Economia

Em 10 anos, Petrobras pagou R$1,4 trilhão ao governo e R$94 bilhões à minoritários

Recebendo um retorno 15x maior do que os ‘acionistas de Nova York’, o governo nutre uma confusa narrativa sobre o lucro da Petrobras.

Sob um contexto onde o preço da gasolina aumentou em 22,6% no 1T de 2022, nunca surgiram tantas narrativas sobre a polêmica repartição dos lucros recordes da Petrobras, principalmente com o governo.

Seja de direita ou esquerda, é quase unanimidade para os figurões da política brasileira que um dos percursores dos problemas relacionados ao setor petrolífero brasileiro são os acionistas externos da empresa.

A percepção se tornou ainda mais incorreta diante de um estudo realizado pelos analistas do Bradesco BBI, responsável por evidenciar que, nos últimos 10 anos, o retorno total do Estado brasileiro com a Petrobras foi 15x maior que o dos acionistas minoritários.

Por um lado, Brasília arrecadou R$1,4 trilhão com impostos e dividendos da estatal, e por outro, os acionistas minoritários receberam R$94 bilhões em dividendos, enquanto os detentores de títulos de dívida receberam R$177 bilhões em juros.

Desde a mudança em sua política interna de preços, ocorrida em 2017 sob o governo Temer, a tensão interna sobre a Petrobras se elevou a níveis alarmantes, com destaque a eventos como a greve dos caminhoneiros em 2018, que completa 4 anos neste mês.

De lá para cá, a Petrobras modificou completamente sua dinâmica de negócios, focando no processo de exploração e enxugando suas participações no processo de refino.

Favorecida pelo ciclo de commodities, a Petrobras se tornou uma das petroleiras mais lucrativas do mundo, mesmo sob a insensata e constante instabilidade vinda de Brasília.

Agora, em meio a um ano eleitoral, a estatal vê um grande desafio diante de uma possível reformulação de sua estrutura de negócios consoante ao resultado das urnas. 

Petrobras gerou R$246 bilhões em impostos em 1 ano

Responsável por ao menos 10% do PIB ao longo de sua cadeia de produção, a Petrobras é por larga vantagem a empresa mais influente do país. Seus negócios se estendem por todo setor de energia, e impactam direta e indiretamente outros setores, da construção civil aos serviços.

Com tamanha força, a estatal gerou ao menos R$450 bilhões em receitas ao longo de 2021, com um lucro recorde de R$110 bilhões.

Agora novamente no centro de uma questão polêmica, o cenário inflacionário do país, a estatal optou por mais uma vez elevar os preços de seus produtos finais, como gasolina e diesel.

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