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SpaceX vale US$ 2,6 tri e supera Amazon brevemente

Empresa de Elon Musk atingiu valor de mercado recorde em rodada secundária, superando brevemente a Amazon. Entenda o que sustenta esse valuation.

SpaceX vale US$ 2,6 tri e supera Amazon brevemente
Foto: SpaceX / Unsplash

A SpaceX atingiu um valuation de US$ 2,6 trilhões em sua mais recente rodada de negociação secundária, ultrapassando brevemente a Amazon em valor de mercado. O número coloca a empresa de Elon Musk em um território que, até pouco tempo, era reservado exclusivamente a gigantes de capital aberto como Apple, Nvidia e Microsoft.

O dado merece contexto. A Amazon fechou o pregão desta terça-feira avaliada em cerca de US$ 2,5 trilhões. A SpaceX, que não tem ações negociadas em bolsa, superou essa marca em transações no mercado secundário, onde funcionários e investidores iniciais vendem participações a novos compradores.

O que sustenta um valuation de US$ 2,6 trilhões

A resposta curta: Starlink. A divisão de internet via satélite da SpaceX se transformou no maior motor de receita da empresa, com mais de 5 milhões de assinantes globais e uma receita anualizada que, segundo estimativas da Bloomberg, supera US$ 12 bilhões. É um negócio com margens crescentes e uma barreira de entrada quase intransponível.

O negócio de lançamentos, embora icônico, representa uma fatia menor do valuation. A SpaceX domina o mercado global de lançamentos orbitais com o Falcon 9 e avança no desenvolvimento do Starship, o foguete que pretende viabilizar missões a Marte e contratos bilionários com a NASA.

A combinação é rara: uma empresa que opera em dois mercados enormes, com liderança tecnológica e sem concorrência direta relevante em nenhum deles. Como discutimos frequentemente na cobertura de tecnologia, esse tipo de vantagem competitiva tende a ser precificado de forma agressiva pelo mercado.

Mercado privado versus mercado público: por que isso importa

Há uma diferença fundamental entre o valuation de uma empresa pública e o de uma privada. No mercado aberto, o preço é definido por milhões de transações diárias, com alta liquidez e transparência. No secundário, bastam algumas dezenas de negociações entre partes sofisticadas para definir o preço.

Isso significa que o número de US$ 2,6 trilhões precisa ser lido com cuidado. Ele reflete o preço marginal, ou seja, quanto o último comprador estava disposto a pagar por uma fatia minúscula da empresa. Não necessariamente representa o que o mercado pagaria pela empresa inteira se ela abrisse capital amanhã.

Ainda assim, a tendência é inegável. Em 2023, a SpaceX era avaliada em cerca de US$ 180 bilhões. Em 2024, saltou para US$ 350 bilhões. Agora, em 2025, multiplicou por mais de sete vezes em pouco mais de dois anos. Para quem acompanha os movimentos dos grandes alocadores de capital, esse tipo de trajetória sinaliza uma mudança estrutural na forma como o mercado precifica empresas de infraestrutura tecnológica.

O efeito Musk e os riscos do modelo

Ignorar o fator Elon Musk seria ingênuo. O empresário está no centro de pelo menos cinco empresas de grande porte simultaneamente: Tesla, SpaceX, X (antigo Twitter), xAI e Neuralink. Sua influência política cresceu exponencialmente desde 2024, com um papel ativo no governo dos Estados Unidos.

Para investidores, isso cria um risco de concentração de pessoa-chave que raramente é discutido. Se Musk se afastar da operação, o impacto sobre a precificação seria significativo. A SpaceX tem uma gestão operacional sólida sob a presidente Gwynne Shotwell, mas o prêmio de “gênio visionário” está embutido no valuation.

Há também o risco regulatório. A SpaceX depende de contratos governamentais com a NASA e o Departamento de Defesa, além de licenças da FAA para lançamentos. Qualquer mudança política que altere essa dinâmica afetaria diretamente a tese de investimento.

O que isso muda para o investidor brasileiro

Diretamente, pouco. A SpaceX não é acessível para o investidor de varejo, seja no Brasil ou nos Estados Unidos. As ações não são negociadas em bolsa, e o mercado secundário exige tickets mínimos elevados e acesso a plataformas especializadas.

Indiretamente, o movimento reforça uma tendência que já discutimos ao analisar a diversificação geográfica das carteiras brasileiras: os maiores geradores de valor estão fora do Brasil e, cada vez mais, fora do mercado público. A gestora IP Capital, por exemplo, revelou recentemente que mantém 66% de sua carteira no exterior.

Para quem investe em ETFs globais ou BDRs, vale monitorar se a SpaceX fará um IPO nos próximos anos. Musk já sinalizou que o Starlink poderia ser listado separadamente quando atingir fluxo de caixa previsível. Se isso acontecer, seria o maior IPO da história.

Um marco simbólico com substância real

A SpaceX superando a Amazon em valuation, mesmo que brevemente, não é apenas um marco simbólico. É um dado sobre para onde o capital global está migrando: empresas de infraestrutura tecnológica profunda, com monopólios naturais e potencial de crescimento exponencial.

A pergunta que fica é se o mercado privado está precificando corretamente ou se há exuberância. Com um valuation equivalente a mais de 200 vezes a receita estimada, mesmo os otimistas precisam reconhecer que o preço embute décadas de crescimento perfeito. A história mostra que essa perfeição raramente se materializa.

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Sobre o autor
Renato Moura
Jornalista especializado em finanças, tecnologia e criptoativos. Cobre mercados financeiros, inovação e os impactos da economia digital no Brasil e no mundo.
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