Empresa de Michael Saylor compra mais US$ 980 milhões em Bitcoin
Strategy compra 10.645 BTC por US$ 980 milhões, eleva estoque para 671 mil BTC e reforça sua tese de tesouraria, enquanto disputa permanência em índices e ajusta financiamento via emissões.
Com dois aportes bilionários em menos de uma semana, a Strategy eleva a posição para 671 mil BTC e reforça a tese de tesouraria cripto, mesmo sob pressão de provedores de índices.
Michael Saylor anunciou nesta segunda-feira (15) a compra de 10.645 bitcoins pela Strategy, por aproximadamente US$ 980,3 milhões. Com a nova aquisição, a companhia passa a deter 671.268 BTC, valorados em cerca de US$ 60 bilhões, segundo os preços recentes. O movimento vem na sequência de outro aporte, na semana passada, quando a empresa comprou 10.624 BTC por US$ 962,7 milhões, e após a montagem de uma reserva em dólares de US$ 1,44 bilhão para sustentar dividendos e juros de dívidas.
“A Strategy adquiriu 10.645 BTC por aproximadamente US$ 980,3 milhões, a cerca de US$ 92.098 por bitcoin, e alcançou um BTC Yield de 24,9% no acumulado do ano de 2025. Em 14/12/2025, detemos 671.268 BTC adquiridos por aproximadamente US$ 50,33 bilhões, por cerca de US$ 74.972 por bitcoin.”
O movimento e a leitura do mercado
A sequência de compras bilionárias em um curto intervalo sugere continuidade da tese corporativa da Strategy de usar o Bitcoin como ativo de tesouraria. Desde 2020, a empresa funciona como um proxy do BTC para parte do mercado que não consegue — ou não deseja — operar diretamente a criptomoeda. Esse papel catalisou uma forte apreciação dos papéis: no topo, as ações acumularam alta próxima de 3.700%, e, mesmo após a correção do último ano, ainda operam com ganhos de cerca de 1.100% em relação ao primeiro aporte em 2020.
Estratégia de tesouraria e financiamento
De acordo com documento enviado à SEC, a Strategy financiou a nova compra levantando US$ 888,2 milhões via emissão de ações ordinárias (MSTR) e outros US$ 82,8 milhões por meio de ações preferenciais (STRD e STRK). O preço médio de aquisição desta rodada ficou em US$ 92.098 por BTC, enquanto o custo médio total da posição consolidada permanece em US$ 74.972. Ao mesmo tempo, a criação da reserva de US$ 1,44 bilhão indica um cuidado de liquidez para honrar compromissos correntes, reduzindo o risco de descompasso entre política de dividendos e a volatilidade do ativo base.
Na prática, a dinâmica de emitir ações para comprar mais BTC reforça a correlação operacional entre o preço do Bitcoin e o valuation da companhia. Em ciclos de alta, a demanda por exposição indireta tende a ampliar o apetite por novas emissões; em ciclos de baixa, a disciplina de caixa e a comunicação ao mercado tornam-se centrais para mitigar preocupações com diluição e sustentabilidade do modelo.
Índices e governança
O desenho de negócios centrado em Bitcoin trouxe também desafios regulatórios e de governança. A empresa tem travado uma disputa com provedoras de índices a fim de permanecer elegível em carteiras amplamente replicadas por fundos passivos. Na semana passada, a companhia comunicou um pedido à MSCI para não ser removida de seus índices, enquanto, segundo apuração recente, manteve sua posição no Nasdaq 100, que realizou trocas de componentes. Diante do ruído, Saylor foi taxativo: “A acumulação de Bitcoin continuará até que as reclamações cessem”.
Para investidores, a presença em índices é mais do que status: influencia fluxos automáticos de capital, custo de captação e visibilidade institucional. Uma eventual exclusão reduz demanda estrutural pelas ações e, por consequência, encarece a estratégia de financiar compras futuras apenas via mercado, tema que deve permanecer no radar até a deliberação da MSCI prevista para janeiro.
Em paralelo, a decisão da Strategy reaviva um debate recorrente: como lidar com a volatilidade do Bitcoin em alocações recorrentes. No varejo, uma alternativa comum é a compra recorrente (DCA), que dilui o risco de timing e automatiza entradas em janelas regulares, reduzindo a influência de movimentos de curto prazo. Para quem deseja compreender melhor a implementação prática, custos, periodicidade e automatização desse método, o BlockTrends oferece o curso Configurando Compra Recorrente de Bitcoin, que explora como estruturar a estratégia em diferentes cenários de mercado.