O que é o Efeito Cantillon e como ele explica os ricos estarem mais ricos na pandemia
Por que imprimir dinheiro tende a enriquecer os mais ricos? Entenda o efeito Cantillon, um conceito de 300 anos que voltou ao centro do debate monetário.
Por que, mesmo com governos imprimindo dinheiro para socorrer a economia, os mais ricos costumam ficar ainda mais ricos? Uma explicação com quase 300 anos de idade ajuda a entender: o efeito Cantillon.
O efeito Cantillon descreve como o dinheiro novo criado numa economia não chega a todos ao mesmo tempo, beneficiando quem está mais perto da fonte de emissão em detrimento de quem recebe por último. O nome vem do economista Richard Cantillon, do século 18.
Como funciona o efeito Cantillon?
Quando um banco central injeta dinheiro novo, esse recurso entra pela porta do sistema financeiro. Bancos, grandes empresas e investidores de ativos são os primeiros a recebê-lo e a gastá-lo, ainda com os preços antigos. À medida que o dinheiro circula, os preços vão subindo. Quando finalmente chega ao trabalhador comum, boa parte do poder de compra já se perdeu na inflação. Quem está longe da torneira paga a conta.
Por que esse conceito voltou à moda?
O efeito ganhou força no debate após anos de forte emissão monetária por bancos centrais pelo mundo. Defensores do Bitcoin costumam usá-lo como argumento a favor de uma moeda de oferta fixa, imune a essa expansão. Vale a ressalva: trata-se de um conceito com forte carga interpretativa, útil para pensar distribuição de renda e política monetária, mas que convive com outras explicações para a desigualdade.
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