Goldman Sachs lucra US$ 6,6 bi: o que explica o salto de 78%
Goldman Sachs superou projeções com folga no segundo trimestre de 2026. Receita de banco de investimento saltou 55%, e o banco elevou dividendo trimestral.
O Goldman Sachs entregou um segundo trimestre que poucos analistas previram com precisão. O banco reportou lucro líquido de US$ 6,63 bilhões entre abril e junho de 2026, uma alta de 78% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O lucro por ação chegou a US$ 20,98, contra uma expectativa do mercado em torno de US$ 14,50. A diferença entre o esperado e o entregue não foi marginal. Foi um gap de 44%.
O resultado coloca o Goldman em uma posição que o banco vinha buscando desde a reestruturação iniciada em 2023, quando decidiu abandonar o varejo bancário e concentrar esforços em sua operação institucional. O retorno sobre patrimônio líquido atingiu 23,5% no trimestre, um nível que poucos bancos globais conseguem sustentar.
O que impulsionou a receita recorde do Goldman Sachs
A receita líquida somou US$ 20,34 bilhões no trimestre, crescimento de 39% contra o segundo trimestre de 2025 e bem acima dos US$ 16,22 bilhões que o consenso projetava. O motor principal foi a divisão de Global Banking & Markets, que sozinha gerou US$ 15,52 bilhões em receita, alta de 53% na comparação anual.
Dentro dessa divisão, as taxas de banco de investimento saltaram 55%, para US$ 3,40 bilhões. Três frentes explicam o avanço: ofertas de ações, incluindo IPOs e follow-ons; emissões de dívida corporativa; e assessoria em fusões e aquisições. O banco informou ainda que sua carteira de negócios pendentes aumentou em relação ao fim do primeiro trimestre e ao encerramento de 2025, sinalizando que o pipeline de operações segue aquecido.
Esse cenário reflete um mercado de capitais que voltou a funcionar com força. Depois de um período prolongado de cautela nas operações de renda variável, empresas retomaram planos de abertura de capital e grandes conglomerados aceleraram transações de M&A. O Goldman, como líder histórico nesse segmento, capturou uma fatia desproporcional dessa retomada.
Disciplina no crédito e retorno ao acionista
Enquanto a receita disparava, o banco manteve disciplina no lado do risco. As provisões para perdas com crédito caíram de US$ 384 milhões para US$ 102 milhões, uma redução de 73%. Isso indica que a carteira de crédito do Goldman segue saudável, sem sinais de deterioração relevante mesmo em um ambiente de juros ainda elevados nos Estados Unidos.
As despesas operacionais subiram 26%, para US$ 11,67 bilhões, puxadas por maiores gastos com remuneração, algo esperado em trimestres de receita forte, já que boa parte da compensação em bancos de investimento é variável, e por custos atrelados ao volume de transações processadas.
O conselho de administração aprovou um aumento no dividendo trimestral de US$ 4,50 para US$ 5,00 por ação. No total, o banco devolveu US$ 5,36 bilhões aos acionistas no trimestre: US$ 4 bilhões em recompras de ações e US$ 1,36 bilhão em dividendos. Esse volume de retorno ao acionista é um sinal claro de que a gestão considera o balanço confortável e o fluxo de caixa previsível o suficiente para sustentar distribuições robustas.
O que o resultado diz sobre o momento de Wall Street
O desempenho do Goldman não aconteceu no vácuo. Ele é um termômetro do que está acontecendo no mercado financeiro global. Quando o banco de investimento mais focado em operações institucionais do mundo reporta um salto de 53% na divisão de mercados, a mensagem é inequívoca: há liquidez abundante, apetite por risco e um ciclo de transações em aceleração.
Para investidores brasileiros, o dado é relevante por duas razões. Primeiro, porque o aquecimento do mercado de capitais americano tende a transbordar para mercados emergentes, atraindo fluxo e abrindo janelas de captação para empresas brasileiras listadas em Nova York. Segundo, porque o nível de atividade em M&A global costuma antecipar movimentos semelhantes no mercado doméstico com defasagem de um a dois trimestres.
O Goldman também é um caso de estudo em reestruturação bem-sucedida. A decisão de abandonar o Marcus, seu braço de banco digital voltado ao consumidor, e dobrar a aposta na operação institucional parecia arriscada em 2023. Três anos depois, os números validam a estratégia. O banco voltou ao que sabe fazer melhor e está colhendo resultados.
Dividendo maior e ação em alta: o que esperar
No pré-mercado, as ações do Goldman subiam 1,37% após a divulgação. A alta pode parecer modesta diante de resultados tão fortes, mas é importante lembrar que os papéis já acumulavam valorização expressiva ao longo dos últimos 12 meses, com o mercado antecipando parcialmente a melhora operacional.
O aumento do dividendo para US$ 5,00 por ação, em uma base trimestral, coloca o rendimento anual em US$ 20 por ação. Para um banco que há poucos anos pagava menos da metade disso, a trajetória é significativa. Combinado com o programa agressivo de recompra, o Goldman segue sendo uma das máquinas mais eficientes de geração de valor para o acionista entre os grandes bancos globais.
A questão agora é se esse ritmo se sustenta. O backlog crescente sugere que sim, ao menos para os próximos dois trimestres. Mas o cenário depende da continuidade de condições favoráveis no mercado de capitais, algo que está diretamente ligado à trajetória de juros nos Estados Unidos e ao apetite por risco global. Se o Fed sinalizar cortes mais agressivos no segundo semestre, o pipeline de IPOs e emissões pode ganhar ainda mais tração, beneficiando exatamente o tipo de operação em que o Goldman domina.
Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.