Artigo

Apple emite $14 bilhões em dívida pagando 3 vezes menos que o governo brasileiro


Por Felippe Hermes
Fevereiro 4, 2021

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Com $191 bilhões em caixa, a Apple se tornou uma máquina de fazer dinheiro, dominando as tendências do mercado em que atua, e sempre assombrando outros setores, que temem perder espaço caso a empresa decida entrar para valer em outra área.

A empresa, que fatura $14 mil dólares por segundo, e é hoje avaliada em $2,32 trilhão de dólares, enfrenta um problema porém.

Seu lucro e faturamento tem crescido ano a ano, mas não há no horizonte nada de muito revolucionário que a empresa possa fazer, o que impõe riscos de que seu retorno futuro seja menor do que o passado.

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Diversos analistas já publicaram suas ideias. A mais comum delas seria a gigante de Cupertino adquirir a Netflix. É uma ideia antiga, que ronda o mercado desde 2016, mas que jamais teve qualquer força além de um boato.

De fato, ao invés de comprar a concorrente, a Apple tem investido em conteúdo próprio. A expectativa é de que a empresa invista ao menos $6 bilhões por ano para turbinar a sua Apple Tv, que já conta com 33,6 milhões de inscritos.

Na mesma linha muitos sugerem que a empresa deveria comprar a Disney, dona de uma infinidade de propriedade intelectual.

Há também quem especule que a empresa deveria comprar a Tesla, a empresa de Elon Musk (segundo o próprio Musk, a Apple se recusou a participar de uma reunião envolvendo o assunto). Tais especulações porém se tornam inviáveis no momento em que a Tesla cresceu 800% em apenas um ano.

Outros especulam ainda que a empresa presidida por Tim Cook poderia comprar o Spotify, a companhia sueca com 130 milhões de usuários.

Ainda assim, aquisições parecem um destino improvável para a companhia. Desenvolver produtos internamente tem sido o lema desde que Cook assumiu a empresa.

O Apple music por exemplo, já possui 72 milhões de usuários, tendo sido lançado em 2015.

No caso da Tesla, a Apple também possui uma solução caseira, com o desenvolvimento de um carro autônomo em parceria com a Hyundai.

As razões para evitar grandes aquisições variam também. A primeira e mais óbvia é o fato de a companhia ter uma clientela fiel com 800 milhões de usuários, todos ao alcance de 1 clique nas telas de iPhones.

Trata-se de um grupo equivalente a 10% do planeta, via de regra com poder aquisitivo mais alto. Nenhuma outra empresa no planeta tem alcance similar (ainda que se possa falar do Facebook com 3 bilhões de usuários, os clientes da Apple possuem um custo bastante mais alto do que simplesmente criar uma conta no Instagram, e por conta disso geram uma receita por usuário dezenas de vezes maior).

Em toda sua história a maior aquisição da Apple foi uma companhia chamada “Beats”, que produz fones de ouvido.

Ainda assim, a Apple desenvolveu um produto próprio, o Airpod, que hoje gera uma receita de $12 bilhões por ano para a empresa, ou 6 vezes mais do que a companhia pagou pela Beats.

O que fazer então com essa montanha de dinheiro em caixa?

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Desde que os Bancos Centrais ao redor do planeta começaram a reduzir suas taxas de juros para injetar dinheiro na economia, uma prática comum do mercado ganhou uma escalada nunca antes vista: recompra de ações.

Como o valor de mercado de uma empresa é igual ao total de ações no mercado multiplicado pelo seu preço, a recompra de ações não apenas garante dinheiro aos investidores, como também eleva o valor de uma ação.

Não se trata de uma prática nova, mas cada vez mais ela tem sido financiada por endividamento. Em suma, as empresas estão se endividando a juros baixos para recomprar ações e elevar o preço médio.

O motivo, claro, é que recompras de ações pagam muito menos impostos.

Este tem sido o caso da Apple. Desde 2012 a empresa já anunciou $375 bilhões em recompras de ações.

Isso equivale a quase 10% do total feito por empresas do S&P 500.

Como relata a Bloomberg, entre 2007 e 2019 as empresas americanas recompraram $4,2 trilhões em ações, além de pagar outros $2.8 trilhões em dividendos.

Também segundo a agência de notícias Bloomberg, metade dessas recompras tem sido feitas por meio de endividamento.

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No início dessa semana, o programa da companhia fabricante do iPhone, ganhou um novo empurrão.

A Apple emitiu $14 bilhões de dólares em dívida, pagando juros de 0,7% ao ano em títulos de 5 anos (contra 2,5% dos juros pagos pelo governo brasileiro), e 2,5% em juros pagos para títulos com prazos entre 20 e 40 anos (contra 4,5% pagos pelo Brasil ao emitir dívida).

Por se tratar de uma companhia com baixa necessidade de capital, a Apple tem liderado um movimento que preocupa analistas, afinal, as companhias americanas estão se endividando para distribuir dinheiro aos acionistas.

Em uma eventual, e provável crise, o caso poderia levar a complicações de inúmeras empresas que se descapitalizam para entregar recursos aos acionistas.

Trata-se de um movimento potencialmente desastroso, mas feito sob medida para reduzindo e a quantidade de impostos pagos.

É um caso onde falhas de governo (ao promover tributos brechas na tributação), induz companhias a aceitar mais riscos do aqueles necessários, potencialmente criando problemas para toda economia que se pretende ajudar ao reduzir os juros.

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