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Lucros do S&P 500 no 2T26: maior alta em 5 anos

FactSet projeta expansão superior a 29% nos lucros do S&P 500 no segundo trimestre de 2026. É o maior avanço desde o 4T21. Entenda o que está por trás.

Lucros do S&P 500 no 2T26: maior alta em 5 anos
Foto: Rafael Minguet Delgado / Unsplash

A temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 nos Estados Unidos pode marcar um ponto de inflexão para os lucros corporativos americanos. Segundo projeções da FactSet, o crescimento agregado dos lucros das empresas que compõem o S&P 500 deve superar 29% na comparação anual. Se confirmado, será o maior avanço registrado pelo índice desde o quarto trimestre de 2021, quando a alta foi de 32%.

O número impressiona não apenas pela magnitude, mas pelo que revela sobre o momento das companhias americanas. Depois de trimestres marcados por compressão de margens, pressão de juros elevados e incertezas geopolíticas, as grandes empresas dos EUA parecem ter encontrado um ritmo de crescimento mais robusto.

Por que os lucros do S&P 500 devem crescer tanto no 2T26

A explicação para o número acima de 29% passa por um fenômeno recorrente nas temporadas de balanços, mas que neste trimestre se mostra particularmente forte: a superação das estimativas de lucro por ação pelos resultados efetivos.

A dinâmica funciona assim. Antes da temporada, analistas projetam lucros com base em modelos e guidances das empresas. Quando os resultados reais começam a ser divulgados e superam essas projeções, a taxa de crescimento agregada do índice é revisada para cima. Quanto maior a proporção de empresas que batem as estimativas, e quanto maior a margem de superação, mais o número final se distancia da projeção original.

John Butters, analista sênior da FactSet, ilustra o efeito com um exemplo direto. Imagine uma empresa com lucro projetado de US$ 1,05 por ação, contra US$ 1,00 no mesmo trimestre do ano anterior. O crescimento esperado seria de 5%. Se o resultado real vier em US$ 1,10, o crescimento efetivo salta para 10%, cinco pontos percentuais acima. Multiplique esse efeito por centenas de empresas e o impacto no agregado é substancial.

Primeiros balanços já confirmam a tendência

Até 10 de julho, 18 empresas do S&P 500 já haviam divulgado seus resultados do segundo trimestre. Embora seja uma amostra pequena, os números iniciais reforçam a expectativa de revisão positiva. A proporção de surpresas favoráveis nos primeiros balanços está alinhada com o padrão histórico que sustenta a projeção da FactSet.

Para quem acompanha o mercado financeiro americano, o dado é relevante por dois motivos. Primeiro, lucros crescendo nesse ritmo tendem a sustentar múltiplos de valuação que, em outros cenários, pareceriam esticados. Segundo, a saúde dos resultados corporativos é um termômetro direto da atividade econômica real, algo que indicadores macroeconômicos nem sempre capturam com precisão.

Contexto histórico: o que aconteceu da última vez

O último trimestre em que o S&P 500 registrou crescimento de lucros dessa magnitude foi o quarto trimestre de 2021. Naquele momento, as empresas americanas colhiam os frutos da reabertura pós-pandemia, demanda reprimida e estímulos fiscais ainda presentes na economia. O cenário atual é fundamentalmente diferente.

Em 2026, o crescimento vem em um ambiente de juros mais elevados do que em 2021, sem estímulos fiscais extraordinários e com uma base de comparação que já não carrega as distorções da pandemia. Isso torna o avanço de 29% ainda mais significativo, porque sugere uma expansão de lucros mais orgânica e menos dependente de fatores temporários.

Outro ponto relevante: a composição setorial do crescimento pode ter mudado. Em 2021, setores como energia e tecnologia lideraram. Para o segundo trimestre de 2026, o peso das big techs e empresas ligadas à inteligência artificial pode ser determinante para o resultado agregado.

O que isso significa para quem investe

Lucros corporativos são, no longo prazo, o principal motor de retorno das ações. No curto prazo, o que importa é a relação entre expectativa e resultado. E é exatamente aí que a temporada do 2T26 pode gerar oportunidades.

Se o crescimento de 29% se confirmar, o S&P 500 terá demonstrado capacidade de entregar resultados robustos mesmo em condições monetárias menos acomodatícias. Para investidores brasileiros, isso tem implicações diretas. O desempenho das bolsas americanas influencia o fluxo de capital global, o apetite por risco em mercados emergentes e até o comportamento do câmbio.

Quem mantém exposição internacional, seja via ETFs, BDRs ou ativos digitais correlacionados ao mercado americano, deve prestar atenção à evolução dos balanços nas próximas semanas. A temporada completa vai até meados de agosto, e cada semana traz uma nova leva de resultados que pode confirmar ou frustrar as projeções.

Os riscos que podem atrapalhar

Projeções são exatamente isso: projeções. Existem fatores que podem impedir que o crescimento de 29% se materialize na íntegra. Tensões geopolíticas, como os atritos recentes entre grandes potências, podem afetar cadeias de suprimento e guidances futuros. Revisões de política monetária pelo Federal Reserve também entram na equação.

Além disso, a concentração dos lucros em poucas empresas de altíssima capitalização é um risco estrutural. Se as megacaps decepcionarem, o número agregado pode cair de forma desproporcional, mesmo que a maioria das companhias entregue bons resultados.

A temporada do 2T26 está apenas começando. Mas os sinais iniciais apontam para o que pode ser o melhor trimestre de resultados corporativos em cinco anos nos Estados Unidos. Para quem investe com horizonte de médio e longo prazo, acompanhar a evolução desses números é mais útil do que reagir às manchetes do dia.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Renato Moura
Enxerga o mercado como vasos comunicantes: uma fala do Fed mexe no petróleo, o Bitcoin escorrega junto com as bolsas. Cobre a macro global e o efeito da política monetária e da geopolítica no preço dos ativos.
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