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USP

Harvard e Yale investem em Bitcoin para se proteger, enquanto a USP torce pelo aumento no ICMS


Por Felippe Hermes
Janeiro 26, 2021

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A paralisação abrupta da economia em 2020 em função das restrições da Pandemia ainda devem render estudos futuros.

Em áreas como educação, onde o Brasil se consagrou no topo dos países que mais restringiram abertura de escolas, estima-se que a Pandemia tenha levado a um retrocesso de até 4 anos.

Em um caso especial, porém, o das universidades paulistas, a conta fica ainda pior quando consideramos a sua principal fonte de receita: o ICMS. Por lei, o Estado de São Paulo repassa a suas universidades (USP, Unesp e Unicamp), cerca de 9,57% da parte que cabe ao governo do Estado no tributo (lembre-se que 25% do ICMS é repartido entre os Estados).

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O fechamento e a desaceleração da economia devem provocar segundo estimativas uma perda de R$10 bilhões na arrecadação, totalizando quase R$1 bilhão em repasses a menos para as universidades.

Com orçamentos apertados, majoritariamente destinados ao pagamento de salários e aposentadorias, as universidades já iniciaram cortes e redução de investimentos.

A situação se torna ainda mais complicada pois vem um ano após uma série de ajustes promovidos pelas instituições para enfrentar os efeitos da crise de 2014-2016.

Segundo o reitor da USP, a maior das três, desde 2014 o quadro de funcionários da instituição teve uma redução de 30%. Foram promovidos planos de demissão voluntária, ausência de reajustes e bloqueios em novos concursos.

Em 2019 a USP teve superávit orçamentário pela primeira vez desde 2014. No auge da crise anterior, as universidades chegaram a gastar mais com salários do que possuíam como receita.

Na prática porém, a medida evidencia o grande problema das universidades brasileiras. A dependência em relação a recursos públicos e falta de autonomia para buscar recursos privados, além é claro, de um baixo interesse e dificuldades da elite financeira formada por elas.

Ainda que tenham tido evolução nos últimos anos, com casos específicos e focados em determinados, as universidades brasileiras passam longe de uma prática comum em universidades como as americanas: a formação de endowment.

Na prática, endowments são fundos que tem por missão administrar recursos gerados ou doações feitas para a universidade. O seu resultado em termos de ganhos financeiros retorna em forma de bolsas ou investimentos.

Apenas nos Estados Unidos os recursos administrados por instituições de ensino somam US$ 630 bilhões. 

A existência de tais fundos não nasceu ao acaso, claro. A prática de doações para as universidades é comum e ocorre há mais de 2 séculos. 

Seja na criação de universidades, como Chicago, a universidade com mais nóbeis de economia do planeta e que foi fundada com doações de John D. Rockefeller, ou Stanford, criada pela doação de um Leland e Jane Stanford em homenagem ao seu filho, falecido ainda adolescente, a prática carrega um valor cultural de “devolver a sociedade aquilo que ela lhe possibilitou”.

Não apenas de magnatas porém sobrevivem os Endowments.

Por ano os americanos doam R$530 bilhões para educação, com ⅔ deste valor destinado a escolas locais. Trata-se de uma doação 4 vezes e meia maior do que todo orçamento do MEC, e maior do que todos os gastos brasileiros em educação, mantida apenas com doações voluntárias.

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Tal prática permite por exemplo que alunos cujas famílias recebam menos de $63 mil anuais (a renda média de uma família americana), possam estudar sem pagar nada em universidades como Harvard.

Os recursos são ainda uma maneira de a universidade projetar sua visão para a sociedade.

Pressões de professores e alunos por exemplo, levaram as universidades americanas a capitanear a onda de ESG, ou “governança social e ambiental”, uma área que movimenta trilhões de dólares de investidores, e busca provocar empresas a adotarem uma governança de melhor impacto social.

Em 2011 por exemplo, o Hampshire College se tornou o primeiro a anunciar uma medida drástica: retirar todo e qualquer investimento em indústrias como óleo e gás, ou carvão, altamente poluentes.

Em 2014 foi a vez da University of Glasglow, no Reino Unido (que até o momento já conta com apoio de 77 universidades na causa). O caso do Reino Unido é ainda mais emblemático pois boa parte das universidades são públicas (ainda que cobrem mensalidades e outros valores dos alunos, recebem recursos do governo para educação e investimentos em pesquisa).

Na noite de ontem, mais um grande movimento das universidades foi noticiado pela Coindesk, maior mídia especializada do setor.

Harvard e Yale, a primeira e terceira universidades em volume de recursos em seus fundos, com $34 e $29 bilhões respectivamente, passaram a investir em Bitcoin.

Segundo a mesma Coindesk, com base em abertura de contas na Coinbase, a maior empresa de compra e venda de cripto, fundos de universidades estariam abrindo contas e algumas há mais de 18 meses (no período a valorização do Bitcoin já supera 600% em reais)

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A maior das criptomoedas já se tornou alvo recente de investimentos de empresas listadas em bolsa, como a MicroStrategy e Square, além de grandes fundos de investimento, como BlackRock, Ruffer e SkyBridge.

A lógica por trás destes investimentos é a mesma das universidades e seus fundos de Endowments, preservar valor em um momento no qual o mercado, americano em especial, enfrenta uma enxurrada de recursos impressos pelo Banco Central, o FED. 

A desvalorização do dólar entrou em pauta para grandes investidores, e agora chega aos conselhos de fundos educacionais. 

Por aqui entretanto, sem um planejamento de longo prazo e dependentes de fontes públicas de financiamento, as universidades tem como esperança o “ajuste fiscal”, promovido por João Dória, que promete elevar as alíquotas de ICMS e dar um alívio ainda que temporário as universidades.

No longo prazo porém, como você já deve ter percebido, os cortes em eventuais crises virão de investimentos, limitando a capacidade de pesquisa de nossas universidades pouco afeitas a relações com o setor privado. 


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