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Nubank atinge US$ 1 bi de lucro: o que explica o salto

Nubank registrou lucro recorde de US$ 1 bi no segundo trimestre de 2026, com ROE de 33%. Entenda o que mudou e por que o mercado reagiu tão forte.

Nubank atinge US$ 1 bi de lucro: o que explica o salto
Foto: Jonathan Borba / Unsplash

O Nubank cruzou uma fronteira simbólica. No segundo trimestre de 2026, a fintech fundada por David Vélez registrou lucro líquido de US$ 1 bilhão, o maior da sua história. O número representa um salto de 49% em relação ao mesmo período de 2025 e superou a expectativa média dos analistas consultados pela Bloomberg, que projetavam US$ 991 milhões.

A reação do mercado foi imediata. As ações negociadas na Bolsa de Nova York dispararam 10% no after-market logo após a divulgação do balanço. Para uma empresa que passou boa parte dos últimos trimestres sob ceticismo, o resultado funcionou como uma resposta concreta às dúvidas que pairavam sobre o modelo de negócio.

ROE de 33% coloca o Nubank no patamar dos bancões

Mais do que o lucro absoluto, o indicador que chamou atenção dos analistas foi o retorno sobre o patrimônio líquido. O ROE do Nubank atingiu 33% no segundo trimestre, uma alta de 4,8 pontos percentuais na comparação anual e 3,7 pontos acima do trimestre anterior. O mercado esperava, em média, algo em torno de 30%.

Para efeito de comparação, os grandes bancos brasileiros operam historicamente na faixa de 18% a 22% de ROE. O Itaú, considerado referência em rentabilidade no setor, fechou o primeiro trimestre de 2026 com ROE próximo de 22%. Isso significa que o Nubank, uma empresa com pouco mais de uma década de existência, está entregando retorno sobre capital próprio significativamente superior ao do banco mais rentável do país.

Esse dado é relevante porque o ROE é a métrica que os investidores institucionais mais observam para avaliar a eficiência de uma instituição financeira. Um ROE consistentemente acima de 30% sugere que a empresa encontrou um ponto de equilíbrio entre crescimento acelerado e disciplina na alocação de capital. Como analisamos na cobertura de resultados do setor financeiro, poucas fintechs globais conseguem sustentar esse patamar por mais de dois trimestres consecutivos.

O que mudou no cenário que beneficiou o Nubank

O resultado do segundo trimestre não surgiu do nada. Nos trimestres anteriores, o principal fantasma era a inadimplência. Com juros elevados no Brasil e expansão agressiva da carteira de crédito, o mercado temia que o Nubank estivesse crescendo rápido demais sem controlar adequadamente o risco.

Os números do 2T26 indicam que a fintech conseguiu reverter essa percepção. A expansão do lucro em quase 50% na base anual, combinada com a melhora do ROE, sugere que a companhia ajustou sua política de concessão de crédito sem sacrificar o ritmo de crescimento da receita. É o tipo de equilíbrio que o mercado financeiro recompensa com múltiplos mais altos.

Outro ponto de pressão nos trimestres anteriores era a operação internacional. O Nubank investiu pesado para expandir presença no México, na Colômbia e, mais recentemente, sinalizou interesse nos Estados Unidos. Investimentos em novos mercados costumam consumir caixa e pressionar margens no curto prazo. O fato de que o lucro consolidado cresceu quase 50% mesmo com esses investimentos em curso mostra que a operação brasileira está gerando caixa suficiente para bancar a expansão sem comprometer a rentabilidade global.

O que o resultado diz sobre o setor de fintechs em 2026

O marco de US$ 1 bilhão em lucro trimestral coloca o Nubank em um patamar raro entre fintechs globais. Pouquíssimas empresas do setor conseguiram atingir esse nível de lucratividade. A maioria das fintechs listadas em bolsa, tanto nos Estados Unidos quanto na Europa, ainda opera com margens apertadas ou em prejuízo.

Isso reforça uma tendência que temos acompanhado no setor de tecnologia financeira: a era das fintechs que crescem a qualquer custo ficou para trás. Os investidores querem ver geração de caixa, disciplina de capital e, acima de tudo, lucro real. O Nubank está entregando os três.

Para os bancos tradicionais brasileiros, o resultado é um lembrete de que a competição digital não é uma ameaça teórica. O Nubank já ultrapassou a marca de 100 milhões de clientes e agora prova que pode ser mais rentável que seus concorrentes centenários. Isso tem implicações diretas para a dinâmica competitiva do setor financeiro brasileiro nos próximos anos.

O que o investidor deve observar daqui para frente

Com a ação subindo 10% no after-market, o preço do papel já precifica parte da surpresa positiva. A questão agora é se o Nubank consegue sustentar esse nível de rentabilidade nos próximos trimestres. Há pelo menos três fatores para acompanhar.

O primeiro é a trajetória da inadimplência. A qualidade da carteira de crédito foi o principal ponto de debate nos últimos trimestres, e qualquer deterioração pode reverter rapidamente o otimismo.

O segundo fator é a operação internacional. O México já começa a contribuir com receita relevante, mas a Colômbia e eventuais movimentos nos Estados Unidos ainda são fontes de incerteza. Quanto capital será necessário para escalar esses mercados e em que prazo eles se tornam lucrativos são perguntas que o mercado continuará fazendo.

O terceiro ponto é o ambiente regulatório. O Banco Central brasileiro tem sinalizado maior rigor na supervisão de fintechs, especialmente no que diz respeito a provisões para crédito e requisitos de capital. Mudanças regulatórias podem impactar diretamente a capacidade do Nubank de manter margens tão elevadas.

O balanço do 2T26 é, sem dúvida, o mais forte da história do Nubank. US$ 1 bilhão de lucro em um único trimestre transforma a narrativa da empresa: de fintech promissora para instituição financeira consolidada. A pergunta que fica é se esse é o novo normal ou um pico cíclico. Os próximos dois trimestres darão a resposta.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Renato Moura
Enxerga o mercado como vasos comunicantes: uma fala do Fed mexe no petróleo, o Bitcoin escorrega junto com as bolsas. Cobre a macro global e o efeito da política monetária e da geopolítica no preço dos ativos.
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