Investimentos

Banco Central lucrou $1,13 trilhão nos últimos 10 anos

Alvo de constantes críticas nos últimos anos devido a desvalorização do real, o Banco Central lucrou R$1,13 trilhão nos últimos 10 anos.

Há cerca de 1 ano, em fevereiro de 2021, o presidente Jair Bolsonaro sancionava a Lei da Independência do Banco Central, que havia sido aprovada na Câmara e tramitava há décadas no Congresso.

Na época, o dólar ascendente estava na casa dos R$5,70, pressionando o BC e seus executivos para impedirem a desvalorização do real.

Também naquele período, o Banco Central havia reportado o maior lucro de sua história, R$469,6 bilhões, que foram realizados em meio a desvalorização brutal do real em meio ao crash do COVID-19.

Em fato, a lucratividade do BC é uma característica que se arrasta pela última década, com os números se acumulando e crescendo gradativamente ao longo dos anos.

Somando os últimos 10 anos, o banco realizou mais de R$1,13 trilhão em lucro, com destaque para 2018 e 2020, quando o órgão lucrou respectivamente R$172,1 e R$469,6 bilhões. 

Ao contrário dos bancos comerciais, o que você vê na propaganda no dia a dia, o Bacen é uma espécie distinta de banco. Sua principal função é manter o sistema financeiro, e a própria moeda.

Como fica evidente em 2020, o Bacen lucra com o aumento na criação de moeda, ou com as variações do câmbio.

Imagine, por exemplo, que o Bacen tenha comprado $100 bilhões de dólares pagando R$250 bilhões de reais por eles. Caso o dólar saia de R$2,5 para R$3, o Bacen registra um lucro de R$50 bilhões. Este evento foi possível em meio a mega desvalorização do real na pandemia.

Outras operações, como os contratos de swap cambial, onde o Bacen compra e vende dólares para regular o mercado, também apresentam resultados positivos ou negativos. 

Em 2015, o Banco Central apresentou um prejuízo de R$90 bilhões com os chamados Swaps. Na queda de braço com o mercado, o Bacen “perdeu”. Investidores privados lucraram com as idas e vindas do mercado de câmbio. 

Todo este lucro operacional do Bacen tinha por tradição ser redirecionado ao abatimento da dívida. Na prática, o Tesouro, único acionista do Bacen, lucrava com a desvalorização da moeda, reduzindo assim sua dívida.

Desde 2019, porém, um projeto de lei aprovado no congresso nacional, limitou os repasses. Neste momento, o Bacen é obrigado a manter boa parte destes lucros em reserva, fazendo com que, ao ter prejuízo (como com a valorização do real), o banco não precise de repasses do Tesouro.

Ironicamente, o guardião da moeda é o maior ganhador da desvalorização da moeda. 

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