Economia

Como a Europa quer reduzir em 80% o consumo de gás russo em 1 ano

A Agência Internacional de Energia preparou um plano que pode cortar em até 80% o consumo de gás de russo em 1 ano.

A ligação entre Rússia e União Europeia por meio de gasodutos tem fornecido ao continente ao menos 155 bilhões de m2 por ano, o equivalente a 45% das importações e 40% do consumo europeu.

Trata-se de uma quantia considerável que garante à Rússia ao menos $55 bilhões anuais em receita.

Agora, em meio ao conflito e potenciais sanções, a Europa, enfim, inicia um plano para reduzir sua dependência da Rússia.

A IEA, ou Agência Internacional de Energia, uma organização de 31 países, com foco em segurança energética, busca desenvolver um plano com potencial de reduzir em ao menos ⅓ o consumo de gás já no primeiro ano.

As medidas emergenciais ocorrem ao menos 1 ano após aumentos da ordem 300% no preço do gás natural pago por europeus, e poderia reduzir a dependência da Rússia em até 80%.

O plano consiste em 10 medidas, respeitando um acordo firmado por países europeus que prevê reduzir as emissões de gases ligados ao aquecimento global em 55% entre 1990 e 2030.

O plano completo pode ser lido aqui

Este é um resumo:

1) Não renovar contratos de importação:

Em 2022, um contrato anual de 15 bilhões de m3 entre a União Europeia e a Gazprom, estatal russa, deve expirar. A agência recomenda que não seja renovado e que outras fornecedores sejam contactados.

2) Substituir o gás russo por outras fontes

A IEA recomenda que a produção interna na Europa seja aumentada, além de buscar contratos com países como Azerbaijão e Noruega, por meio de LNG, ou Gás natural líquido.

Ambos os países já possuem ligações por meio de gasodutos com a União Europeia. Tais gasodutos poderiam ser expandidos.

3) Aumentar os estoques mínimos

Segundo a IEA, os países deveriam buscar manter os estoques em no mínimo 90% da capacidade para garantir a oferta em meio ao inverno.

4) Aumentar a oferta de energias renováveis

Em 2022 a Europa deve ter um aumento de 15% na sua oferta de fontes como energia eólica e solar.

A recomendação da agência é que os governos cortem tempo para licenças e instalações e aumentem os turnos de trabalho para garantir uma entrega mais rápida.

5) Manter os reatores nucleares ligados

O último reator nuclear da Alemanha deveria ser desligado ao final de 2022, uma decisão que a agência considera crucial rever.

Plantas de biomassa e reatores nucleares devem ser mantidos em máxima utilização segundo a agência.

Para 2022 também está previsto o início de uma usina nuclear na Finlândia, o país que tem apostado na energia nuclear para se tornar a primeira nação “carbono neutro” do mundo em 2035.

6) Subsidiar pequenos consumidores

A expectativa de que os preços aumentem, mesmo com a adoção de todas as medidas, faz a agência recomendar que consumidores de baixa renda sejam subsidiados ao longo deste ano.

7) Acelerar a substituição de aquecedores a gás.

A IEA acredita que 2 bilhões de m3 de gás podem deixar de ser consumidos ainda neste ano com uma aceleração do programa da União Europeia que prevê substituição de aquecedores a gás por aquecedores elétricos, o que custaria $16 bilhões.

8) Reduzir a temperatura média dos prédios em 1 grau Celsius

A medida mais polêmica é aquela que pede gentilmente ao público para reduzir a temperatura de seus aquecedores.

1 grau a menos seria o equivalente a economizar 10 bilhões de m3 por não

9) Acelerar programas de eficiência energética

Apenas 1% dos prédios europeus possuem padrões de eficiência energética. Acelerar programas que incentivem os retrofits também tem sido recomendado pela agência.

10) Aumentar a segurança do grid energético

Baterias, fontes mais diversificadas e outras recomendações básicas também entram na lista da agência para impedir que a segurança energética siga em risco no continente europeu.

Os planos da agência também estão em linha com aqueles emitidos pela própria União Europeia que prevê reduzir em até 80% o consumo de gás russo em 1 ano.

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