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Citi eleva projeção do Bitcoin para US$ 113 mil: o que mudou

Citigroup aumentou a projeção de 12 meses do Bitcoin de US$ 82 mil para US$ 113 mil, citando retomada de fluxo em ETFs e decisões regulatórias nos EUA.

Citi eleva projeção do Bitcoin para US$ 113 mil: o que mudou
Foto: Rafael Minguet Delgado / Unsplash

Quando um dos maiores bancos do mundo revisa para cima sua projeção sobre o Bitcoin em quase 38%, o mercado presta atenção. O Citigroup atualizou seu preço-alvo de 12 meses para o BTC de US$ 82 mil para US$ 113 mil, e para o Ethereum de US$ 2.240 para US$ 3.028. Mais do que o número em si, o que interessa é o racional por trás da mudança: a retomada dos fluxos em ETFs à vista, o cenário macroeconômico dos Estados Unidos e uma sequência de sinalizações regulatórias que, mesmo imperfeitas, reduziram a incerteza do mercado.

A revisão não é um caso isolado de otimismo. Ela reflete uma mudança estrutural na forma como o capital institucional está se posicionando em cripto neste segundo semestre de 2026.

A virada dos fluxos em ETFs de Bitcoin

Os ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos viveram um primeiro semestre difícil. Até 13 de julho, o saldo líquido acumulado no ano era negativo em US$ 5,8 bilhões. Gestoras enfrentaram resgates consistentes, reflexo de um ambiente de aversão a risco que penalizou ativos mais voláteis.

Esse quadro mudou de forma significativa nos meses seguintes. Até o final de setembro, o saldo líquido de 2026 já havia virado para positivo, atingindo US$ 800 milhões em entradas. Uma reversão de quase US$ 6,6 bilhões em pouco mais de dois meses.

O Citi projeta mais US$ 5 bilhões em entradas líquidas nos próximos 12 meses, mas com um perfil diferente do que se viu em 2024 e no início de 2025. A expectativa é de fluxos “mais lentos, porém mais persistentes”. A explicação é prática: assessores financeiros e corretoras estão aumentando gradualmente a alocação em Bitcoin dentro de portfólios diversificados, em vez de fazer apostas concentradas. Esse tipo de fluxo é menos espetacular nas manchetes, mas mais sustentável ao longo do tempo. Como analisamos em nossa cobertura sobre o mercado cripto, essa institucionalização progressiva é um dos vetores mais relevantes para a tese de longo prazo do Bitcoin.

A rejeição do Clarity Act e o papel da SEC

Um dos eventos mais esperados do terceiro trimestre foi a votação do Clarity Act no Senado americano. O projeto, que buscava estabelecer um marco regulatório definitivo para criptoativos nos EUA, foi rejeitado em 15 de setembro. No papel, era um revés significativo para a indústria.

Na prática, o impacto foi bem menor do que o esperado. O Bitcoin subiu mais de 10% entre a rejeição e o final de setembro. O que explica essa resiliência?

Segundo a análise do Citi, a SEC preencheu parte do vácuo legislativo com uma série de regras e diretrizes que trouxeram clareza operacional ao mercado. O banco classificou essas medidas como “um positivo temporário, mas significativo”. Em outras palavras: a regulação por agência está substituindo, ao menos no curto prazo, a legislação formal.

Existe, claro, um risco embutido nessa abordagem. Regras criadas por agências reguladoras podem ser revertidas por uma nova administração. O Citi reconhece essa fragilidade, mas pondera que o risco de reversão só se materializa a partir de 2028, fora do horizonte da projeção atual. Para quem acompanha o cenário regulatório cripto nos EUA, esse é um ponto crucial: o mercado está precificando estabilidade regulatória de curto prazo, não certeza de longo prazo.

O papel do Tesouro americano na virada do mercado

Outro fator citado pelo Citi é a decisão do Tesouro dos EUA de recomprar títulos de longo prazo. Essa medida, que visa gerenciar o perfil de dívida pública americana, teve um efeito colateral relevante: injetou liquidez no sistema e reduziu a pressão sobre os prêmios de risco em ativos de maior volatilidade.

O mercado cripto vinha em uma fase prolongada de desempenho inferior a outros ativos de risco, como ações de tecnologia e commodities. A recompra de bonds ajudou a quebrar essa tendência, funcionando como um catalisador técnico para a retomada de preços.

Não é a primeira vez que decisões de política monetária e fiscal nos EUA influenciam diretamente o mercado de criptoativos. A correlação entre liquidez global e preço do Bitcoin é um dos temas mais debatidos entre analistas, e os dados recentes reforçam essa conexão. Como abordamos na nossa seção de finanças, movimentos do Tesouro e do Federal Reserve continuam sendo variáveis essenciais para qualquer tese de investimento em ativos digitais.

Ethereum também entra no radar

A revisão do Citi não se limitou ao Bitcoin. O preço-alvo do Ethereum subiu de US$ 2.240 para US$ 3.028, um aumento de cerca de 12% sobre os preços atuais. A valorização projetada é mais modesta que a do BTC, o que reflete um padrão que tem se repetido: o Ethereum segue sendo a segunda opção institucional, mas com um desconto de convicção em relação ao Bitcoin.

Os ETFs de Ethereum à vista, aprovados nos EUA em 2024, ainda não alcançaram o mesmo nível de adoção que os de Bitcoin. A demanda existe, mas é mais concentrada em investidores que já possuem exposição a BTC e buscam diversificação dentro do universo cripto.

O que isso significa para o investidor

A projeção de um banco do porte do Citigroup não é, por si só, garantia de nada. Bancos erram previsões com frequência, e o próprio Citi já revisou seus alvos para baixo em ciclos anteriores. O que importa é o sinal: uma das maiores instituições financeiras do mundo está confortável o suficiente com a tese do Bitcoin para projetar uma valorização de 35% em 12 meses.

Isso diz algo sobre o grau de aceitação institucional que o ativo alcançou. Não se trata mais de um debate sobre legitimidade, mas sobre tamanho de posição e timing de entrada. O fluxo “lento e persistente” que o Citi descreve para os ETFs é, na essência, o comportamento de alocadores profissionais que tratam Bitcoin como mais um componente de portfólio, não como uma aposta especulativa.

Para quem já está posicionado, a revisão reforça a tese. Para quem está de fora, o recado é que o custo de oportunidade de ignorar o ativo continua subindo, especialmente quando o próprio establishment financeiro está atualizando suas planilhas para cima.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Renato Moura
Enxerga o mercado como vasos comunicantes: uma fala do Fed mexe no petróleo, o Bitcoin escorrega junto com as bolsas. Cobre a macro global e o efeito da política monetária e da geopolítica no preço dos ativos.
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