Tecnologia

Empresas de tecnologia americanas valem menos que brasileiras no “Preço/Lucro”

Empresas de tecnologia já consolidadas nos EUA tem sofrido queda nas suas ações, mostrando sinais de que muitas delas estão mais “atraentes”

Scott McNeily, o CEO da Sun Microsystems, foi responsável pelo que talvez seja a melhor definição da loucura da bolha da internet nos anos 2000.

Em meio a queda das ações da Sun de $64 para $10, Scott deu uma dura declaração resumida em um “O que vocês estavam pensando?”.

Na prática, Scott culpou os investidores por criarem um valor de mercado irreal da empresa, de cerca de 10x as receitas, o que significa, conforme o próprio declarou, que para devolver em 10 anos o valor investido, a empresa teria de ter 0 custos para produzir qualquer bem ou serviço e entregar 100% da sua receita em dividendos. Impossível.

Scott acabou vendendo sua empresa em 2010 para Oracle e se dedicando a filantropia, portanto é difícil saber o que ele pensaria dos dias de hoje, a “era do juro zero”, onde lucro não importa mais segundo defendem alguns VC’s (investidores de risco), e o crescimento sem fim é o grande guia de wall street.

Fato é que, mesmo que você compre a teoria de que a Amazon passou anos sem lucrar até começar a entregar resultados, o lucro ainda é uma métrica importante.

As empresas de tecnologia, como Google, Amazon, Apple, Facebook e Microsoft, parecem estar sendo “punidas” na medida em que seus resultados e crescimento sem fim parece ter encontrado uma barreira, além de um cenário de alta de juros.

Por lá, o Facebook está sendo negociado a 17 vezes o lucro. Trata-se de uma empresa que lucrou $31,5 bilhões de dólares em 2021, e cujo valor de mercado implica que seus acionistas acreditam menos na empresa do que os acionistas da Bemobi, a empresa brasileira com foco em aplicativos e negociada na B3 a 23 vezes.

Mesmo o Google, segue negociado a 28 vezes o lucro, contra 388 vezes o preço da Locaweb.

O peso da alta de juros por aqui, porém, parece mais significativo, com a Selic saindo de 2% para 10,25%, o que impacta diretamente investimentos em tech e eleva custos da empresa.

Outros exemplos, como a própria Amazon, cotada a 55 vezes, ou a Apple, saindo 29 vezes o lucro, reforçam o debate entre o preço que está sendo pago por aqui. Afinal, as empresas brasileiras podem crescer tudo o que prometem?

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