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Duas semanas após admitir fracasso da medida, Argentina anuncia congelamento novamente, mas agora em outro setor

Após o fracasso do congelamento em alimentos, o governo de Alberto Fernández volta a impor outro congelamento, desta vez no setor de turismo

Em 20 de outubro de 2021, a Argentina anunciou o congelamento de preços em 1400 produtos no supermercado.

Na teoria, os preços deveriam ser mantidos até 7 de janeiro de 2022. Em 14 de dezembro, porém, o governo anunciou que estava encerrando a medida por conta dos resultados abaixo do esperado.

Se em outubro a inflação no país estava em 3,5%, em novembro ficou praticamente estável, em 3%, mesmo com o congelamento, perfazendo mais de 50% ao ano.

Em substituição a medida impositiva, o governo propôs retomar o programa “preços cuidados”, que busca criar um congelamento brando, onde os preços seriam regulados pelas próprias empresas e consumidores, e não mais por imposição do governo.

Com a segunda maior inflação do mundo, atrás apenas da Venezuela, a Argentina segue há pelo menos uma década tentando encontrar meios de diminuir o problema.

As consequências, como a alta da pobreza que já atinge 46% da população, tem sido o tema central dos governantes que assumiram desde então.

Com uma dívida externa em dólar elevada, a Argentina vive há pelo menos 7 décadas uma situação econômica de “decadência”, o que levou o economista Simon Kuznets a cunhar a expressão “existem 4 tipos de países no mundo, os desenvolvidos, os subdesenvolvidos, a Argentina e o Japão”.

No caso argentino, a sua dependência de fatores externos, como preços de commodities, tem sido o fator central na instabilidade do país.

O país que já chegou a ter o maior PIB per capita do mundo em 1896, por conta da sua expressiva produção agrícola, viu o preço dos seus produtos despencar no mercado internacional ao longo do século.

Tentativas de industrialização forçada, pautadas em políticas desenvolvimentistas de fechamento do mercado, falharam em mudar a situação do país.

No século 21, porém, os efeitos econômicos argentinos podem ser resumidos a duas questões: o descontrole nas contas públicas e a ausência de controle de sua dívida.

Ao contrário do Brasil que promoveu o chamado “tripé macroeconômico” após a crise de 1999, os argentinos não tiveram a mesma “sorte”, isso porque, a crise no país ocorreu em 2001, logo antes de as commodities voltarem a subir por conta da demanda chinesa.

O período de profundas reformas pelas quais o Brasil passou em 1999-2002, inexistiu por lá. Ao contrário, o governo Kirchner que se seguiu à crise de 2001, adotou medidas de expansão de gastos para compensar a crise social.

Desde 2010, quando a alta de preços como carne, soja e trigo, cessou, o país continuou com a conta elevada de subsídios em energia elétrica e outras áreas, mas agora sem as receitas extraordinárias.

De lá pra cá a relação entre o Peso e o dólar saiu de 6 pra 1 para 99 pra 1, com a alta do dólar levando a uma pressão inflacionária.

Também ao contrário do Brasil, os argentinos não possuem uma lei que proíba o Banco Central de imprimir moeda para financiar o governo. O resultado? O governo acaba se financiando pela inflação, um imposto extra que perpetua a crise.

Agora, o governo de Alberto Fernández aposta no congelamento de preços do setor de turismo para a temporada de 2022 como forma de atrair dólares de imigrantes estrangeiros e dar uma trégua ao setor no país.

Trata-se de uma medida curiosa, afinal, significa obrigar os argentinos a vender seu trabalho e sua produção por um valor menor do que o esperado, tudo para satisfazer os turistas em troca de dólares.

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