Samsung lança três dobráveis para frear Apple e Motorola
Samsung aposta em três novos dobráveis com preços de até R$ 19,3 mil para recuperar liderança no Brasil antes da estreia da Apple no segmento.
A Samsung acaba de colocar três novos aparelhos dobráveis no mercado brasileiro. O destaque é o Galaxy Z Fold8 Ultra, o modelo mais sofisticado que a empresa já produziu nesse formato. Ao lado dele, chegam o Fold8, com design que lembra um passaporte, e o Flip8, voltado ao público mais jovem. Os preços variam de R$ 9,4 mil a R$ 19,3 mil.
O movimento não é apenas uma atualização de portfólio. É uma resposta direta a dois problemas simultâneos: a perda da liderança em dobráveis no Brasil para a Motorola, segundo dados da IDC, e a entrada iminente da Apple no segmento, prevista para ainda neste ano.
A consultoria Counterpoint projeta que a Apple pode estrear no mercado de dobráveis com 25% de participação global, praticamente empatada com a Huawei (24%). A Samsung, que hoje detém 40% desse mercado, deve recuar para 32%. Para uma empresa que foi pioneira na categoria há oito anos, o cenário exige ação rápida.
Por que os dobráveis importam mais do que parecem
Os dobráveis representam apenas 1,6% do total de smartphones vendidos no mundo. Parece irrelevante, mas os números contam outra história. Enquanto o mercado convencional de celulares registra queda de volume, os dobráveis crescem em ritmo acelerado. A IDC estima que 20,6 milhões de unidades foram vendidas globalmente em 2025, alta de 10%. Para 2026, a projeção é de expansão próxima a 30%.
No Brasil, a linha Z já responde por cerca de 20% do faturamento dos celulares mais sofisticados da Samsung, segundo Gustavo Assunção, vice-presidente sênior da operação brasileira. A categoria funciona como uma alavanca para elevar o preço médio por aparelho vendido e proteger margens em um momento de pressão nos custos de componentes, especialmente memórias.
Para quem acompanha a dinâmica do setor de tecnologia, o padrão é conhecido: quando o volume total do mercado encolhe, fabricantes migram para o segmento premium em busca de rentabilidade. A Samsung não é exceção.
Margens pressionadas e a conta dos componentes
O contexto financeiro da Samsung global ajuda a entender a urgência. No segundo trimestre, a divisão que reúne smartphones, tablets, notebooks e wearables registrou receita de US$ 22,8 bilhões, alta de 13,7%. Mas o lucro operacional evaporou: saiu de US$ 2,1 bilhões positivos para um prejuízo de US$ 480 milhões.
No Brasil, a operação absorveu parte da alta dos componentes no primeiro semestre, sobretudo nos celulares de entrada. A partir de julho, os reajustes começaram a ser repassados ao consumidor. O impacto será mais sentido nos modelos mais baratos. Nos aparelhos sofisticados, incluindo os dobráveis, a margem de manobra é maior.
Para suavizar o repasse, a Samsung está ampliando opções de parcelamento, reforçando planos pós-pagos com operadoras e expandindo programas de troca, nos quais o aparelho antigo serve como parte do pagamento. Nos lançamentos de dobráveis, oito em cada dez compradores entregam o celular usado na aquisição do novo modelo.
Essa estratégia de precificação e financiamento é crucial para manter o fluxo de upgrades em um mercado onde o poder de compra do consumidor brasileiro está sob pressão.
Produção local como vantagem competitiva
O Brasil é o único país onde a Samsung mantém duas fábricas próprias, em Campinas e Manaus, além de centros de pesquisa. Todos os smartphones vendidos no país são produzidos localmente. A empresa inclusive atrasou em algumas semanas o lançamento dos novos dobráveis para garantir que todas as unidades já fossem fabricadas aqui.
Essa estrutura dá à Samsung uma vantagem tributária e logística relevante frente a concorrentes que dependem de importação. Em um cenário de câmbio volátil e custos crescentes de componentes, fabricar localmente reduz a exposição a variações do dólar e permite ajustes mais rápidos na cadeia produtiva.
A Samsung afirma, com base em dados da Nielsen, vender cinco em cada dez celulares no país e ter metade da população usando um aparelho da marca. Essa base instalada é o principal ativo para estimular upgrades. A lógica é simples: quem já usa Samsung tem mais propensão a migrar para um modelo mais caro da mesma marca.
O mercado de usados como próxima fronteira
Uma frente que pode ganhar relevância nos próximos anos é o mercado de usados. A Samsung já opera diretamente esse negócio nos Estados Unidos e está levando o modelo para a Europa e a Coreia do Sul. O Brasil está no radar.
A lógica faz sentido com a estratégia de dobráveis. Se a empresa facilita a troca do aparelho antigo e depois revende esses usados de forma estruturada, cria um ciclo virtuoso: o consumidor sente que está pagando menos pelo novo modelo, e a Samsung monetiza o aparelho devolvido. É um modelo que a Apple já executa com eficiência há anos.
A Samsung detém atualmente 40% do segmento premium no Brasil, segundo a Nielsen. Mas com a Apple prestes a entrar nos dobráveis e a Motorola já na liderança local do segmento, manter essa posição exigirá mais do que novos aparelhos. A guerra dos dobráveis está apenas começando, e o campo de batalha será definido por preço, financiamento e ecossistema, não apenas por hardware.
Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.