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Zcash sobe 10% e lidera cripto: o que está por trás do rali

Avanço regulatório nos EUA e sinais técnicos positivos do Bitcoin sustentam rali generalizado no mercado cripto, com destaque para Zcash, XRP e HYPE.

Zcash sobe 10% e lidera cripto: o que está por trás do rali
Foto: Rafael Minguet Delgado / Unsplash

O mercado de criptomoedas acordou em tom positivo na quarta-feira, com a Zcash (ZEC) liderando os ganhos entre os principais tokens ao registrar uma alta de 10%, alcançando a faixa de US$ 1.616. O Bitcoin se manteve estável perto de US$ 86.900, acumulando valorização de 1% em 24 horas, enquanto XRP avançou 6% para acima de US$ 1,62 e HYPE subiu 4%, aproximando-se de US$ 97.

Entre as demais altcoins, Dogecoin ganhou 4%, enquanto Ethereum, BNB e Solana tiveram variações modestas, abaixo de 1%. O único destaque negativo entre os grandes tokens foi o TRX, que recuou 1%. Mas o que explica esse otimismo generalizado?

Dois movimentos regulatórios nos EUA estão moldando o humor do mercado

Por trás do rali, dois acontecimentos vindos de Washington chamaram a atenção dos investidores institucionais e de varejo. O primeiro foi a aprovação, pelo Comitê de Serviços Financeiros da Câmara dos EUA, do chamado American Reserve Modernization Act, por 28 votos a 21. O projeto segue agora para votação no plenário da Câmara.

O projeto de lei propõe colocar os aproximadamente 325 mil bitcoins que o governo americano já detém, a maioria obtida em apreensões criminais e cíveis, em uma Reserva Estratégica de Bitcoin sob custódia do Tesouro. A proposta exige que as moedas sejam mantidas por no mínimo 20 anos, com auditorias trimestrais comprovando a existência dos ativos. Também determina um estudo sobre formas de adquirir mais bitcoins sem aumentar o déficit fiscal.

É o ponto mais avançado que uma legislação desse tipo já alcançou no Congresso americano, embora ainda precise passar pelo plenário da Câmara e do Senado. Para quem acompanha a evolução regulatória do mercado cripto, o simbolismo é significativo: o governo dos EUA tratando Bitcoin como ativo estratégico de reserva, não como mera evidência em processos judiciais.

SEC abre caminho para negociação de ações tokenizadas onchain

O segundo movimento regulatório é talvez ainda mais relevante para o curto prazo. Com o CLARITY Act travado no Congresso, a SEC decidiu agir por conta própria. Utilizando uma isenção de inovação, o regulador abriu caminho para a negociação onchain de ações tokenizadas dos EUA em menos de 24 horas.

A medida impactou diretamente tokens ligados à tese de tokenização e elevou a confiança no mercado como um todo. Tony Dicarlo, diretor de proposições institucionais da RootstockLabs, destacou que a SEC está preenchendo o vácuo legislativo que o Congresso deixou, o que gerou ralis expressivos em ativos digitais ligados à tokenização.

Para o investidor brasileiro que acompanha a tese de tokenização de ativos, essa decisão da SEC é um marco. Ela sinaliza que, mesmo sem legislação formal, os reguladores americanos estão dispostos a criar caminhos pragmáticos para integrar ativos digitais ao sistema financeiro tradicional.

Bitcoin acima das médias semanais de 50 e 200 períodos

Do ponto de vista técnico, o Bitcoin se encontra em uma posição relevante. O ativo opera acima das médias móveis de 50 e 200 semanas, acumulando uma valorização de aproximadamente 29% em 35 dias. Esses dois indicadores são amplamente acompanhados por investidores institucionais como sinalizadores de tendência de longo prazo.

A confluência de suporte técnico com catalisadores regulatórios cria um cenário que, historicamente, tende a sustentar movimentos de alta por períodos mais longos. Isso não significa previsão de preço, mas sim que os fundamentos por trás do rali atual têm mais substância do que movimentos puramente especulativos.

Como analisamos em materiais anteriores sobre indicadores on-chain do Bitcoin, posicionamentos acima dessas médias de longo prazo costumam marcar fases de acumulação institucional, não de distribuição.

Cenário macro também contribui: juros, petróleo e iene

O contexto macroeconômico adicionou combustível ao movimento. Títulos públicos tiveram rali durante a sessão asiática, com os yields de 10 anos da Austrália e da Nova Zelândia caindo pelo menos três pontos-base. Os futuros de Treasuries americanos de 10 anos também subiram.

O petróleo Brent recuou quase 1%, para cerca de US$ 99 o barril, marcando a sexta sessão consecutiva de queda, a sequência mais longa de perdas em um ano. A queda foi impulsionada por declarações do presidente Donald Trump de que autoridades americanas tiveram uma reunião “muito boa” com enviados iranianos em Nova York, sinalizando esforços renovados para encerrar o conflito na região.

No Japão, o banco central elevou os juros na semana passada em votação dividida (7 a 2), um placar que o mercado interpretou como sinal de aperto monetário lento. O iene se enfraqueceu desde então, o que mantém o custo de empréstimo barato no Japão e sustenta o fluxo de capital para ativos de risco, incluindo criptomoedas. É o clássico carry trade que, enquanto persistir, funciona como vento favorável para ativos mais voláteis.

O que isso significa para quem investe em cripto

O rali liderado pela Zcash não é um evento isolado. Ele reflete uma convergência de fatores: avanço concreto na regulação americana, ação pragmática da SEC em tokenização, suporte técnico no Bitcoin e um cenário macro que favorece ativos de risco.

Para o investidor, o ponto central é entender que o mercado cripto está cada vez mais correlacionado com decisões de política monetária e regulatória. A tese de investimento em ativos digitais não se sustenta mais apenas em narrativa de adoção. Ela depende, de forma crescente, de como governos e reguladores ao redor do mundo tratam essa classe de ativos.

Os próximos passos a monitorar são a votação do American Reserve Modernization Act no plenário da Câmara, o desdobramento da isenção de inovação da SEC e, no cenário macro, a trajetória do petróleo e das decisões de juros no Japão. Cada um desses vetores tem potencial para amplificar ou reverter o movimento atual.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Renato Moura
Enxerga o mercado como vasos comunicantes: uma fala do Fed mexe no petróleo, o Bitcoin escorrega junto com as bolsas. Cobre a macro global e o efeito da política monetária e da geopolítica no preço dos ativos.
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