Certificação

Demanda por profissionais certificados em cripto dispara no Brasil e pressiona mercado financeiro

Pesquisa revela que 78% dos investidores sem cripto entrariam no mercado com suporte de um assessor capacitado, mas 58% dos advisors reconhecem não ter preparo suficiente para orientar clientes.

Demanda por profissionais certificados em cripto dispara no Brasil e pressiona mercado financeiro

O mercado financeiro brasileiro vive um descompasso que começa a custar caro. De um lado, 25 milhões de brasileiros já investiram em criptoativos, segundo o DataFolha, e outros 32 milhões pretendem fazê-lo nos próximos 24 meses. Do outro, a maioria dos profissionais que deveria orientar esses investidores simplesmente não está preparada.

Uma pesquisa recente mostra que 58% dos assessores de investimentos não se sentem confortáveis para recomendar ativos digitais sem capacitação específica. O resultado? Clientes que migram para exchanges por conta própria — ou pior, para plataformas sem regulação — porque não encontram suporte qualificado em seus bancos e corretoras tradicionais.

O gap que ninguém quer admitir

O problema não é falta de interesse. É falta de infraestrutura educacional. Até pouco tempo, não existia no Brasil um programa de certificação profissional em criptoativos que tivesse o respaldo do mercado financeiro tradicional. Cursos avulsos existiam aos montes, mas nenhum com o peso de uma certificadora como a ANCORD — a mesma que credencia os mais de 27 mil Assessores de Investimentos registrados no país.

Essa lacuna começou a ser preenchida com o lançamento do CCA® (Certificação em Criptoativos ANCORD), desenvolvido pela BlockTrends em parceria com a Fundação Getulio Vargas e certificado pela ANCORD. O programa é a primeira certificação profissional em cripto da América Latina e já registra mais de 1.000 inscritos e 600 profissionais certificados em menos de dois anos de operação.

Os números que explicam a velocidade

O crescimento de 463% nas inscrições em 2025 não é acaso. O mercado está sinalizando com clareza: a regulação de criptoativos avança — a CVM e o Banco Central já definiram os contornos do Marco Legal — e as instituições financeiras que não tiverem profissionais certificados vão ficar para trás.

Dados do próprio programa reforçam a tese: assessores que obtiveram o CCA recomendam criptoativos três vezes mais do que seus pares não certificados. E 78% dos investidores que ainda não têm cripto afirmam que entrariam no mercado se tivessem o suporte de um profissional capacitado.

A equação é direta: mais profissionais certificados, mais ativos sob gestão, mais receita para as casas de investimento.

O que muda na prática

O CCA não é um curso online genérico. É uma jornada de certificação com cinco etapas — curso intensivo, provas intermediárias, atestado de conclusão, exame administrado pela FGV (40 questões, nota mínima 7) e certificado emitido pela ANCORD. O conteúdo cobre desde fundamentos de blockchain até regulação tributária e a transformação do mercado de capitais por ativos digitais.

O NPS de 97% entre os certificados sugere que o programa entrega o que promete. E o perfil dos inscritos confirma a tese institucional: predominantemente profissionais do mercado financeiro de São Paulo e Rio de Janeiro, vindos de corretoras, gestoras, bancos e fintechs.

Para corretoras e gestoras, o cálculo é direto. O investimento individual se paga na primeira captação de um cliente de cripto. Descontos progressivos para turmas corporativas tornam a conta ainda mais favorável.

O que vem pela frente

Com a regulação se consolidando e os ETFs de cripto da B3 ganhando tração — a QR Asset, gestora do mesmo ecossistema, administra mais de R$ 800 milhões em ativos digitais —, a certificação profissional tende a deixar de ser diferencial competitivo para se tornar requisito. A pergunta não é mais se vale a pena se certificar, mas quanto tempo o profissional ainda pode esperar sem perder mercado.

Os detalhes sobre o conteúdo, programação e inscrições estão disponíveis no site oficial do programa.

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Sobre o autor
Leonardo Rubinstein
Jornalista formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Repórter, e autor do livro "2020: O Ano que Não Aconteceu". Escreve sobre criptoativos, tokenização, Web3 e blockchain, além de matérias na editoria de tecnologia, como inteligência artificial, Real Digital e temas semelhantes. Já cobriu eventos como Consensus, LabitConf, Criptorama e Satsconference.