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Exportações da China surpreendem e puxam alta na Ásia

Dados de comércio exterior da China vieram acima do esperado e ajudaram a sustentar o apetite por risco na Ásia, mesmo com tensão entre EUA e Irã.

Exportações da China surpreendem e puxam alta na Ásia
Foto: Oscar Zhu / Unsplash

As exportações da China registraram um salto anual de 27% em junho, bem acima das projeções do mercado. As importações também surpreenderam positivamente. Os números reacenderam o otimismo sobre a segunda maior economia do mundo e funcionaram como combustível para uma sessão de ganhos generalizados nas bolsas da Ásia.

O dado é relevante por dois motivos. Primeiro, porque sinaliza que a demanda externa por produtos chineses segue robusta, mesmo em meio a um cenário de tarifas comerciais e reorganização das cadeias globais de suprimentos. Segundo, porque indica que o crescimento do PIB chinês no segundo trimestre pode ter se sustentado melhor do que o consenso previa.

Para investidores brasileiros, o desempenho da economia chinesa não é detalhe. A China é o principal parceiro comercial do Brasil, e a saúde de sua balança comercial influencia diretamente os preços de commodities como minério de ferro e soja, que impactam o Ibovespa e o câmbio.

Recuperação de tecnologia e semicondutores liderou os ganhos

O índice Nikkei, de Tóquio, subiu 0,74% e fechou aos 67.743 pontos. O destaque ficou com o SoftBank Group, que avançou 3,3% após o presidente da empresa, Masayoshi Son, rejeitar publicamente a tese de que existe uma bolha nos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. A declaração veio durante um evento corporativo na capital japonesa.

A fala de Son não é trivial. O SoftBank é um dos maiores investidores globais em IA, e sua visão sobre o setor serve como termômetro para o mercado. A confiança demonstrada reforça a narrativa de que os aportes em capacidade computacional para IA continuam sendo justificados pela demanda crescente de empresas e governos.

Na Coreia do Sul, o Kospi avançou 0,73%, chegando a 6.856 pontos. O movimento, porém, recuperou apenas uma fração do tombo de quase 9% registrado no pregão anterior. Samsung Electronics e SK Hynix, duas gigantes globais de semicondutores que representam mais da metade da capitalização do índice, subiram 3,34% e 3,69%, respectivamente. A cadeia de semicondutores continua sendo um dos setores mais sensíveis às oscilações de expectativa em torno da IA.

China continental lidera, Hong Kong fica para trás

Os mercados da China continental tiveram o melhor desempenho do dia. O Xangai Composto subiu 1,36%, para 3.967 pontos, enquanto o Shenzhen Composto avançou 2,26%, a 2.626 pontos. A reação direta aos dados de exportação foi mais intensa nesses mercados, o que faz sentido dado o peso da balança comercial na dinâmica econômica local.

Segundo análise do ING, os números de junho devem ter sustentado o ritmo de crescimento da economia chinesa no segundo trimestre. A leitura do banco holandês reforça a expectativa de que o PIB da China pode ter superado as projeções para o período, algo que seria positivo para mercados emergentes como o Brasil.

Hong Kong ficou mais comedido. O Hang Seng subiu apenas 0,52%, encerrando aos 24.340 pontos. Em Taiwan, o Taiex foi na contramão e recuou 1,42%, para 44.737 pontos, refletindo a cautela persistente com o setor de chips em um ambiente regulatório cada vez mais complexo.

Petróleo e geopolítica: o risco que o mercado ignorou

O apetite por risco predominou apesar de um cenário geopolítico turbulento. O petróleo Brent subia 4% durante a sessão asiática, acumulando uma alta de mais de 13% em dois pregões após nova troca de ataques entre Estados Unidos e Irã.

A escalada do petróleo é um fator de atenção para os próximos dias. Um Brent sustentado acima de determinados patamares pode pressionar as expectativas de inflação nos Estados Unidos, complicando o cenário para cortes de juros pelo Federal Reserve. Isso teria efeito cascata sobre mercados emergentes, fluxo de capital e, consequentemente, sobre ativos de risco, incluindo bolsas e criptomoedas.

Na Oceania, a bolsa australiana encerrou o dia praticamente estável, com o S&P/ASX 200 nos 8.808 pontos. A Austrália, assim como o Brasil, é uma economia fortemente ligada à China via exportação de commodities, e costuma reagir com defasagem a dados chineses positivos.

O que isso significa para quem investe no Brasil

Dados fortes da China costumam beneficiar o real, as ações de mineradoras e siderúrgicas no Ibovespa e o tom geral do mercado local. A surpresa positiva nas exportações chinesas de junho pode dar fôlego de curto prazo a papéis ligados a commodities na B3.

Por outro lado, a escalada do petróleo adiciona uma camada de incerteza. Empresas do setor de óleo e gás podem se beneficiar, mas o impacto inflacionário de um barril mais caro tende a moderar as expectativas de afrouxamento monetário global, o que limita o espaço para uma alta mais consistente em ativos de risco.

O equilíbrio entre esses dois vetores, dados chineses robustos e tensão geopolítica no Oriente Médio, deve definir o tom dos mercados nos próximos pregões. Para o investidor, o cenário pede atenção aos desdobramentos no Oriente Médio e aos dados de PIB da China, que devem ser divulgados nos próximos dias.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Renato Moura
Enxerga o mercado como vasos comunicantes: uma fala do Fed mexe no petróleo, o Bitcoin escorrega junto com as bolsas. Cobre a macro global e o efeito da política monetária e da geopolítica no preço dos ativos.
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