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Criptomoedas

Bitcoin sobe 7,5% em julho: o que esperar de agosto

Bitcoin encerra julho com ganho de 7,5% apesar de ventos contrários. Analistas apontam agosto volátil, com mercado dependente de ETFs e dados de emprego dos EUA.

Bitcoin sobe 7,5% em julho: o que esperar de agosto
Foto: Rafael Minguet Delgado / Unsplash

O bitcoin encerra julho com uma valorização de aproximadamente 7,5%, um resultado que surpreendeu boa parte do mercado. O ativo chegou a ser negociado abaixo de US$ 58 mil no início do mês, após uma onda de liquidações forçadas no mercado de derivativos no fim de junho. Desde então, recuperou terreno e se estabilizou acima de US$ 63 mil, mesmo diante de um cenário macro que não colaborou.

A lista de obstáculos nas últimas semanas foi considerável: expectativas renovadas de alta de juros pelo Federal Reserve, rendimento dos títulos do Tesouro americano em ascensão, uma correção abrupta nas ações ligadas a inteligência artificial e um incidente de segurança envolvendo a Coldcard, uma das carteiras de hardware mais conhecidas do mercado. Ainda assim, o bitcoin evitou a queda mais profunda que muitos temiam.

A questão agora é: essa resiliência se sustenta em agosto?

Por que o bitcoin caiu menos que ações alavancadas

A resposta para a firmeza relativa do bitcoin em julho está, em grande parte, no posicionamento dos traders. Segundo analistas da Bitfinex, o mercado cripto chegou à reunião do Fed com muito menos alavancagem do que o mercado de ações. Isso porque os derivativos já haviam sido purgados durante a liquidação do fim de junho, quando o BTC despencou abaixo de US$ 58 mil.

Desde então, as liquidações diárias médias ficaram bem abaixo da faixa típica de US$ 400 milhões a US$ 500 milhões observada ao longo do ano. Em outras palavras, o combustível para vendas forçadas simplesmente já havia sido gasto. Enquanto setores alavancados do mercado acionário sofreram com a reprecificação macro, o cripto absorveu o choque com relativa tranquilidade.

Esse fenômeno é relevante para quem acompanha os ciclos do mercado cripto. Historicamente, os momentos de maior estresse acontecem quando há excesso de alavancagem. Quando essa alavancagem é eliminada antes do evento de risco, o ativo tende a se comportar de forma mais estável.

Exploit da Coldcard reacende debate sobre custódia

Além do cenário macro, o mercado também digeriu as consequências de um exploit significativo envolvendo a Coldcard, que resultou no roubo de pelo menos US$ 38 milhões em bitcoin. O incidente não teve impacto material no preço até o momento, mas levantou questionamentos importantes sobre os riscos da autocustódia, um dos pilares filosóficos do ecossistema cripto.

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Segundo Paul Howard, diretor da firma de trading Wincent, os bitcoins roubados ainda não foram liquidados no mercado. Mas a perspectiva de que isso aconteça pode pressionar o preço no curto prazo. De forma mais ampla, o caso reforça os riscos operacionais que acompanham a autocustódia e pode, ironicamente, empurrar investidores para veículos regulados como os ETFs de bitcoin à vista.

O episódio se soma a uma série de exploits que vêm crescendo no ecossistema de ativos digitais. Para o investidor, a lição prática é que a segurança da custódia permanece um fator de risco tão relevante quanto qualquer variável macroeconômica.

Agosto deve ser volátil e sem direção clara

O consenso entre analistas aponta para um agosto instável, com o bitcoin provavelmente oscilando dentro de uma faixa de preço sem tendência definida. Jeff Anderson, sócio-diretor da STS Digital, afirmou que os mercados podem estar entrando em “um novo regime de volatilidade”, com investidores alternando entre expectativas de corte, pausa e alta de juros. Essa incerteza tende a manter pressão sobre ativos de alta volatilidade, como o bitcoin.

O próximo catalisador macro relevante é o relatório de emprego dos Estados Unidos, previsto para a primeira semana de agosto. Os analistas da Bitfinex esperam que os investidores mantenham postura defensiva até que haja mais clareza sobre a trajetória do Fed. Para eles, o sinal que os traders estão esperando é o retorno de compras institucionais agressivas via ETFs de bitcoin, algo que ainda não aconteceu.

A pesquisadora Lacie Zhang, da Bitget Wallet, resumiu o cenário base: um agosto “picotado”, com o bitcoin preso em faixa lateral, a menos que os rendimentos reais caiam ou os fluxos para ETFs voltem a ser consistentemente positivos. Segundo ela, o mercado pode absorver um Fed neutro. O que ele não consegue digerir ao mesmo tempo é dólar mais forte, rendimentos reais mais altos e demanda fraca por ETFs.

O que importa para o investidor de cripto agora

A dinâmica atual oferece uma leitura útil para quem investe em bitcoin. Primeiro, o fato de a alavancagem ter sido eliminada é positivo. Significa que o mercado está mais “limpo” e menos vulnerável a cascatas de liquidação. Segundo, a dependência dos fluxos institucionais via ETFs se tornou o termômetro mais importante do apetite comprador.

Desde o lançamento dos ETFs de bitcoin à vista nos Estados Unidos, esses produtos se tornaram a principal porta de entrada de capital institucional. Quando os fluxos são positivos, tendem a sustentar o preço. Quando secam, o ativo fica à mercê do sentimento macro. Como já analisamos em matérias sobre o impacto do Fed nos mercados, a política monetária americana continua sendo a variável dominante para praticamente todas as classes de ativos de risco.

O cenário para agosto, portanto, não é de crise, mas também não é de euforia. É de espera. O bitcoin provou que pode absorver choques quando o posicionamento está leve. Agora, precisa de um catalisador novo para sair da lateralidade. Os candidatos mais prováveis são uma sinalização mais clara do Fed sobre o futuro dos juros ou uma retomada consistente dos fluxos para ETFs.

Para o investidor, a mensagem é de paciência. Mercados laterais costumam premiar quem já está posicionado e punir quem tenta acertar o timing. O combustível das vendas forçadas foi gasto. A questão é de onde virá o combustível da próxima alta.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Renato Moura
Enxerga o mercado como vasos comunicantes: uma fala do Fed mexe no petróleo, o Bitcoin escorrega junto com as bolsas. Cobre a macro global e o efeito da política monetária e da geopolítica no preço dos ativos.
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