Criptomoedas

Morgan Stanley lança ETPs de Ethereum e Solana com taxa recorde

Gigante de Wall Street estreia fundos de ETH e SOL com taxa de 0,14% e staking incluso, ampliando ofensiva cripto que já acumula US$ 381 mi em Bitcoin.

Morgan Stanley lança ETPs de Ethereum e Solana com taxa recorde
Foto: Rafael Minguet Delgado / Unsplash

O Morgan Stanley anunciou nesta terça-feira o lançamento de dois novos produtos negociados em bolsa (ETPs) vinculados a Ethereum e Solana, apenas meses após estrear seu fundo de Bitcoin à vista. Os veículos, batizados de Morgan Stanley Ethereum Trust (MSSE) e Morgan Stanley Solana Trust (MSOL), começam a ser negociados na NYSE Arca com a menor taxa de administração do mercado: 0,14%.

A movimentação não é trivial. Estamos falando de um banco com US$ 9 trilhões sob gestão, cerca de 16 mil assessores financeiros e uma plataforma de varejo (E*TRADE) que alcança milhões de investidores individuais. Quando uma instituição desse porte amplia sua prateleira cripto, o sinal é claro: a demanda institucional por ativos digitais além do Bitcoin já não é mais uma aposta, é uma realidade operacional.

O que está por trás da ofensiva cripto do Morgan Stanley

O ponto de partida foi o Morgan Stanley Bitcoin Trust (MSBT), lançado no início deste ano. Até meados de julho, o fundo havia acumulado mais de US$ 381 milhões em ativos sob gestão. O resultado validou a tese interna de que havia apetite real entre os clientes da casa por exposição direta a criptomoedas, sem a necessidade de custodiar tokens por conta própria.

A expansão para Ethereum e Solana segue uma lógica de mercado bem mapeada. Desde a aprovação dos ETFs de Bitcoin à vista nos Estados Unidos, em janeiro de 2024, gestoras têm ampliado gradualmente suas ofertas. Produtos de Ethereum já estão consolidados, enquanto Solana surge como a próxima fronteira competitiva. Segundo dados compilados pela SoSoValue, já existem oito ETFs de SOL listados, com ativos líquidos totais de US$ 889,3 milhões.

Como explicamos em nossa cobertura sobre o mercado cripto, a corrida entre grandes gestoras para oferecer produtos de altcoins reflete uma mudança estrutural na forma como Wall Street enxerga ativos digitais.

Taxa de 0,14% e staking: a estratégia de preço agressiva

Ambos os produtos chegam ao mercado com taxa de administração de 0,14%, a mais baixa entre todos os ETPs de criptomoedas disponíveis. A guerra de taxas, iniciada com os ETFs de Bitcoin em 2024, agora se estende para Ethereum e Solana.

Mas o diferencial mais relevante está no staking. Tanto o MSSE quanto o MSOL planejam aplicar uma parcela das criptomoedas em staking, e as recompensas geradas serão repassadas integralmente aos cotistas. O Morgan Stanley não fica com nenhuma fatia dessas recompensas. Isso cria uma proposta de valor dupla: exposição ao preço do ativo mais rendimento passivo gerado pelo mecanismo de consenso das respectivas redes.

Essa abordagem chega em um momento em que investidores institucionais demonstram interesse crescente por mecanismos de renda em cripto. A BlackRock, por exemplo, dona do maior ETF de Bitcoin à vista do mercado, lançou recentemente um ETF de renda cripto voltado para clientes que buscam fluxo de caixa recorrente a partir de posições de longo prazo em Bitcoin.

A vantagem de distribuição que ninguém mais tem

Números à parte, o que diferencia o Morgan Stanley da maioria dos emissores de ETPs cripto é o alcance da sua rede de distribuição. O braço de wealth management da instituição conta com aproximadamente 16 mil assessores financeiros, que atendem uma base com mais de US$ 9 trilhões em ativos. Some a isso a E*TRADE, plataforma adquirida pelo banco em 2020, que dá acesso direto a milhões de investidores pessoa física nos Estados Unidos.

Para contextualizar: quando o Morgan Stanley decide colocar um produto cripto na prateleira, ele não precisa competir por atenção no varejo digital. O produto é apresentado diretamente na conversa entre assessor e cliente, dentro de um ecossistema que já detém a confiança do investidor. Esse é o tipo de vantagem estrutural que gestoras nativas de cripto simplesmente não conseguem replicar.

Essa dinâmica reforça um ponto que temos acompanhado na cobertura de finanças do BlockTrends: a adoção institucional de cripto não é mais sobre convencer bancos a entrarem no mercado, e sim sobre como eles vão dominar a distribuição.

O que isso significa para o investidor

A entrada do Morgan Stanley com produtos de ETH e SOL marca um estágio de maturação do mercado de ETPs cripto. Com taxas de 0,14% e staking incluso, a pressão competitiva sobre emissores existentes deve se intensificar. Produtos com taxas mais altas e sem repasse de rendimento de staking tendem a perder fluxo.

Para o investidor brasileiro, o movimento sinaliza uma tendência que provavelmente chegará ao mercado local com algum atraso. A CVM já autorizou fundos de cripto no Brasil, mas a oferta ainda é limitada em termos de diversificação de ativos e repasse de rendimentos de staking. A expansão de produtos como esses nos Estados Unidos costuma acelerar a demanda por veículos equivalentes em outros mercados.

O dado mais revelador talvez seja o seguinte: o fundo de Bitcoin do Morgan Stanley captou US$ 381 milhões em poucos meses, mesmo em um mercado onde dezenas de ETFs já competiam por atenção. Se o mesmo nível de demanda se repetir com Ethereum e Solana, estamos falando de um fluxo potencial de centenas de milhões de dólares para esses ativos nos próximos trimestres, tudo via canais institucionais tradicionais.

Amy Oldenburg, chefe de estratégia de ativos digitais do Morgan Stanley, resumiu a visão da instituição: “Ativos digitais estão se tornando um componente cada vez mais importante de portfólios diversificados de investimento”. A frase pode parecer protocolar, mas vinda de um banco com US$ 9 trilhões sob gestão, carrega um peso considerável.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Renato Moura
Enxerga o mercado como vasos comunicantes: uma fala do Fed mexe no petróleo, o Bitcoin escorrega junto com as bolsas. Cobre a macro global e o efeito da política monetária e da geopolítica no preço dos ativos.
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