Live gratuita da VEJA Negócios em 13/10, às 19h: como investir fora do Brasil, com Tony Volpon e Rodolfo Bastos. Inscreva-se grátis.Estratégia Internacional, o curso da VEJA Negócios e da BlockTrends: 4 módulos para investir fora do Brasil. Inscrições abertas.
Criptomoedas

Ouro recua antes do CPI: o que esperar do metal em 2025

Ouro recuou para US$ 4.190 com correção técnica antes dos dados de inflação dos EUA. O CPI de quarta-feira pode definir o rumo dos juros e do metal precioso.

Ouro recua antes do CPI: o que esperar do metal em 2025
Foto: Zlaťáky.cz / Unsplash

Ouro perde fôlego na barreira dos US$ 4.200

O contrato futuro de ouro para dezembro fechou em queda de 0,61% nesta segunda-feira, cotado a US$ 4.190,60 por onça-troy na Comex. A prata acompanhou o movimento e recuou 0,87%, para US$ 60,51. O pregão teve liquidez reduzida pelo feriado do Dia de Colombo nos Estados Unidos, o que amplificou a volatilidade no mercado de metais.

A correção veio após ganhos acumulados na semana anterior, quando a queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e a desvalorização do petróleo abriram espaço para uma valorização pontual do metal. Mas a marca psicológica de US$ 4.200 segue funcionando como um teto difícil de romper. É a segunda vez em poucas semanas que o ouro esbarra nesse patamar e volta a ceder.

Para quem acompanha o mercado de metais preciosos, o padrão não é novo. A resistência em níveis redondos costuma coincidir com realização de lucros por parte de investidores institucionais, especialmente quando há um evento macroeconômico relevante no horizonte. E o calendário desta semana traz exatamente isso.

CPI dos EUA pode redefinir a trajetória dos juros

O grande catalisador da semana é a publicação do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos, prevista para quarta-feira. O dado é o principal termômetro de inflação usado pelo Federal Reserve para calibrar sua política monetária, e qualquer surpresa pode alterar drasticamente as expectativas de mercado sobre cortes ou manutenção dos juros.

A dinâmica é relativamente direta. Juros mais altos tendem a pressionar ativos que não geram rendimento, como o ouro. Quando os yields dos Treasuries sobem, o custo de oportunidade de manter posições em metais preciosos aumenta, tornando títulos de renda fixa mais atraentes por comparação. Como acompanhamos na cobertura de mercados do portal, essa relação inversa entre juros reais e ouro tem sido um dos principais vetores de preço ao longo de 2025.

Se o CPI vier acima do esperado, a leitura imediata do mercado será de que o Fed terá menos espaço para cortar juros nas próximas reuniões. Isso jogaria contra o ouro no curto prazo. Por outro lado, um dado mais brando reforçaria a tese de desinflação gradual e poderia abrir caminho para uma nova perna de alta no metal.

Petróleo em queda pode aliviar a pressão inflacionária

Um fator que tem passado relativamente despercebido é o recuo nos preços do petróleo. A queda recente da commodity energética tem um efeito cascata sobre as expectativas de inflação, já que combustíveis representam uma parcela relevante da cesta do CPI.

Live gratuita da VEJA Negócios em 13/10, às 19h: como investir fora do Brasil, com Tony Volpon e Rodolfo Bastos. Inscreva-se grátis.Estratégia Internacional, o curso da VEJA Negócios e da BlockTrends: 4 módulos para investir fora do Brasil. Inscrições abertas.

Preços de energia mais baixos podem atenuar as preocupações inflacionárias, reduzir a pressão sobre os rendimentos dos títulos do Tesouro e, em última instância, oferecer suporte ao ouro. É um mecanismo indireto, mas historicamente eficaz. Em ciclos anteriores de desinflação energética, como no segundo semestre de 2023, o ouro se beneficiou justamente dessa combinação de yields em queda e expectativas de política monetária mais branda.

Ainda assim, analistas de mercado alertam que o cenário de juros continua desafiador. Enquanto o Fed não sinalizar de forma inequívoca um ciclo de afrouxamento, o metal precioso permanece vulnerável a ondas de venda em momentos de correção técnica como o desta segunda-feira. A questão central é se os dados de inflação darão ao banco central americano a confiança necessária para agir.

O que está em jogo para quem investe em ouro

Apesar da correção pontual, o ouro acumula uma valorização expressiva em 2025. Estar cotado acima de US$ 4.000 por onça-troy era um cenário que poucos analistas projetavam no início do ano. A demanda por reservas de valor, a diversificação de bancos centrais (especialmente em economias emergentes) e a persistente incerteza geopolítica sustentaram o rali.

Para o investidor brasileiro, o ouro tem uma camada adicional de complexidade: a variação cambial. Como discutimos em análises anteriores sobre proteção patrimonial, o desempenho do metal em reais depende tanto da cotação internacional quanto do comportamento do dólar frente ao real. Em momentos de fortalecimento do dólar, o ouro em reais tende a ter performance ainda melhor do que em dólar, funcionando como dupla proteção.

O ponto de atenção é justamente a concentração de expectativas em torno do CPI. Quando o mercado inteiro olha para o mesmo dado, a reação costuma ser amplificada. Um CPI que venha 0,1 ponto percentual acima ou abaixo do consenso pode gerar movimentos desproporcionais no ouro, nos yields e no câmbio.

Ouro e a narrativa macro de 2025

O comportamento do ouro nesta semana funciona como um microcosmo de toda a narrativa macroeconômica de 2025. O mercado oscila entre dois cenários: um pouso suave da economia americana, com desinflação gradual e cortes de juros no segundo semestre, e uma inflação mais persistente, que forçaria o Fed a manter a taxa restritiva por mais tempo.

A cada dado econômico relevante, o pêndulo se move. E o ouro, como ativo sem rendimento intrínseco, é um dos termômetros mais sensíveis desse movimento. A relação entre política monetária e ativos reais segue sendo um dos temas centrais para qualquer alocação de portfólio neste ano.

No curto prazo, a faixa entre US$ 4.100 e US$ 4.200 deve continuar sendo o campo de batalha. Se o CPI colaborar, a ruptura dos US$ 4.200 pode abrir caminho para novas máximas. Se não, o metal pode buscar suporte na região dos US$ 4.050, onde houve forte acúmulo de compras nas últimas semanas.

O que é certo: a volatilidade está contratada. E para quem tem exposição a ouro, os próximos dias exigem atenção redobrada aos números que saem de Washington.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

Live gratuita da VEJA Negócios em 13/10, às 19h: como investir fora do Brasil, com Tony Volpon e Rodolfo Bastos. Inscreva-se grátis.Estratégia Internacional, o curso da VEJA Negócios e da BlockTrends: 4 módulos para investir fora do Brasil. Inscrições abertas.
Compartilhar
Sobre o autor
Renato Moura
Enxerga o mercado como vasos comunicantes: uma fala do Fed mexe no petróleo, o Bitcoin escorrega junto com as bolsas. Cobre a macro global e o efeito da política monetária e da geopolítica no preço dos ativos.
Continue scrollando para a próxima matéria…