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PMIs europeus e techs puxam bolsas mesmo com NY fechada

Europa fechou em alta com revisão positiva dos PMIs e recuperação das techs. Liquidez foi reduzida pelo feriado nos EUA, mas apetite por risco prevaleceu.

PMIs europeus e techs puxam bolsas mesmo com NY fechada
Foto: Jakub Zerdzicki / Unsplash

Bolsas europeias sobem em sessão esvaziada pelo feriado dos EUA

Os principais índices da Europa fecharam a sexta-feira em alta generalizada, mesmo com a ausência de Wall Street por conta do feriado da Independência nos Estados Unidos. O DAX, de Frankfurt, liderou os ganhos entre as grandes praças ao subir 0,85%, para 25.797 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 foi o destaque absoluto: alta de 1,40%.

O FTSE 100, de Londres, avançou 0,25%, a 10.679 pontos. O CAC 40, de Paris, ganhou 0,39%. Em Milão, o FTSE MIB subiu 0,75%, e o Ibex 35, de Madri, avançou 0,93%. A liquidez foi notavelmente menor do que o habitual, o que tende a amplificar movimentos em ambas as direções.

O ponto relevante aqui não é a alta em si, que foi modesta, mas o que ela revela sobre o humor dos investidores europeus quando operam sem a referência de Nova York. A disposição para comprar risco, mesmo em ambiente de volume reduzido, sugere uma convicção crescente de que o pior do ciclo restritivo pode estar ficando para trás. Para quem acompanha os mercados globais pelo prisma das finanças, esse tipo de sessão funciona como termômetro de confiança.

PMIs de serviços melhoram, mas contração persiste

Os dados de atividade econômica deram suporte ao otimismo. Os PMIs de serviços de junho na Alemanha, na zona do euro e no Reino Unido foram revisados para cima em relação às leituras preliminares. Na prática, a economia europeia está menos fraca do que se imaginava há duas semanas.

Há um porém importante: mesmo com as revisões positivas, os índices de serviços permaneceram abaixo dos 50 pontos, a linha que separa expansão de contração. Ou seja, a atividade ainda está encolhendo. Está encolhendo menos do que se temia, o que para o mercado financeiro já é motivo suficiente para comprar.

Esse é um padrão recorrente nos mercados. Investidores não operam a realidade absoluta dos dados, mas a diferença entre expectativa e resultado. Como mostramos em análises anteriores sobre indicadores econômicos, a surpresa relativa importa mais do que o número em si. Um PMI de 48,5 que era esperado em 47,2 gera mais euforia do que um PMI de 51 que era esperado em 52.

BCE tenta acalmar o mercado sobre ciclo de juros

No campo da política monetária, o dirigente do Banco Central Europeu Emmanuel Moulin tratou de calibrar expectativas. Segundo ele, a alta de juros de junho não representa o início de um novo ciclo de aperto monetário. A mensagem foi clara: as próximas decisões continuarão dependentes dos dados.

Moulin destacou a queda recente do petróleo como fator positivo para a trajetória da inflação. Petróleo mais barato alivia pressões inflacionárias pela cadeia de custos, o que eventualmente dá mais espaço para o BCE interromper ou reverter o aperto.

Para investidores brasileiros que acompanham o cenário global, a postura do BCE importa por duas razões. Primeiro, porque sinaliza uma tendência entre bancos centrais de economias desenvolvidas de evitar surpresas hawkish. Segundo, porque a direção da política monetária europeia influencia fluxos de capital que acabam chegando a mercados emergentes. Quando o BCE sinaliza que não vai apertar além do necessário, parte do capital que ficaria estacionado em títulos europeus busca retorno em outros mercados, incluindo o Brasil, como discutimos ao analisar o impacto dos juros globais nos ativos domésticos.

Setor de tecnologia lidera com semicondutores em destaque

O setor de tecnologia europeu subiu 1,4% na sessão, puxado pela recuperação das fabricantes de semicondutores. A holandesa ASML avançou 3,2%, a ASM International ganhou 3,6% e a alemã Infineon subiu 1,4%. O movimento acompanhou a alta das fabricantes asiáticas de chips, refletindo um realinhamento global no setor.

A narrativa dos semicondutores continua sendo uma das mais poderosas do mercado. Empresas como ASML, que fabrica as máquinas de litografia ultravioleta extrema usadas na produção dos chips mais avançados do mundo, ocupam uma posição estratégica na cadeia de valor da inteligência artificial. Cada ciclo de investimento em IA passa, obrigatoriamente, por mais demanda para essas companhias.

Em Paris, a Pluxee subiu mais de 7% após reportar receita trimestral acima do esperado, apesar de alertar para impactos da nova regulamentação do mercado de vale-refeição no Brasil. Do lado negativo, a L’Oréal cedeu 1,4% e a Rheinmetall, empresa de defesa alemã, recuou 2% após o JPMorgan apontar riscos adicionais para suas perspectivas.

O que essa sessão revela sobre o segundo semestre

Sessões como a de sexta-feira funcionam como microcosmos do sentimento predominante. Com volume baixo e sem a influência de Wall Street, os investidores europeus mostraram que estão dispostos a comprar ativos de risco na margem. Isso não significa que o caminho adiante será linear. PMIs em contração, incerteza sobre juros e tensões geopolíticas seguem como riscos reais.

Mas a combinação de dados melhores que o esperado, comunicação cautelosa dos bancos centrais e recuperação do setor tech cria um ambiente construtivo para ativos de risco no curto prazo. Para investidores que olham para a Europa como parte de uma alocação global diversificada, o recado é que o mercado está precificando um cenário de pouso suave, não de recessão profunda.

O teste real vem na próxima semana, quando Wall Street retorna com volume cheio e novos dados econômicos americanos entram no radar. Até lá, a Europa mostrou que consegue sustentar apetite por risco por conta própria, mesmo que em doses modestas.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Renato Moura
Enxerga o mercado como vasos comunicantes: uma fala do Fed mexe no petróleo, o Bitcoin escorrega junto com as bolsas. Cobre a macro global e o efeito da política monetária e da geopolítica no preço dos ativos.
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