Bitget sofre possível hack de US$ 183 milhões: o que se sabe
Dados on-chain apontam saída de US$ 183 milhões em cripto de carteiras da Bitget para endereço não identificado. Exchange ainda não se pronunciou.
A Bitget, uma das maiores exchanges de criptomoedas do mundo, registrou uma movimentação atípica de aproximadamente US$ 183 milhões na quinta-feira (24). Dados on-chain rastreados pela plataforma de inteligência blockchain Arkham identificaram 14 transações realizadas em um intervalo de cerca de duas horas, todas direcionadas a um único endereço sem identificação pública vinculada à corretora.
O volume envolvido, a velocidade das transações e o comportamento posterior da carteira receptora levantaram suspeitas imediatas de que se trata de um ataque hacker. Até o momento, a Bitget não emitiu qualquer comunicado oficial sobre o episódio.
O que os dados on-chain revelam sobre o incidente
As 14 transações registradas partiram de carteiras identificadas pela Arkham como pertencentes à Bitget e foram direcionadas ao endereço 0x770b[…]8463Ee. Os ativos movimentados incluem Ethereum (ETH), USDT, USDT0, USDC, XAUT (ouro tokenizado), BNB e Avalanche (AVAX), totalizando mais de US$ 183 milhões.
O detalhe mais relevante é que as saídas não vieram apenas de carteiras quentes, usadas para processar transações do dia a dia. Parte dos fundos saiu de uma carteira fria, que por definição deveria ter camadas adicionais de segurança e acesso restrito. Esse padrão é incomum em operações internas de rotina.
No momento da apuração, a carteira receptora ainda mantinha cerca de US$ 20,3 milhões em ativos, sendo US$ 11,8 milhões em ETH e US$ 8,5 milhões em AVAX. O restante já havia sido redistribuído para outros endereços, o que dificulta o rastreamento imediato.
Por que a conversão de stablecoins é um sinal de alerta
Um dos indicadores mais fortes de que a movimentação pode ser maliciosa é o comportamento observado com stablecoins. Tanto USDT quanto USDC possuem mecanismos de congelamento acionados pelas suas emissoras, Tether e Circle, respectivamente. Em hacks anteriores no setor, como discutimos em análises sobre segurança no mercado cripto, essas empresas já congelaram fundos roubados em questão de horas.
No caso da Bitget, os dados mostram que as stablecoins foram rapidamente convertidas em Ethereum, um ativo que não pode ser congelado por nenhuma entidade centralizada. Esse é um procedimento padrão de hackers que tentam dificultar a recuperação dos fundos antes que emissoras e exchanges consigam coordenar uma resposta.
Na sequência das movimentações suspeitas, o histórico on-chain da Bitget passou a registrar transferências massivas de ativos de suas carteiras quentes para carteiras frias. Esse tipo de comportamento reativo sugere que a equipe da exchange identificou o problema e está tentando proteger o restante dos fundos enquanto investiga a origem da vulnerabilidade.
Qual o impacto real para a Bitget e seus usuários
Segundo dados da Arkham, a Bitget mantém mais de US$ 6 bilhões em criptomoedas em suas carteiras. Se o ataque for confirmado, os US$ 183 milhões representam cerca de 3% dos ativos totais da exchange. É um valor significativo em termos absolutos, mas não coloca a solvência da corretora em risco imediato.
Para efeito de comparação, o hack da Bybit em fevereiro deste ano resultou em perdas de aproximadamente US$ 1,5 bilhão, o maior da história do setor. Já o ataque à Ronin Network em 2022 causou prejuízo de US$ 625 milhões. Caso confirmado, o incidente da Bitget ficaria abaixo desses marcos, mas ainda assim seria um dos maiores hacks do ano.
O silêncio da exchange é preocupante. Em incidentes anteriores no setor, como analisamos na cobertura sobre riscos de custódia em exchanges centralizadas, a comunicação rápida e transparente com usuários foi determinante para conter o pânico e preservar a confiança do mercado. Cada hora sem pronunciamento oficial amplia a incerteza.
O que esse episódio diz sobre a segurança das exchanges em 2025
O possível hack da Bitget se soma a uma sequência de incidentes que marcam 2025 como um ano particularmente difícil para a segurança de exchanges centralizadas. Dados da Chainalysis apontam que o primeiro semestre do ano já acumula mais de US$ 2 bilhões em perdas por ataques a plataformas de custódia e protocolos DeFi.
O caso reforça uma discussão que o mercado cripto enfrenta desde sua origem: a tensão entre conveniência e segurança. Carteiras quentes são necessárias para processar saques e depósitos em tempo real, mas representam um vetor de ataque permanente. Carteiras frias oferecem mais proteção, mas o fato de fundos terem saído de uma carteira fria da Bitget levanta questões sobre controles de acesso internos.
Para investidores que mantêm criptomoedas em exchanges, o episódio serve como lembrete sobre a importância da autocustódia para parcelas relevantes do patrimônio. A máxima “not your keys, not your coins” continua válida, independentemente do tamanho ou reputação da plataforma.
Próximos passos e o que observar
Existem três desdobramentos possíveis nas próximas horas. O primeiro é que a Bitget confirme o ataque e detalhe as medidas de contenção, incluindo eventual compensação a usuários afetados. O segundo é que a exchange esclareça que se trata de uma movimentação interna, o que dissiparia as suspeitas. O terceiro, e mais preocupante, é que o silêncio se prolongue enquanto mais fundos são drenados.
Investidores devem monitorar os canais oficiais da Bitget e acompanhar os dados on-chain disponíveis publicamente em plataformas como Arkham e Etherscan. Caso o hack seja confirmado, a velocidade com que Tether e Circle responderem a pedidos de congelamento de fundos será determinante para a possível recuperação de parte dos ativos.
A situação permanece em desenvolvimento e novas informações podem alterar substancialmente o entendimento do caso.
Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.
