Finanças

TSMC pode subir 47%: o que sustenta a tese e quais os riscos

Banco eleva preço-alvo da TSMC para US$ 550 por ação e projeta capex de US$ 85 bi até 2028, mas alerta para sinais de freio nos gastos com IA.

TSMC pode subir 47%: o que sustenta a tese e quais os riscos
Foto: ed br / Unsplash

A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, mais conhecida como TSMC, recebeu uma atualização de cobertura que chama atenção pelo otimismo. O novo preço-alvo para os papéis da companhia foi elevado para 3.500 dólares taiwaneses, o equivalente a US$ 550 por ação nos ADRs negociados nos Estados Unidos. Na prática, o potencial de valorização chega a 47% em moeda local e cerca de 33% em dólares americanos.

A recomendação segue como outperform, equivalente a compra. Mas o que torna essa tese particularmente interessante não é apenas o upside projetado. É o horizonte de visibilidade que sustenta o argumento: analistas apontam demanda contratada até 2029 e 2030, algo raro em qualquer setor industrial.

O motor dessa história tem nome: inteligência artificial. E os números de expansão fabril da TSMC mostram uma aposta agressiva nesse ciclo. Resta saber se o mercado de IA vai entregar tudo o que promete.

A demanda por chips de IA sustenta um ciclo de vários anos

A tese central é que a infraestrutura global de IA e computação de alto desempenho (HPC) continuará crescendo de forma acelerada. GPUs usadas em treinamento de modelos de linguagem, chips ASIC personalizados para data centers e a expansão contínua de provedores de nuvem formam o tripé de demanda da TSMC.

Os números de capacidade fabril ilustram a escala do movimento. Para o nó de 3 nanômetros (N3), a projeção é de 180 mil wafers por mês no final de 2026, chegando a 288 mil no final de 2028. Isso representa um crescimento anual composto (CAGR) de aproximadamente 26%. As estimativas anteriores eram significativamente menores: 168 mil, 193 mil e 220 mil wafers por mês para os mesmos períodos.

O nó de 2 nanômetros (N2), mais avançado, também surpreende. A expectativa é de 90 mil wafers por mês no final de 2026, escalando para 250 mil até o final de 2028. Um dado relevante: a produção nos primeiros 12 meses do N2 deve ser mais que o dobro do que o N3 entregou no mesmo estágio de maturação. Para quem acompanha a evolução do setor de tecnologia, essa aceleração de curva produtiva é um sinal forte de confiança dos clientes.

Capex agressivo: US$ 85 bilhões em 2028

Para sustentar essa expansão, a TSMC está elevando seus investimentos de capital de forma substancial. A projeção atualizada aponta para US$ 64 bilhões em 2026, US$ 78 bilhões em 2027 e US$ 85 bilhões em 2028. As estimativas anteriores eram de US$ 55 bilhões, US$ 73 bilhões e US$ 80 bilhões, respectivamente.

O dinheiro vai para novas salas limpas (cleanrooms), expansão das tecnologias N3, N2/A16 e A14, além de encapsulamento avançado. A lista de fábricas em construção ou expansão inclui a Fab 18 em Tainan, Fab 20 em Hsinchu, Fab 22 em Kaohsiung, Fab 25 em Taichung e a continuidade da Fab 21 no Arizona, nos Estados Unidos.

Esse nível de investimento só faz sentido porque os clientes da TSMC, que incluem nomes como Apple, Nvidia e AMD, mantêm roteiros de produtos plurianuais que garantem visibilidade de demanda anos antes de a capacidade entrar em operação. Como analisamos em cobertura anterior sobre o impacto dos semicondutores no mercado financeiro, o setor de chips opera com ciclos longos de planejamento, o que reduz parcialmente o risco de investimentos em capacidade ociosa.

Os riscos que podem travar a tese

O maior ponto de atenção é a possibilidade de desaceleração nos investimentos globais em IA. Recentemente, executivos de grandes empresas de tecnologia sinalizaram que o ritmo de gastos pode diminuir. Se big techs reduzirem planos de expansão ou encontrarem retornos menores sobre o capital investido em infraestrutura de IA, a demanda por chips avançados pode ficar abaixo do esperado.

A taxa de utilização fabril é outro fator crítico. O cenário projetado assume que os nós mais avançados (N2, N3 e N5) operarão em capacidade máxima durante todo o horizonte de análise. Se a oferta crescer mais rápido que a demanda, a ociosidade pressionaria receitas e margens simultaneamente.

Existe também o risco de execução. Investir US$ 227 bilhões em três anos (somando o capex de 2026 a 2028) é uma aposta monumental. Atrasos em construção, custos acima do previsto ou problemas de rendimento (yield) nos novos nós de processamento podem comprometer o retorno sobre o capital empregado.

Por fim, a expansão internacional traz desafios adicionais. As fábricas fora de Taiwan, especialmente nos Estados Unidos, operam com custos mais elevados. Durante o período de maturação dessas unidades, as margens da companhia podem sofrer pressão. A exposição cambial entre dólar taiwanês, dólar americano e outras moedas adiciona uma camada extra de volatilidade aos resultados, conforme discutimos ao abordar o efeito das tarifas sobre o setor de tecnologia.

O que isso significa para quem investe

A TSMC é, em muitos sentidos, a infraestrutura invisível da revolução de IA. Praticamente todos os chips mais avançados do mundo passam por suas fábricas. Investir na TSMC é, em essência, uma aposta no crescimento estrutural da demanda por computação avançada, sem precisar escolher qual empresa de IA será a vencedora.

O potencial de valorização de 33% a 47% é relevante, mas vem acompanhado de um nível de investimento de capital que não tem precedentes na história da indústria de semicondutores. Se a demanda por IA se confirmar no ritmo projetado, a TSMC está posicionada como uma das maiores beneficiárias. Se houver correção de expectativas, o tamanho do capex pode se tornar um peso.

Para investidores que avaliam exposição ao setor de semicondutores, o cenário exige atenção a dois indicadores nos próximos trimestres: os planos de capex das big techs americanas e a evolução real da taxa de utilização das fábricas da TSMC. Esses dados vão mostrar se a tese de crescimento sustentado se confirma ou se o mercado precificou expectativas excessivamente otimistas.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Marina Alves
Traduz o que Copom, câmbio e licenças de exchange fazem com a sua carteira. Cobre o mercado de capitais brasileiro, a macro do dia a dia e a regulação do cripto. Sem promessa de ganho fácil.
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