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Como um ex-taxista construiu uma fortuna de 200 bilhões de dólares

Tendo enfrentado tempos difíceis após o colapso da União Soviética, Vladimir Putin teve de assumir empregos temporários para complementar a renda, em uma história que terminaria como mais um caso de empreendedorismo.

Foi em 2017, em meio a realização dos jogos olímpicos de Sochi, que Vladimir Putin comentou, em meio a um programa de “perguntas e respostas” com crianças e adolescentes, qual o momento mais marcante de sua vida. A resposta, claro, foi uma alusão à queda da União Soviética em 1991, e os motivos não são lá muito difíceis de entender.

Vladimir Vladimirovich Putin nasceu em outubro de 1952, cerca de 5 meses antes da morte de Joseph Stalin, o ditador que comandou a União Soviética, e foi um dos responsáveis diretos por tornar o país em um império que se estendia por 22,4 milhões de Km2, ou 1 em cada 7 km2 existentes de área terrestre no globo.

A Rússia dos anos 50 ascendia como a potência capaz de rivalizar com os Estados Unidos. No campo espacial tecnológico, rivalizava na corrida espacial. Na terra, porém, continuava vivendo em meio a sombra da escassez de produtos básicos.

Ainda assim, o futuro era promissor, como alegavam economistas ocidentais como Paul Samuelson, um dos mais proeminentes macroeconomistas da segunda metade do século 20, e quem nos anos 60 previu que não demoraria mais do que duas a três décadas para a União Soviética ultrapassar a economia americana.

A previsão de Samuelson seria refeita ano após anos, sempre adicionando um prazo um pouco maior, até o colapso da URSS.

Foi neste cenário que Putin se graduou em direito, e em 1973 entrou para a KGB, a sigla para “Comitê de Segurança do Estado”, e popularmente conhecido como o serviço de inteligência russo.

Seus primeiros anos não foram nada excepcionais, migrando de um cargo para o outro cumprindo aquilo que a agência oferecia: burocracia sem fim.

Em 1985, migrou para Dresden, onde seria fotografado na icônica foto entre um então espião russo e o presidente americano Ronald Reagan.

Foi, como lembra o próprio Putin, o fim da União Soviética o grande marco da sua vida.

Em agosto de 1991, em meio a uma tentativa de golpe de estado para derrubar Gorbachev e endurecer o regime, que em apoio ao seu principal aliado na época, Anatoli Sobchak, Putin renuncia ao cargo de tenente-coronel da KGB.

Sobchak era contra a posição da KGB que buscava manter o regime comunista, da mesma forma, Vladimir Putin também se opôs, ficando ao lado de Gorbachev.

Em uma ocasião posterior, Putin comentaria que “assim que vi o golpe em andamento, logo decidi de que lado estava”. Já em 1999 mencionaria que “o comunismo foi inoperante em garantir um desenvolvimento sólido, condenando nosso país ao atraso e longe do mainstream da civilização”.

Fiel aliado de Sobchak, Putin serviu como seu assessor especial enquanto este foi prefeito de São Petersburgo entre 1991 e 1996.

Após a derrota de Sobchak na tentativa de se reeleger, Vladimir Putin fez as malas direto para Moscou.

Desempregado, a história sempre retratou o período da ida para Moscou como um caminho direto para um cargo de assessoria na presidência da república.

Essa é usualmente a história que os russos gostam de contar a respeito, uma trajetória virtuosa de um ex-agente da KGB que ocuparia cargos relevantes até em 1999 se tornar presidente interino e então presidente.

Em uma entrevista recente, porém, Putin mencionou que “apesar de ser difícil falar sobre, após o colapso tive de encarar algumas tarefas extras para fazer dinheiro, como dirigir um táxi”.

O período não foi exatamente especificado por Putin, mas o colapso soviético em 1991 o tornaria um dentre tantos agentes do Estado russo cujos salários simplesmente “não existiam”.

Foi neste cenário, que perdurou por anos, que Putin encontrou também alguns dos maiores aliados: os novos oligarcas russos.

Uma expressão do grego que se refere à “próximos do poder”, os oligarcas russos se tornaram uma espécie não usual de capitalistas.

Não apenas compartilhavam o poder via subornos e corrupção, mas eram parte do próprio poder.

Com dezenas de milhares de empresas estatais, a Rússia se abria ao mundo agora sob o comando de Boris Yeltsin, um nome aclamado pelos próprios russos em meio ao fim do regime.

Yeltsin governou o país por 2 mandatos, até 1999.

Durante este período, os novos milionários que haviam surgido na Perestroika se tornariam então bilionários, criando bancos, empresas de comunicação, mídia e diversos outros setores.

Mikhail Khodorkovsky, um destes bilionários, e que em 2003 seria perseguido por Putin, comenta que no período ao menos 50% da economia russa estava sob controle de 7 grandes grupos.

Com as maiores reservas minerais do planeta, a Rússia possuía na segunda metade dos anos 90, um Estado falido, uma corrupção crescente e crise social em alta.

Não havia dinheiro para pagar pensões ou salários.

Tal situação levaria a criação do chamado “empréstimos por ações”, quando os oligarcas russos entregaram todo seu dinheiro acumulado até então, pelas maiores estatais russas, em áreas como petróleo, mineração e siderurgia.

Foi uma “farra”, com empresas que poderiam facilmente ser vendidas por $5 bilhões saindo pela bagatela de $300 milhões.

Este arranjo final entre Yeltsin e os oligarcas garantiria sobrevida ao seu governo, e principalmente, poder para indicar um sucessor.

Neste período, Vladimir Putin já havia entrado para a administração federal, primeiro como assessor e em 1998 assumindo o comando da FSB, a agência que substituiu a KGB.

Foi neste cargo que estreitou laços com alguns oligarcas, como Roman Abramovich e Boris Berezovsky.

Ambos fariam ainda uma ponte com a filha e o cunhado de Yeltsin, se unindo em torno do nome de Putin para assumir a presidência interina, em um período onde Boris Yeltsin estava visivelmente doente e sem qualquer apoio popular.

Inicialmente, Putin assumiria o cargo de primeiro-ministro, onde liderou uma resposta aos separatistas da região da Chechênia.

Putin então assumiu a disputa presidencial com apoio de parte dos oligarcas para derrotar o então candidato comunista e manter o rumo da abertura econômica e social defendida por Yeltsin.

Nos anos seguintes, já eleito presidente, Putin buscou reverter a situação de dependência dos oligarcas.

Em 2003, o Estado russo começou a julgar Mikhail Khodorkovsky, então dono da Yukos, por fraude, roubo, sonegação fiscal e outros 6 crimes.

Khodorkovsky seria condenado e enviado para prisão na Sibéria. O suficiente para que a força de Putin fosse estabelecida.

Como relata Bill Browder, fundador da Hermitage Capital Management, um dos maiores fundos de investimento na Rússia pós-colapso soviético, fundado por ele com apoio do brasileiro Edmond Safra, o período marcou uma nova relação de poder entre os oligarcas e o Estado.

Após a prisão de Mikhail, os oligarcas passaram a ver Putin como alguém que precisava ser “agradado”. Iates, mansões, aviões e carros de luxo compõem parte substancial da fortuna de Putin.

Segundo Browder, o total da fortuna atingiria cerca de $200 bilhões, fazendo de Putin o segundo homem mais rico do mundo.

Como descreve Browder, a tática tomada após a prisão de Mikhail, o então homem mais rico da Rússia, consistia em uma pergunta simples e generosa: “você me garante 50% das suas propriedades e pode continuar com os demais 50%, ou eu posso tomar 100%”.

E foi nesses termos, que em 17 anos de poder, Putin acumulou tal fortuna.

As alegações, claro, incluem o fato de Putin “ser” o Estado russo, uma questão da qual há poucas dúvidas, ao menos até o momento.

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