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Samsung terá stablecoins nativas em 1 bilhão de Galaxy

Samsung vai integrar stablecoins à Samsung Wallet, levando pagamentos em moeda digital a 1 bilhão de smartphones Galaxy ativos no mundo.

Samsung terá stablecoins nativas em 1 bilhão de Galaxy
Foto: Mikhail Nilov / Unsplash

A Samsung acaba de colocar o mercado de stablecoins no bolso de 1 bilhão de pessoas. Durante o Galaxy Unpacked 2026, a fabricante sul-coreana anunciou que vai integrar stablecoins de forma nativa à Samsung Wallet, transformando seus smartphones em terminais de pagamento e transferência de ativos digitais. A decisão posiciona a empresa como uma das primeiras grandes marcas de dispositivos móveis a embarcar essa funcionalidade diretamente no sistema operacional.

O movimento não é exatamente uma surpresa. Em maio, a Samsung já havia adquirido participação em uma corretora de criptomoedas sul-coreana. E o histórico remonta a 2019, quando a empresa lançou o recurso Keystore, um cofre para armazenar chaves privadas dentro dos aparelhos Galaxy. O que muda agora é a escala e a ambição: sair de um recurso técnico e nichado para uma funcionalidade de massa dentro da carteira digital que milhões de pessoas já usam no dia a dia.

O que muda com stablecoins nativas na Samsung Wallet

Na prática, a Samsung Wallet vai permitir que usuários de smartphones Galaxy realizem transferências de valor digital usando stablecoins, sem precisar instalar aplicativos de terceiros ou acessar corretoras externas. Toda a operação acontece dentro do ecossistema nativo do aparelho.

As informações da carteira serão protegidas pelo Samsung Knox, sistema de segurança proprietário da empresa que fornece criptografia de ponta a ponta. Para quem acompanha o setor, o Knox já é considerado um dos ambientes de segurança mais robustos em dispositivos móveis, o que reduz significativamente uma das principais barreiras de entrada para usuários comuns: o medo de perder fundos por falha de segurança.

Segundo a apresentação no Galaxy Unpacked, a Samsung Wallet vai se tornar a base de um ecossistema unificado que combina pagamentos tradicionais, recompensas e ativos digitais. A ideia é que o usuário não precise alternar entre diferentes aplicativos para lidar com dinheiro fiduciário e moedas digitais. É uma aposta na convergência, algo que grandes empresas de tecnologia vêm tentando executar com graus variados de sucesso.

Stablecoins como infraestrutura financeira global

O mercado de stablecoins está avaliado em aproximadamente 311 bilhões de dólares. Segundo projeções do Citi divulgadas neste ano, esse número pode alcançar 4 trilhões de dólares até 2030. Se essas estimativas se confirmarem, estamos falando de uma multiplicação de quase 13 vezes em menos de cinco anos.

Esse crescimento projetado ajuda a explicar por que a Samsung está se movendo agora. A empresa não quer apenas vender hardware. Quer ser a camada de distribuição pela qual o dinheiro digital circula. Com cerca de 1 bilhão de smartphones Galaxy em uso ativo no mundo, a Samsung tem uma vantagem competitiva que poucas empresas possuem: alcance global imediato.

E a Samsung não está sozinha nessa corrida. Como já analisamos na cobertura de tecnologia do BlockTrends, Visa e Mastercard também vêm ampliando suas operações com stablecoins, integrando liquidação de transações e pagamentos transfronteiriços com ativos lastreados em dólar. A diferença é que a Samsung atua na camada do dispositivo, o que significa controle sobre a experiência do usuário desde o momento em que ele desbloqueia o celular.

O contexto geopolítico das stablecoins

O interesse institucional por stablecoins vai além do setor privado. Recentemente, o governo da Bolívia declarou estar considerando a adoção do USDT da Tether em sua economia local. O caso ilustra um fenômeno que ganha tração em economias emergentes: a dolarização via criptomoedas. Em países com moedas voláteis ou controles cambiais rígidos, stablecoins lastreadas em dólar funcionam como uma via de acesso ao sistema financeiro global sem depender de intermediários bancários tradicionais.

Esse cenário torna a decisão da Samsung ainda mais estratégica. A empresa tem presença massiva em mercados emergentes da Ásia, América Latina e África, exatamente onde a demanda por soluções de dolarização digital tende a crescer com mais velocidade. Como mostramos na nossa cobertura sobre o mercado cripto, a adoção de stablecoins em economias instáveis já é uma realidade em países como Argentina, Nigéria e Turquia.

O que isso significa para o mercado

A entrada da Samsung nesse segmento representa uma mudança qualitativa na distribuição de stablecoins. Até agora, o acesso a esses ativos dependia de corretoras centralizadas, carteiras descentralizadas ou aplicativos especializados. Colocar stablecoins dentro da carteira nativa de um smartphone com 1 bilhão de unidades ativas remove uma barreira de fricção que o setor cripto nunca conseguiu eliminar sozinho.

Para o ecossistema de finanças digitais, o impacto pode ser comparável ao que o Apple Pay fez pelos pagamentos por aproximação: não inventou a tecnologia, mas tornou o uso tão simples que acelerou a adoção em massa. A diferença é que, em vez de digitalizar o cartão de crédito, a Samsung está tentando digitalizar o próprio conceito de dinheiro.

Resta saber quais stablecoins serão suportadas na integração inicial, qual será o modelo de taxas e em quais mercados a funcionalidade estará disponível primeiro. A Samsung não detalhou esses pontos durante o evento. Mas a direção está clara: a próxima batalha das big techs não é apenas por hardware ou software. É por quem controla o fluxo do dinheiro digital no bolso de bilhões de pessoas.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Lucas Ferreira
Fica na fronteira onde a inteligência artificial encontra o dinheiro. Cobre big techs, os modelos que saem dos laboratórios e a disputa por chips por trás de tudo. Mostra por que cada movimento do setor mexe com o mercado.
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