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UBS multiplica por 24 sua exposição a opções de Bitcoin via ETF

Gigante suíço com US$ 7 trilhões sob gestão ampliou drasticamente calls sobre o IBIT enquanto reduziu puts, sinalizando viés otimista institucional.

UBS multiplica por 24 sua exposição a opções de Bitcoin via ETF
Foto: Stephen Leonardi / Unsplash

O maior banco suíço aposta pesado em calls de Bitcoin

O UBS, maior gestor de fortunas do mundo com mais de US$ 7 trilhões em ativos sob gestão, ampliou em mais de 24 vezes sua exposição a opções de compra (calls) vinculadas ao iShares Bitcoin Trust (IBIT) da BlackRock durante o segundo trimestre de 2025. O movimento apareceu em um filing regulatório divulgado nesta semana e chamou atenção pela escala.

No fim de junho, o banco suíço reportou calls representando 1,95 milhão de cotas subjacentes do IBIT. Três meses antes, esse número era de apenas 80 mil. Para dimensionar: uma call dá ao detentor o direito de comprar o ativo a um preço predeterminado numa data futura. Multiplicar essa posição por 24 em um único trimestre é, no mínimo, uma declaração de intenções.

Ao mesmo tempo, as puts, que representam o direito de vender o ativo, caíram 53%, de 303.300 para 143.300 cotas subjacentes. A combinação de mais calls e menos puts configura o que o mercado chama de viés direcional altista, embora a ausência de informações sobre preços de exercício e vencimentos no filing impeça uma conclusão definitiva sobre a aposta líquida do banco.

Posição direta no IBIT cresceu, mas segue abaixo do pico

A exposição direta do UBS ao IBIT também aumentou no trimestre. O banco detinha 407.890 cotas no fim de junho, avaliadas em cerca de US$ 13,6 milhões, contra 364.371 cotas no fim de março. Um avanço de aproximadamente 12%.

Ainda assim, o número permanece abaixo das 548.614 cotas que o banco reportou no encerramento de 2024, segundo o filing do quarto trimestre. Isso sugere que, ao longo do primeiro semestre, o UBS reduziu participação direta mas compensou com uma posição agressiva em derivativos. Como já abordamos em nossa cobertura sobre o mercado cripto institucional, essa migração para opções é uma tendência crescente entre grandes players que querem exposição alavancada com risco controlado.

O filing regulatório não detalha se essas posições refletem estratégias proprietárias, hedging de operações de market-making, portfólios discricionários de clientes ou uma combinação de tudo isso. Na prática, instituições desse porte raramente operam com um único propósito. O mais provável é que exista uma sobreposição de motivações.

O contexto: UBS já prepara acesso a cripto para clientes de wealth management

O aumento nas opções coincide com um movimento mais amplo do UBS em direção a ativos digitais. No início deste ano, o banco começou a preparar o terreno para oferecer a clientes selecionados do private banking na Suíça acesso a negociação de bitcoin e ether.

A conexão entre essas duas frentes é intuitiva, mas não está confirmada no filing. Pode ser que a demanda de clientes de alto patrimônio tenha impulsionado a necessidade de mais hedging e market-making, o que explicaria parte do aumento nas calls. Ou pode ser que a mesa proprietária do banco esteja simplesmente mais confiante na tese de valorização do bitcoin.

De qualquer forma, o UBS não está sozinho. O fluxo institucional para ETFs de Bitcoin nos Estados Unidos vem acelerando trimestre após trimestre. A firma de investimentos de Paul Tudor Jones, por exemplo, também aumentou sua participação no IBIT após um período de vendas ao longo do ano passado. O padrão se repete: gestores que inicialmente testaram o mercado com posições pequenas agora ampliam suas alocações.

Por que opções e não compra direta?

Para um banco do porte do UBS, opções oferecem vantagens que a compra direta não proporciona. A principal delas é a alavancagem: com um prêmio relativamente baixo, o banco obtém exposição a um volume muito maior de cotas do IBIT. Se o preço do ETF subir acima do strike, o ganho é amplificado. Se não subir, a perda se limita ao prêmio pago.

Há também uma questão regulatória e de balanço. Posições em opções aparecem de forma diferente nos demonstrativos financeiros e podem ter tratamento de capital distinto do que a posse direta de cotas de um ETF de criptoativo. Para um banco sistematicamente importante como o UBS, que opera sob as regras de Basileia III, essa diferença importa.

A estratégia é sofisticada, mas não é nova. Como detalhamos em nossa análise sobre a entrada institucional no mercado de Bitcoin, grandes bancos globais vêm usando derivativos como porta de entrada para o mercado cripto há pelo menos dois anos. O que muda agora é a escala.

O que isso sinaliza para o mercado

O dado mais relevante do filing não é o tamanho absoluto da posição. US$ 13,6 milhões em cotas diretas é uma fração microscópica dos US$ 7 trilhões que o UBS administra. O que importa é a direção e a velocidade da mudança.

Um aumento de 24 vezes em calls em um único trimestre mostra que algo mudou na tese interna do banco. Pode ser apetite de clientes, pode ser convicção proprietária, pode ser necessidade operacional. Provavelmente é tudo junto. Mas o sinal é claro: o maior gestor de fortunas do planeta está aumentando, não reduzindo, sua interface com o Bitcoin.

Para o investidor pessoa física, o takeaway é simples. Quando instituições com US$ 7 trilhões sob gestão usam derivativos para ampliar exposição a um ativo, isso não é especulação de varejo. É infraestrutura financeira se moldando ao redor de uma nova classe de ativo. O processo é lento, burocrático e cheio de ressalvas regulatórias. Mas, trimestre a trimestre, os números contam uma história cada vez mais difícil de ignorar.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Renato Moura
Enxerga o mercado como vasos comunicantes: uma fala do Fed mexe no petróleo, o Bitcoin escorrega junto com as bolsas. Cobre a macro global e o efeito da política monetária e da geopolítica no preço dos ativos.
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