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Nubank pode superar lucro do Itaú no varejo em 2025

Lucro do Nubank equivale a 98% do resultado do Itaú no segmento de varejo. Com ROA até três vezes maior, o banco digital pode virar o jogo ainda neste ano.

Nubank pode superar lucro do Itaú no varejo em 2025
Foto: Markus Winkler / Unsplash

O Nubank está a um passo de ultrapassar o Itaú Unibanco em lucro líquido no segmento de varejo. Segundo estimativas do JP Morgan, o resultado do banco digital já equivale a 98% do que o maior banco privado do país entrega nessa divisão. A projeção é que essa virada aconteça ainda em 2025.

O dado é notável porque o Nubank opera com uma base de ativos significativamente menor. Enquanto a carteira de crédito do Itaú no varejo soma cerca de R$ 614 bilhões, a do Nubank gira em torno de R$ 137 bilhões, o equivalente a apenas 25% do concorrente. Mesmo assim, o banco digital lucra praticamente o mesmo.

ROA do Nubank é até três vezes maior que o do Itaú

A explicação central para esse fenômeno está no retorno sobre ativos. O ROA do Nubank oscila entre 5% e 6%, enquanto o do varejo do Itaú fica próximo de 2%, segundo as estimativas do JP Morgan. Em outras palavras, cada real no balanço do Nubank gera um retorno proporcionalmente muito superior.

Essa diferença se sustenta, em grande parte, pela eficiência operacional. O índice de eficiência do Nubank no Brasil é de aproximadamente 17%. O do varejo do Itaú, de 41%. Para quem acompanha o setor bancário, essa distância é quase inédita entre dois competidores desse porte. Como analisamos em nossa cobertura sobre o setor financeiro, a digitalização tem sido o principal vetor de compressão de custos nos bancos.

O ROE conta uma história parecida. O Nubank Brasil entrega 42% de retorno sobre patrimônio, contra 29% do varejo do Itaú. São números que reforçam a tese de que o modelo digital, nascido sem agências e com estrutura enxuta, consegue extrair mais valor de cada cliente.

Nubank tem mais clientes, Itaú tem mais produtos

Quando se olha para a base de clientes com exposição ativa a crédito, o Nubank já lidera: 65 milhões contra 47 milhões do Itaú. A escala do banco digital é inegável. Mas o Itaú ainda domina em diversificação de receita.

O maior banco privado do país é líder no segmento de alta renda, tem 21% de participação em cartões de crédito (contra 17% do Nubank) e opera em verticais onde o roxinho mal começou: financiamento imobiliário, crédito para veículos, adquirência e atendimento a pequenas e médias empresas.

Essa diversificação funciona como uma fortaleza. Mesmo que o Nubank supere o Itaú em lucro no varejo, o banco tradicional ainda tem fontes de receita que o competidor digital levará anos para replicar. A questão, como destacamos em análises anteriores sobre fintechs brasileiras, é se o mercado vai precificar o Nubank pelo que ele já entrega ou pelo que ainda pode conquistar.

O que explica o salto recente no resultado do Nubank

No segundo trimestre, excluindo as operações no México, o Nubank reportou lucro líquido de US$ 1,054 bilhão. O varejo do Itaú registrou US$ 1,087 bilhão no mesmo período. A diferença é de apenas US$ 33 milhões.

Parte do resultado do Nubank foi impulsionada pelo programa Desenrola, que contribuiu com cerca de US$ 60 milhões. As operações na Colômbia, por outro lado, ainda pesam negativamente, com prejuízo de US$ 9 milhões no trimestre. Mas os analistas do JP Morgan consideram esses fatores “erros de arredondamento” diante da tendência macro: o gap de lucro está se fechando de forma consistente.

A leitura é que o Nubank não depende mais de fatores pontuais para competir com o Itaú em resultado. A estrutura de custos, a penetração na base de clientes e a capacidade de monetização já sustentam um nível de lucratividade comparável ao do maior banco do país.

Os desafios que podem frear a trajetória

Apesar do momento favorável, o caminho adiante não é livre de obstáculos. Para continuar crescendo, o Nubank precisa avançar em segmentos onde ainda é pequeno. Os analistas do JP Morgan apontam três frentes prioritárias: clientes de renda média, crédito consignado e PMEs.

A expansão para novas geografias e o amadurecimento das safras mais antigas de clientes também serão determinantes. O ponto de atenção é que clientes de renda mais alta, embora movimentem volumes maiores, tendem a gerar retornos menores. Isso significa que o ROA de 5% a 6% pode não se sustentar conforme o mix de clientes muda.

Como discutimos em nossas análises sobre a competição no setor bancário, o dilema do Nubank é clássico em empresas de hipercrescimento: crescer sem diluir a rentabilidade que o mercado aprendeu a precificar.

O que isso significa para o investidor

A eventual ultrapassagem do Nubank sobre o Itaú no varejo seria um marco simbólico importante. Não porque mude fundamentalmente a tese de investimento de qualquer um dos dois bancos, mas porque confirma uma mudança estrutural no setor financeiro brasileiro.

Um banco com 15 anos de existência, sem agências físicas, está prestes a lucrar mais no varejo do que uma instituição centenária com a maior rede de distribuição do país. Isso diz algo sobre a direção do mercado.

Para quem investe no setor, a questão prática é: o Nubank consegue manter essa eficiência operacional conforme entra em produtos mais complexos e de menor margem? E o Itaú consegue acelerar sua transformação digital a ponto de fechar o gap de eficiência? As respostas definirão qual ação entregará mais valor nos próximos anos.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Renato Moura
Enxerga o mercado como vasos comunicantes: uma fala do Fed mexe no petróleo, o Bitcoin escorrega junto com as bolsas. Cobre a macro global e o efeito da política monetária e da geopolítica no preço dos ativos.
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