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Como a Petrobras foi de quase falida para petroleira mais lucrativa do mundo


Por Hugo Montan
outubro 26, 2021

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Abalada por uma recessão econômica generalizada e sucessivos escândalos de corrupção, a Petrobras esteve com a corda no pescoço em 2016. Cinco anos depois, a então empresa mais endividada do mundo se tornou a petroleira mais lucrativa do mundo. 

Em 2016, o preço das ações da Petrobras estava sendo negociado em torno de US$3 para investidores internacionais e o cenário era dramático. Economistas e especialistas do mercado especulavam se a então presidente Dilma Rousseff iria revogar a listagem da empresa na bolsa ou realizar um pedido de concordata, temendo o pior para a empresa que já havia sido a 4° maior companhia do mundo. 

A grave crise que a estatal brasileira passava era resultado de dois fatores combinados: a grotesca queda do preço do petróleo internacional e os escândalos revelados pela operação Lava-Jato. 

Durante o intervalo de 2011 a 2015 o preço do barril de Petróleo tipo Brent sofreu uma queda de mais de 72%, minando as receitas da empresa que mergulhou em sucessivos prejuízos em seus balanços diante da desvalorização de seu produto base, somando uma dívida total de quase US $200 bilhões.  

Para melhorar mais ainda o cenário que já era crítico, os anos de 2014 e 2015, e uma parte de 2016, marcaram sucessivas perdas de valor da Petrobras devido às revelações da Operação Lava Jato. 

A Petrobras se envolveu no escândalo de diversas formas, como cobrança de propina de empreiteiras, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e superfaturamento de obras públicas. Todo esse esquema ficou conhecido publicamente como “Petrolão”, e minou investimentos externos e internos na companhia.

Foram detidos diversos membros executivos da empresa, como Nestor Cerveró (ex-diretor da área Internacional e ex-diretor financeiro da BR Distribuidora), Paulo Roberto Costa (ex-diretor de Abastecimento), Renato Duque (ex-diretor de Serviços), Pedro Barusco (ex-gerente-executivo de Engenharia), Jorge Zelada (sucessor de Cerveró na área Internacional), entre outros.

Tudo isso levou a empresa a afundar em 3 anos seguidos de graves prejuízos, que quase quebraram a companhia. Durante 2014, 2015 e 2016, a Petrobras teve um prejuízo total de R$51,6 bilhões de reais reportados em seus balanços, incluindo outras perdas bilionárias com corrupção.

Com a corda no pescoço, a petroleira teve de rearranjar suas finanças e sua estrutura de negócio para transformar a realidade financeira e sair do vermelho (literalmente). 

Esse processo por si foi fundamentado em 2 passos significativos (e uma ajuda significativa do mercado), que continuam impactando a sua realidade até os dias atuais. 

Primeiramente, com a saída de Dilma Rousseff do poder executivo do país, o novo governo de Michel Temer fez com que a Petrobras adotasse uma nova política de preços que mudaria totalmente a dinâmica das contas da empresa. 

Conhecida como PPI (Paridade de Preços Internacionais), o novo regime de preços tem como base a cotação internacional do petróleo, determinada pela pura oferta e demanda do mercado internacional. 

Anteriormente, durante o governo de Dilma Rousseff, o governo exercia uma prática diantes dos preços que visava a contenção de preços ao consumidor interno, o que mantinha o preço estável, mas acarretava em perdas dispersas, longe da bomba de combustível, que mais tarde seriam cobradas via inflação e prejuízos. 

Segundamente, a partir de 2017 a Petrobras também passou a incorrer sob uma política de enxugamento de sua estrutura, diminuindo notavelmente o capital necessário para manter a empresa e eliminando fontes cruzadas de prejuízos.

Em suma, a empresa está se desfazendo de ativos, gerando receita e cortando custos, sejam os ativos estruturas totalmente correlacionadas como refinarias, ou empresas subsidiárias que indiretamente geram algum tipo de custo julgado como “maléfico” para a companhia.  

Entre janeiro de 2015 e julho de 2021, a Petrobras vendeu R$ 231,5 bilhões em ativos, diminuindo a dívida total para R$ 54,3 bilhões.

Além dessas mudanças, a Petrobras também tem sido favorecida pela ascensão do preço do petróleo no mercado internacional, que auxiliada do ciclo de commodities tem colocado o preço do barril de petróleo Brent perto da casa dos US $100 novamente. 

Com isso, a empresa vem reportando sucessivos lucros, no 4° trimestre de 2020 a petroleira bateu o seu recorde histórico atingindo um lucro de R$59,9 bilhões. Já neste ano, o balanço do segundo trimestre atingiu um valor positivo de R$42,8 bilhões

Dessa forma, impulsionada pela alta dos preços e suas novas políticas, a Petrobras superou suas concorrentes diretas quando o assunto é faturamento, ultrapassando gigantes do mundo como a ExxonMobil, BP, Shell, Chevron, Total e Eni, se tornando a Petroleira mais lucrativa do mundo no ano de 2021. 


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