Criptomoedas

Ledger avalia IPO em Nova York após receita recorde e boom da autocustódia

Ledger considera abrir capital na NYSE ou realizar nova captação privada em 2026 após receita recorde em 2025. A escalada de ataques e roubos digitais impulsiona a demanda por hardware wallets e autocustódia. Empresa administra cerca de US$ 100 bilhões em Bitcoin e foi avaliada em US$ 1,5 bilhão em 2023.

Ledger avalia IPO em Nova York após receita recorde e boom da autocustódia

Fabricante de hardware wallets considera a NYSE ou nova rodada privada em 2026; alta de ataques cibernéticos acelera demanda por soluções de custódia própria

A Ledger, fabricante de carteiras físicas de criptomoedas, estuda abrir capital na Bolsa de Nova York (NYSE) ou, alternativamente, realizar uma nova rodada privada de captação em 2026. Segundo o CEO Pascal Gauthier, a empresa vive seu melhor momento financeiro, com receitas de centenas de milhões de dólares em 2025 impulsionadas pela busca por segurança. Ele tem passado mais tempo em Nova York para consolidar os planos de financiamento e ampliar o relacionamento com investidores. “O dinheiro está em Nova York hoje para o setor cripto; não está em nenhum outro lugar do mundo, certamente não na Europa”, afirmou.

O interesse por hardware wallets cresceu na esteira de um ambiente de risco mais elevado. Dados de julho da Chainalysis indicam que mais de US$ 2,2 bilhões em criptoativos foram roubados apenas no primeiro semestre de 2025, superando o total de 2024. O ataque de US$ 1,5 bilhão à Bybit, atribuído à Coreia do Norte, respondeu por parcela relevante dessas perdas. Para Ari Redbord, chefe global de políticas da TRM Labs, o ano também marcou picos simultâneos de atividade legal e ilegal envolvendo cripto, reforçando a preocupação com proteção de chaves privadas.

Esse pano de fundo tem deslocado investidores do armazenamento em exchanges para soluções de autocustódia, nas quais o usuário controla suas chaves em dispositivos offline. A Ledger afirma atualmente gerenciar cerca de US$ 100 bilhões em Bitcoin de clientes via seus dispositivos e serviços. Em 2023, a empresa foi avaliada em US$ 1,5 bilhão em rodada que contou com 10T Holdings e True Global Ventures. A eventual listagem nos EUA, ou uma nova captação privada, faz parte da estratégia de fortalecer presença no maior polo de capital para tecnologia e ativos digitais.

Do ponto de vista técnico, hardware wallets se distinguem das carteiras “quentes” por manterem as chaves privadas fora da internet, reduzindo a superfície de ataque. Em geral, a assinatura de transações ocorre no próprio dispositivo, enquanto a interface de software serve apenas para visualização e transmissão, preservando a segurança do segredo criptográfico. Essa arquitetura, aliada ao uso correto da frase-semente e de rotinas de backup, mitiga riscos comuns como phishing e violações em servidores de terceiros. Para quem deseja compreender melhor a diferença entre carteiras quentes e frias, configuração inicial e boas práticas de backup, o BlockTrends oferece o curso Como Configurar Sua Carteira de Criptomoedas, que explora os fundamentos de segurança e uso no dia a dia.

Para investidores e potenciais acionistas, os pontos-chave a monitorar incluem a sustentabilidade do crescimento em ciclos de mercado voláteis, riscos de cadeia de suprimentos na produção de hardware e o ambiente regulatório nos EUA. Uma listagem na NYSE abriria acesso a um mercado de capitais mais profundo e poderia acelerar expansão de produtos e serviços, enquanto uma rodada privada em 2026 preservaria flexibilidade estratégica. Em ambos os casos, a empresa tende a se beneficiar da tendência estrutural de autocustódia diante de ataques cada vez mais sofisticados. A trajetória recente sugere que a segurança seguirá no centro da adoção, influenciando tanto a demanda por dispositivos quanto os planos de financiamento corporativo.

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