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Tecnologia

DoorDash compra Instacart por US$ 17 bi e mira domínio do delivery

A DoorDash fecha aquisição da Instacart por US$ 17 bilhões e cria uma potência no delivery americano. O movimento redesenha a disputa com Amazon e Walmart.

DoorDash compra Instacart por US$ 17 bi e mira domínio do delivery
Foto: Nataliya Vaitkevich / Unsplash

A DoorDash acaba de dar o passo mais ousado da sua história. A empresa anunciou a compra da Instacart por US$ 17 bilhões, unindo a maior plataforma de delivery de restaurantes dos Estados Unidos com a principal operação de entrega de supermercados do país. O negócio não é apenas grande pelo valor. Ele sinaliza uma mudança estrutural no mercado de delivery e coloca a empresa em rota de colisão direta com Amazon e Walmart.

O preço acordado foi de US$ 65 por ação da Instacart, o que representa um prêmio de 26% sobre a cotação do último pregão antes de os rumores da negociação virem a público. Cerca de 75% do valor será pago em dinheiro, com parte dos recursos financiados por um bridge loan do JP Morgan. O restante será liquidado em ações da DoorDash.

Por que a Instacart vale US$ 17 bilhões para a DoorDash

O delivery de supermercados é, segundo o CEO da DoorDash, Tony Xu, o segmento que mais cresce dentro do ecossistema de entregas. A lógica é simples: pedir comida de restaurante já virou commodity. Quase toda grande plataforma faz isso razoavelmente bem. Entregar compras de supermercado com qualidade, no entanto, é um problema muito mais complexo.

Xu resumiu a dificuldade em uma frase durante o anúncio: alguém precisa escolher um abacate maduro, encontrar um substituto aceitável para um item em falta e garantir que o sorvete chegue antes de derreter. A Instacart passou anos construindo a operação, os algoritmos e a base de entregadores especializados para resolver exatamente isso.

A DoorDash já vinha investindo no segmento com centros de distribuição próprios e as lojas DashMart, que funcionam tanto como ponto de venda físico quanto como hub logístico. Mas construir do zero uma operação de supermercado com a escala da Instacart levaria anos. A aquisição comprime esse tempo de forma drástica.

Com as duas operações combinadas, a nova empresa passará a deter 23% das vendas de supermercado online nos Estados Unidos, segundo estimativa da Bernstein. É uma fatia relevante, mas ainda distante da dominância que Amazon e Walmart exercem no varejo alimentar digital, o que mostra o tamanho do mercado em disputa.

Consolidação acelerada: a estratégia por trás das aquisições em série

A compra da Instacart não é um movimento isolado. Nos últimos meses, a DoorDash executou uma sequência impressionante de aquisições que redesenham seu perfil como empresa. No ano passado, a companhia adquiriu a britânica Deliveroo por cerca de US$ 3,9 bilhões, expandindo sua presença internacional. Também comprou a SevenRooms, focada em tecnologia para hospitalidade, e a Symbiosys, de publicidade digital.

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Mais recentemente, a DoorDash fechou a compra do Grubhub, plataforma popular em refeitórios universitários nos EUA. A estratégia das big techs de consolidar mercados por aquisição é um padrão que se repete ciclicamente no setor de tecnologia, e a DoorDash está claramente executando esse playbook com agressividade.

O que chama atenção é a diversidade dos alvos. Não se trata apenas de comprar concorrentes diretos. A empresa está montando uma infraestrutura completa que vai do delivery à gestão de restaurantes, passando por publicidade e varejo alimentar. É uma aposta de que o futuro do delivery está na integração vertical, não em ser apenas um aplicativo de pedidos.

O que muda para o consumidor e para o mercado

No curto prazo, os impactos mais visíveis estão na integração dos programas de assinatura. Quem hoje paga separadamente pelo DashPass e pelo Instacart+ passará a ter uma única mensalidade. É um movimento inteligente para reduzir o churn e aumentar o valor percebido pelo consumidor, algo que empresas de assinatura no setor financeiro também têm explorado.

Para os entregadores, que são trabalhadores autônomos, a fusão abre a possibilidade de escolher entre pedidos da DoorDash e da Instacart dentro de uma mesma plataforma. Em tese, isso aumenta a disponibilidade de corridas e pode melhorar a remuneração pela maior flexibilidade.

A DoorDash espera concluir a transação entre o final de 2027 e o primeiro semestre de 2028. A empresa informou que pretende manter a marca Instacart, seu aplicativo e os produtos de tecnologia desenvolvidos para empresas. É uma decisão que preserva o valor da marca adquirida, especialmente considerando que a base de clientes da Instacart tem perfil de renda relativamente alta e usa o serviço com regularidade.

O mapa de forças do delivery global está mudando

A reação do mercado ao anúncio foi mista, mas reveladora. As ações da DoorDash subiram 6% no pregão seguinte ao anúncio, enquanto os papéis da Instacart recuaram 1,4%. A leitura dos investidores parece ser de que a DoorDash está pagando um preço justo por um ativo estratégico, enquanto o mercado já havia precificado parte do prêmio na Instacart.

Vale lembrar que o fundador da Instacart, Apoorva Mehta, revelou que as duas empresas já haviam conversado sobre uma fusão anteriormente. A Instacart também teria negociado com a Uber, o que mostra que a consolidação do setor era uma questão de tempo, não de possibilidade.

Para o ecossistema de tecnologia como um todo, o negócio reforça uma tendência clara: as grandes plataformas digitais estão se tornando conglomerados que integram múltiplos serviços sob uma mesma estrutura. É o modelo que a Amazon executa há décadas e que agora a DoorDash tenta replicar no universo do delivery.

A pergunta que fica é se a escala combinada será suficiente para competir de verdade com Amazon e Walmart no varejo alimentar digital, ou se a DoorDash está apenas comprando tempo antes que os gigantes do varejo dominem completamente o canal online. Os próximos trimestres vão mostrar se a tese de integração se traduz em resultados financeiros ou se o prêmio de US$ 17 bilhões foi caro demais.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Lucas Ferreira
Fica na fronteira onde a inteligência artificial encontra o dinheiro. Cobre big techs, os modelos que saem dos laboratórios e a disputa por chips por trás de tudo. Mostra por que cada movimento do setor mexe com o mercado.
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