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Finanças

Chips em queda e balanços de bancos: o que esperar de Wall Street

Semicondutores acumulam seis dias de perdas enquanto JPMorgan e Goldman Sachs abrem temporada de resultados. O que isso sinaliza para investidores.

Chips em queda e balanços de bancos: o que esperar de Wall Street
Foto: Jeremy de Blok / Unsplash

Wall Street amanheceu nesta terça-feira (13) com duas forças opostas disputando a direção dos mercados. De um lado, o setor de semicondutores caminha para o sexto pregão consecutivo de perdas, arrastado por uma reavaliação profunda da tese de inteligência artificial. Do outro, os maiores bancos americanos se preparam para abrir a temporada de balanços do terceiro trimestre com expectativas elevadas dos analistas.

Os futuros do Nasdaq 100 recuavam 0,58% nas primeiras horas da manhã, pressionados pela liquidação em papéis de fabricantes de memória. Os contratos do S&P 500 operavam próximos da estabilidade, enquanto os futuros do Dow Jones subiam 0,52%. O cenário misto reflete um mercado que ainda tenta encontrar convicção em meio a sinais contraditórios.

Por que as ações de chips estão derretendo

A queda acentuada nas ações da Samsung Electronics e da SK Hynix levou o principal índice de ações da Ásia ao menor patamar desde agosto. O gatilho imediato foi uma reportagem apontando que a chinesa CXMT avançou no desenvolvimento de tecnologia de memória que compete diretamente com as duas gigantes sul-coreanas.

A notícia coloca em xeque uma premissa que sustentou a valorização do setor nos últimos anos: a de que as fabricantes asiáticas estabelecidas manteriam uma vantagem tecnológica confortável sobre rivais chinesas. Se a CXMT de fato reduziu essa distância, a consequência natural é compressão de margens e perda de poder de precificação para Samsung e SK Hynix.

Mas o problema é mais amplo do que uma empresa chinesa. Como temos acompanhado na cobertura de mercados financeiros, a própria tese de investimento em inteligência artificial está sendo questionada. Investidores começam a reavaliar se o ritmo bilionário de aportes na tecnologia pode ser sustentado diante de preocupações crescentes com segurança e sinais de restrição no financiamento.

A declaração do presidente-executivo da Broadcom, feita na véspera, reforçou esse ceticismo ao afirmar que muitos investidores em IA têm pouca compreensão do que realmente estão apostando. Um ETF que acompanha o setor de semicondutores já acumula seis pregões consecutivos no vermelho.

Balanços de bancos: o contraponto positivo

Se o setor de tecnologia puxa os índices para baixo, o setor financeiro pode oferecer algum alívio. JPMorgan Chase, Goldman Sachs, Citigroup e Wells Fargo divulgam seus resultados antes da abertura do mercado nesta terça-feira. A UnitedHealth, componente do Dow Jones, também apresenta seus números.

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As expectativas dos analistas estão altas. O contexto macroeconômico americano, com juros ainda elevados e atividade econômica resiliente, tende a beneficiar as receitas de intermediação financeira dos grandes bancos. Spreads maiores entre taxas de captação e empréstimo significam margens mais gordas, algo que deve aparecer nos números do terceiro trimestre.

Para o JPMorgan, maior banco americano por ativos, o mercado projeta crescimento nas receitas de trading e investment banking. O Goldman Sachs, mais dependente de operações de mercado de capitais, pode se beneficiar da retomada de IPOs e emissões de dívida que marcaram os últimos meses. Como analisamos em matérias recentes sobre o setor de tecnologia, a própria demanda por financiamento de projetos de IA aqueceu a atividade dos bancos de investimento.

A pergunta que importa: se os balanços vierem fortes, isso será suficiente para compensar a pressão vendedora sobre chips e segurar os índices? A história recente sugere que sim, ao menos parcialmente. Em temporadas anteriores de resultados, surpresas positivas do setor financeiro funcionaram como âncora para o S&P 500.

Europa e Ásia: sinais divergentes

Enquanto os futuros americanos patinavam, a Europa abriu em alta. O índice pan-europeu Stoxx 600 avançava 0,4%, apoiado por dois fatores: a queda nos preços do petróleo e o recuo nos rendimentos dos títulos públicos. Bancos, químicas e utilities lideravam os ganhos. O FTSE 100, de Londres, apresentava o melhor desempenho entre as principais bolsas da região.

O petróleo Brent para entrega em dezembro caía cerca de 1% após ter subido quase 2 dólares por barril na sessão anterior. Investidores ponderavam os riscos para a oferta causados por ataques à Arábia Saudita contra a perspectiva de aumento nas exportações de diesel pela Rússia. Para a Europa, importadora líquida de energia, petróleo mais barato é diretamente deflacionário e alivia a pressão sobre bancos centrais.

Na Ásia, o cenário foi misto. O Nikkei 225 do Japão ficou praticamente estável. O CSI 300 da China continental avançou tímidos 0,16%, enquanto o Hang Seng de Hong Kong registrava ganho de 1,4% na última hora de negociação. Na Austrália, o S&P/ASX 200 subiu 0,64%. A ausência de direção única na Ásia reforça o tom de incerteza global, como temos destacado também no impacto sobre ativos digitais.

O que isso significa para quem investe

O momento exige atenção em duas frentes. Primeiro: a narrativa de que inteligência artificial justifica qualquer valuation no setor de chips está perdendo força. Isso não significa que a tese de IA morreu. Significa que o mercado está exigindo mais seletividade. Empresas com receitas concretas de IA tendem a ser separadas daquelas que surfam apenas o hype.

Segundo: a temporada de balanços dos bancos pode recalibrar as expectativas para o mercado americano como um todo. Se os resultados confirmarem que a economia real segue sólida, isso reforça a tese de pouso suave e pode dar sustentação aos índices mesmo com a fraqueza em tecnologia.

O investidor que acompanha esses movimentos precisa entender que a rotação setorial em curso não é ruído. É o mercado reprecificando onde está o valor real em um ambiente de juros altos e crescimento seletivo. Os próximos dias, com a sequência de balanços corporativos, devem dar mais clareza sobre qual direção prevalece.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Marina Alves
Traduz o que Copom, câmbio e licenças de exchange fazem com a sua carteira. Cobre o mercado de capitais brasileiro, a macro do dia a dia e a regulação do cripto. Sem promessa de ganho fácil.
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