Criptomoedas

Papa do Bitcoin, Michael Saylor, sugere que devemos confiar no governo

Sobre o confisco do ouro nos Estados Unidos, em 1933, Saylor afirmou que o governo não entrou nas casas da população com pé na porta e arrancou o ouro das mãos deles.

Papa do Bitcoin, Michael Saylor, sugere que devemos confiar no governo

Michael Saylor, fundador da MicroStrategy, ganhou bastante fama por ser um forte defensor do Bitcoin. Contudo, em entrevista recente, o ‘papa’ do Bitcoin afirma que é sensato confiar nos governos e grandes instituições para manter o Bitcoin sob custódia, e que quem demonstra desconfiança não passa de um “cripto anarquista paranóico.”

Durante a entrevista, a pergunta que endereçam ao evangelista é de se existe um risco no movimento de grandes instituições custodiar a criptomoeda.Adicionalmente, a entrevistadora questiona se este movimento aumenta o risco de confisco como já aconteceu com o ouro.

Em resposta, Saylor afirma que “não. Muito pelo contrário”. Segundo ele, esses riscos de confisco aumentam com o número de investidores que não reconhecem o governo, nem impostos ou muito menos a importância de declarar os ativos para o equivalente à Receita Federal.

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“Existe uma parte da comunidade cripto que é bastante intensa em relação a isso. Mas, se olhar bem, 99,9% do dinheiro está no mercado tradicional. Pessoas dizem isso [que o Bitcoin mitiga riscos de confisco] mas a maioria são cripto anarquistas paranóicos”, declarou.

https://twitter.com/caueconomy/status/1848326662376579323

Comparação injusta, diz Saylor sobre confisco de ouro

Sobre o confisco do ouro nos Estados Unidos, em 1933, Saylor afirmou que o governo não entrou nas casas da população com pé na porta e arrancou o ouro das mãos deles. A população entregou o ouro de vontade própria, segundo o empresário.

Vale contextualizar que, o confisco de ouro nos Estados Unidos foi uma medida do presidente Franklin D. Roosevelt durante a Grande Depressão. Desse modo, aconteceu por meio da Ordem Executiva 6102, de 5 de abril de 1933. Nela, os cidadãos americanos foram obrigados a entregar suas reservas de ouro ao governo federal, com exceção de pequenas quantidades para uso pessoal.

A medida visava combater a crise econômica, estabilizar o sistema bancário e aumentar a oferta de moeda. O governo comprou o ouro a um preço fixo e, posteriormente, aumentou seu valor, desvalorizando o dólar.

Na época, os EUA ainda estavam no padrão ouro. Portanto, Saylor defende que a comparação com Bitcoin é absurda, uma vez que atualmente o Bitcoin não é o lastro do dólar como o ouro era na época.

Michael Saylor finaliza sua tese ao dizer que as pessoas que usam esse discurso, apenas o usam para vender ideias. Consequentemente, vender produtos como carteiras de custódia, ou passaportes para outros países.

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Leonardo Rubinstein

Sobre o autor

Leonardo Rubinstein

Jornalista formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Repórter, e autor do livro "2020: O Ano que Não Aconteceu". Escreve sobre criptoativos, tokenização, Web3 e blockchain, além de matérias na editoria de tecnologia, como inteligência artificial, Real Digital e temas semelhantes. Já cobriu eventos como Consensus, LabitConf, Criptorama e Satsconference.

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