Bitcoin avança enquanto economia racha: alta ou armadilha?
Bitcoin sobe ~4% na semana em meio a dados fracos nos EUA que reforçam apostas em corte de juros. CPI acima do esperado, revisão histórica de empregos e desemprego a 4,3% reacendem temor de estagflação. BTC testa $116,000 e quase fecha gap em 117,300; ações cripto têm desempenho misto.
Dados fracos nos EUA elevam a aposta em corte de juros e impulsionam ativos de risco.
O Bitcoin (BTC) está cerca de 4% acima do nível de uma semana atrás — boa notícia para o ativo digital, mas um sinal preocupante para a economia. A piora recente nos dados dos EUA elevou as expectativas de que o Federal Reserve cortará juros na quarta-feira, tornando ativos de risco como ações e bitcoin mais atrativos.
O que os dados mostram
O indicador mais relevante, o CPI dos EUA, saiu acima do esperado no agregado, sugerindo uma inflação mais persistente do que se imaginava. Antes disso, uma revisão nos dados de emprego apontou que a maior economia do mundo criou quase 1 milhão de vagas a menos no ano encerrado em março — a maior revisão negativa da história do país.
Os números vieram na esteira do relatório mensal de empregos: os EUA adicionaram apenas 22,000 vagas em agosto, com a taxa de desemprego subindo para 4.3%. Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego aumentaram em 27,000 para 263,000, o maior nível desde outubro de 2021. Com inflação pressionada e mercado de trabalho esfriando, o termo “estagflação” volta ao debate macroeconômico.
BTC reage e testa níveis técnicos
Nesse cenário, o bitcoin — tratado por Wall Street como ativo de risco — continuou em alta, superando $116,000 na sexta-feira e quase fechando o gap dos futuros da CME em 117,300 de agosto. Em paralelo, o apetite por risco também se refletiu nas bolsas: o S&P 500 encerrou em recorde pelo segundo dia seguido, na esteira da expectativa por um corte de juros.
Para quem olha o gráfico, a ação de preço segue construtiva, com topos e fundos ascendentes desde a mínima de setembro em $107,500. A média móvel de 200 dias subiu para $102,083, enquanto o Short-Term Holder Realized Price — métrica frequentemente usada como suporte em mercados de alta — atingiu um recorde de $109,668.
Ações ligadas ao bitcoin: desempenho misto
Apesar do avanço semanal do BTC, as ações da Strategy (MSTR), a maior entre as empresas com tesouraria em bitcoin, ficaram praticamente estáveis. Rivais foram melhor: MARA Holdings (MARA) avançou 7% e XXI (CEP) subiu 4%.
No acumulado do ano, a Strategy (MSTR) tem ficado atrás do bitcoin e segue abaixo da sua média móvel de 200 dias, atualmente em $355. No fechamento de quinta-feira, a $326, o papel testa um suporte de longo prazo visto em setembro de 2024 e abril de 2025. O prêmio sobre o mNAV da companhia comprimiu para abaixo de 1.5x ao considerar dívida conversível e preferenciais em circulação, ou cerca de 1.3x com base apenas no valor do patrimônio.
A emissão de ações preferenciais permanece contida, com apenas $17 milhões acessados entre STRK e STRF na semana, o que significa que a maior parte da emissão “at-the-money” ainda passa por ações ordinárias. Segundo a própria empresa, opções agora estão listadas e negociando para as quatro preferenciais perpétuas, um desenvolvimento que pode adicionar rendimento sobre o dividendo.
Catalisadores e riscos no radar
O FedWatch da CME indica que os traders esperam um corte de 25 pontos-base nos juros dos EUA em setembro e já precificam um total de três cortes até o fim do ano. O movimento pró-risco foi sublinhado pelo rendimento do Treasury de 10 anos, que chegou a romper brevemente abaixo de 4% na semana.
Ainda assim, o índice do dólar (DXY) mantém um suporte de múltiplos anos, um possível ponto de inflexão a ser monitorado. Em resumo: a combinação de inflação resistente, mercado de trabalho em desaceleração e expectativa de alívio monetário cria um pano de fundo complexo para o BTC — com suportes técnicos relevantes no curto prazo, mas dependente do humor macro e do dólar.