

O S&P 500 ultrapassou os 7.800 pontos pela primeira vez na história, renovando o recorde intradia aos 7.844,52 pontos. O Nasdaq acompanhou e também marcou nova máxima, aos 27.722,74 pontos. O movimento veio sustentado por dois pilares simultâneos: o recuo nos rendimentos dos Treasuries e a continuidade do impulso das ações de tecnologia ligadas à inteligência artificial.

Para quem acompanha o mercado americano de perto, o dado relevante não é a marca redonda em si. É a combinação de fatores que permitiu que ela fosse alcançada, e o que isso sinaliza para o próximo ciclo de decisões do Federal Reserve.

Por que os Treasuries recuaram e o que isso muda

O rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano caiu mais de 4 pontos-base durante a sessão, atingindo 5,262% na mínima intradia. O título de 30 anos, referência para hipotecas de longo prazo nos Estados Unidos, recuou 3 pontos-base para 5,631%.

Esse alívio nos yields ocorreu em um contexto de expectativa pela divulgação da ata da última reunião do Fomc. Na decisão mais recente, o comitê elevou os juros em 25 pontos-base, levando a taxa para a faixa de 3,75% a 4,00%, a primeira alta desde julho de 2023. A decisão foi unânime.

Quando os rendimentos dos Treasuries recuam, o custo de oportunidade de estar em renda variável diminui. Isso beneficia diretamente ações de crescimento, especialmente no setor de tecnologia, cujos valuations são mais sensíveis a variações nas taxas de desconto. Como explicamos em nossa cobertura de finanças, essa dinâmica entre juros longos e ações de growth se repete de forma cíclica e previsível.

O papel da inteligência artificial no rali de Wall Street

Mais uma vez, as ações do setor de tecnologia ligadas à inteligência artificial foram o principal motor da alta dos índices. Não se trata de um fenômeno novo. Desde o início do ciclo de adoção acelerada de IA generativa, as big techs americanas se tornaram o centro gravitacional do mercado acionário global.

O que chama atenção é a persistência do movimento. Mesmo com juros elevados e Treasuries pagando acima de 5% ao ano, os investidores continuam dispostos a pagar múltiplos altos por empresas posicionadas na cadeia de valor da inteligência artificial. Isso sugere que o mercado está precificando uma transformação estrutural de produtividade, e não apenas um ciclo de hype.

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Essa tese, como abordamos em nossas análises de tecnologia, encontra respaldo nos resultados trimestrais das grandes empresas do setor, que têm entregado crescimento de receita acima das expectativas trimestre após trimestre.

O que a ata do Fomc pode revelar

O mercado operou durante a sessão à espera da ata da última reunião do Fomc. O documento deve detalhar o tom das discussões que levaram à decisão unânime de elevar os juros em 25 pontos-base.

Três pontos são relevantes para o investidor:

  • O grau de consenso sobre a necessidade de novas altas. A unanimidade na decisão sugere coesão, mas a ata pode revelar divergências sobre o ritmo futuro.
  • A avaliação do comitê sobre a inflação de serviços, que permanece resiliente na economia americana.
  • Qualquer sinalização sobre o patamar terminal dos juros, que o mercado atualmente projeta entre 4,25% e 4,50%.

Se a ata trouxer um tom mais cauteloso sobre novos aumentos, o alívio nos Treasuries tende a se consolidar e abrir espaço para novas máximas nos índices acionários. Caso contrário, um repique nos yields pode pressionar as ações de maior duration.

O que o recorde do S&P 500 significa para o investidor brasileiro

O recorde do S&P 500 não é apenas uma manchete de Wall Street. Para o investidor brasileiro com exposição ao mercado americano, via ETFs como IVVB11 ou BDRs, o movimento tem implicações diretas no patrimônio.

Além disso, o comportamento dos Treasuries influencia diretamente o fluxo de capital para mercados emergentes. Quando os yields longos americanos recuam, a atratividade relativa de ativos em mercados como o Brasil tende a aumentar. Isso pode beneficiar tanto a bolsa brasileira quanto o real frente ao dólar.

Por outro lado, o nível de 5,26% no título de 10 anos ainda é historicamente elevado. Mesmo com o recuo recente, estamos em um patamar que, há dois anos, seria considerado improvável. Como analisamos em nossa seção de finanças, o cenário de juros altos por mais tempo nos Estados Unidos segue sendo o cenário-base para a maioria das gestoras globais.

Rali sustentável ou euforia de curto prazo

A grande questão para o segundo semestre é se o mercado americano consegue sustentar esses níveis. Historicamente, ralis impulsionados por um setor concentrado, como tecnologia, tendem a ser mais frágeis do que altas com participação ampla do mercado.

Dados de breadth, ou amplitude de mercado, mostram que a parcela de ações do S&P 500 acima da média móvel de 200 dias ainda não acompanha o ritmo dos índices ponderados por capitalização. Isso significa que os recordes estão sendo carregados por um grupo relativamente pequeno de empresas.

Para o investidor, o recado é claro: o rali é real, mas depende fortemente da continuidade dos resultados das big techs e de um cenário de juros que, no mínimo, pare de piorar. Qualquer surpresa hawkish na ata do Fomc, ou nos próximos dados de inflação, pode testar a convicção do mercado de forma rápida.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Marina Alves
Traduz o que Copom, câmbio e licenças de exchange fazem com a sua carteira. Cobre o mercado de capitais brasileiro, a macro do dia a dia e a regulação do cripto. Sem promessa de ganho fácil.
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