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Fox compra Roku por US$ 22 bi e vira 3ª maior TV dos EUA

A Fox concluiu a compra da Roku, avaliada em US$ 22 bilhões, meses antes do previsto. Com 100 milhões de lares, a empresa mira publicidade em TV conectada.

Fox compra Roku por US$ 22 bi e vira 3ª maior TV dos EUA
Foto: Jakub Zerdzicki / Unsplash

A Fox concluiu nesta sexta-feira a aquisição da Roku por US$ 22 bilhões, fechando uma das maiores transações do setor de mídia nos últimos anos. O negócio, anunciado originalmente em junho, tinha previsão de conclusão apenas no primeiro semestre de 2027. A aprovação regulatória veio meses antes do esperado, mesmo após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ter emitido um segundo pedido de informações como parte de sua revisão antitruste.

O resultado prático é direto: a Fox agora se posiciona como a terceira maior empresa de televisão dos Estados Unidos por audiência. Mais do que um salto de escala, a operação sinaliza uma mudança estrutural na forma como grandes conglomerados de mídia tradicional estão se reposicionando para disputar o mercado de TV conectada e publicidade digital.

O que a Fox ganha com a Roku e por que o timing importa

A Roku foi fundada em 2002 e se consolidou como a principal plataforma de acesso a conteúdo de streaming nos Estados Unidos. Seus dispositivos e sistema operacional estão presentes em mais de 100 milhões de lares americanos. Esse alcance é o ativo mais valioso da transação.

Para a Fox, a aquisição resolve um problema que afeta toda a indústria de mídia tradicional: a dependência de distribuidoras de TV por assinatura, um modelo em contração acelerada. Nos últimos cinco anos, o número de assinantes de TV a cabo nos EUA caiu de forma consistente, forçando redes como a Fox a buscar canais diretos de distribuição. Como temos acompanhado nas análises de transformação digital, esse tipo de movimento é cada vez mais comum entre empresas legadas.

Ao integrar a base da Roku, a Fox passa a ter acesso direto ao espectador, sem intermediários. Isso muda a equação de publicidade: em vez de vender anúncios com base em estimativas de audiência da TV aberta, a empresa pode oferecer segmentação baseada em dados reais de consumo, algo que plataformas como YouTube e Meta já fazem há anos.

TV conectada: o campo de batalha da publicidade em 2025

O mercado de publicidade em TV conectada (CTV) nos Estados Unidos deve movimentar mais de US$ 30 bilhões em 2025, segundo estimativas da eMarketer. É o segmento de publicidade digital que mais cresce, superando redes sociais e search em taxa de expansão.

A lógica é simples. O telespectador migrou da TV linear para plataformas de streaming, mas os dólares de publicidade ainda não acompanharam essa migração na mesma proporção. Quem controla a tela e os dados de consumo tem vantagem competitiva enorme. A Roku, como sistema operacional presente na maioria dos aparelhos de streaming nos EUA, ocupa exatamente essa posição.

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Até a conclusão do acordo, a Roku operava de forma independente, monetizando sua plataforma por meio de anúncios e acordos de distribuição com serviços de streaming. Agora, sob o guarda-chuva da Fox, esses dados de audiência podem ser combinados com o conteúdo esportivo e jornalístico da rede, criando um ecossistema integrado de produção, distribuição e monetização.

Esse movimento se assemelha à estratégia que a Amazon adotou com o Prime Video e a Fire TV, ou que a Apple construiu com a Apple TV e o Apple TV+. A diferença é que a Fox chega com uma base instalada de 100 milhões de lares desde o primeiro dia, algo que as big techs levaram anos para construir.

Anthony Wood permanece, mas o jogo mudou

O fundador da Roku, Anthony Wood, afirmou que a missão da empresa não muda com a aquisição. “Nossos times vão continuar construindo e inovando como sempre fizeram, agora com o suporte e as capacidades da Fox”, disse Wood em comunicado.

A declaração é protocolar, mas o contexto importa. A Roku vinha enfrentando pressão crescente de margens. Apesar de dominar a distribuição, a empresa competia com gigantes de tecnologia que tinham mais capital para subsidiar hardware e investir em conteúdo original. A última vez que a Roku apresentou lucro operacional consistente foi antes da pandemia.

Sob a Fox, a Roku não precisa mais sustentar sozinha os custos de expansão. Ao mesmo tempo, perde a independência estratégica que a diferenciava como plataforma neutra no ecossistema de streaming. Serviços concorrentes, como Netflix e Disney+, podem começar a questionar se a Roku sob controle da Fox continuará tratando todos os parceiros de forma igualitária.

O que essa aquisição diz sobre o futuro da mídia

O acordo Fox-Roku é mais um capítulo de uma consolidação que vem se acelerando. A lógica de mercado é clara: empresas de conteúdo precisam controlar a distribuição, e empresas de distribuição precisam de conteúdo exclusivo para reter usuários. Quem não tem os dois precisa comprar o que falta.

Para investidores, o sinal é de que a fase de experimentação do streaming acabou. Os próximos anos serão de integração vertical, corte de custos e disputa por receita publicitária. A dinâmica de fusões e aquisições no setor deve continuar aquecida, especialmente enquanto as taxas de juros nos EUA permanecerem em trajetória de queda e o crédito corporativo estiver acessível.

A aprovação regulatória rápida também é um dado relevante. Apesar do segundo pedido de informações do Departamento de Justiça, o negócio foi liberado sem restrições aparentes. Isso sugere que o ambiente regulatório atual nos Estados Unidos está mais receptivo a grandes fusões no setor de mídia, o que pode encorajar outros movimentos similares nos próximos trimestres.

O mercado de mídia americano agora tem três blocos dominantes em audiência televisiva, com a Fox ocupando a terceira posição. A questão que fica é se a integração entre conteúdo e plataforma será suficiente para competir com as big techs, que além de distribuição e dados, contam com ecossistemas de nuvem, inteligência artificial e e-commerce para subsidiar suas operações de entretenimento.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Renato Moura
Enxerga o mercado como vasos comunicantes: uma fala do Fed mexe no petróleo, o Bitcoin escorrega junto com as bolsas. Cobre a macro global e o efeito da política monetária e da geopolítica no preço dos ativos.
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