Economia

Por que apps de delivery não dão lucro, e talvez nunca darão

Palco de grandes disputas entre startups, o mercado de apps de delivery movimenta bilhões, mas até o momento não gerou lucro as plataformas.

Com a gasolina sofrendo sucessivos aumentos e o cerco se fechando do lado das plataformas de delivery, o coletivo de entregadores de apps anunciaram o início de uma greve a partir desta terça-feira (29). A previsão é para que as paralisações aconteçam em cidades específicas de estados das regiões Sudeste, Sul e Nordeste. Até agora, o foco da greve são plataformas de delivery alimentício e transporte de passageiros, como a Uber, 99, iFood e Rappi. 

Enquanto isso, Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, anunciou o lançamento de uma nova plataforma de entrega de comida do estado, o Valeu.

Por trás dessas constantes disputas e tensões entre o nicho de mercado, existem plataformas com uma dinâmica de funcionamento extremamente sensível em um mercado com ampla concorrência.

Do lado dos apps, a pandemia de COVID-19, gerou um aumento gigantesco de demanda e consequentemente a massiva entrada de capital investidor, o que resultou na formação de uma verdadeira selva no mercado.

No ano de 2020, os apps de delivery geraram uma receita estimada de $3,3 bilhões no Brasil, enquanto na China, o montante foi de $51,5 bilhões. Os números assustam quando levamos em conta que até pouco tempo atrás apps como esses estavam totalmente fora da dinâmica cotidiana, o que ressalta o amplo horizonte de crescimento existente para o setor.

Dados do setor mostraram um salto de 155% no número de usuários, e um crescimento de 975% no número de pedidos de março a abril de 2020, período que marcou o início da pandemia.

Ao todo são ao menos 9 plataformas consolidadas no mercado com números expressivos no Brasil (iFoodLoggiRappiCornershop99 FoodaiqfomeClick Entregas e Lalamove). A concorrência, que é naturalmente benéfica para os consumidores, acaba sendo a protagonista de um fenômeno que também é/foi observado em empresas como Nubank e Amazon. 

Embora apresentem um crescimento ascendente, nenhuma das empresas citadas apresentam um lucro significante, pelo contrário, a as startups acabam fechando seus balanços com prejuízos

O próprio Ifood, que expandiu sua base de clientes em 50% em 2021 e aumentou seu faturamento em 234% não apresentou um lucro efetivo em suas contas.

O fato que naturalmente estranha é uma prática que surgiu entre empresas virtuais nas últimas décadas.

Primeiro, é importante ressaltarmos que o crescimento de receita não necessariamente reflete no crescimento de lucro por parte da companhia. Na verdade, a margem de lucro desse segmento é bem menor do que as pessoas imaginam. 

Entregar comida é uma tarefa logística cara, e as plataformas ganham dinheiro cobrando dos restaurantes uma porcentagem do pedido, além da taxa de serviço cobrada dos consumidores. A partir dessas taxas, eles realizam os respectivos pagamentos dos motoristas. 

Após a contabilização de custos de publicidade, reembolsos de clientes e despesas operacionais, o DoorDash, plataforma operacional com ampla base de consumidores no exterior, fica com, em média, 2,5% da conta geral do cliente. Segundo dados do Deutsche Bank. 

Créditos: Wall Street Journal

Isso significa que em média, uma plataforma de entrega termina com $0,90 centavos de dólar em um pedido que vale custou cerca de $36.

Nesse jogo de migalhas, ganha quem consegue fomentar a maior base de clientes e mantê-los na plataforma, ou seja, essa é a razão para você receber tantas notificações de cupons com trocadilhos péssimos. 

A mesma lógica baseada em “perseguir o crescimento para eventualmente aproveitar o lucro“, adotada durante anos pela Amazon, e mais recentemente pela Nubank, também é utilizada pelas empresas do setor de delivery. 

Além do fato de essas empresas não possuírem uma margem de lucro tão alta, como já foi explicado, o lucro remanescente é plenamente utilizado para custear mecanismos de crescimento, como os cupons de desconto. 

Nessa dinâmica, as empresas permanecem em uma concorrência sem precedentes abrindo mão de suas contas para atrair e construir fidelidade em sua clientela, para que, uma vez mais bem estabelecida no mercado, possa colher lucros futuros. 

Um grande exemplo dessa prática é o iFood, que embora seja a empresa do ramo com maior receita no país, também não apresenta lucros em seus balanços desde 2018. Internacionalmente, tanto a DoorDash quanto o Uber Eats também não apresentam lucros impactantes em suas últimas divulgações.

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