Tecnologia

Guerra dos chips de IA: quem lidera a corrida em 2025

O mercado global de semicondutores para IA deve superar US$ 200 bilhões neste ano. Entenda quem lidera, quem está ficando para trás e o que isso muda.

Guerra dos chips de IA: quem lidera a corrida em 2025
Foto: Andrey Matveev / Unsplash

O mercado de semicondutores voltados para inteligência artificial se tornou o campo de batalha mais caro da indústria de tecnologia. Segundo estimativas da Gartner, o segmento deve movimentar mais de US$ 200 bilhões em 2025, um crescimento de 37% em relação ao ano anterior. A corrida envolve gigantes como TSMC, Nvidia, Samsung, Intel e uma safra crescente de startups que tentam furar o oligopólio.

O que chama atenção não é apenas o volume de dinheiro. É a velocidade com que as posições competitivas estão mudando. Empresas que dominaram a última década enfrentam ameaças reais, enquanto novos entrantes redefinem o que significa fabricar e projetar chips para IA.

Nvidia ainda domina, mas o cerco está se fechando

A Nvidia controla cerca de 80% do mercado de GPUs para treinamento de modelos de IA, segundo dados da TechInsights. Seus chips da família Blackwell, lançados no final de 2024, se tornaram o padrão da indústria para data centers que rodam grandes modelos de linguagem. A receita da divisão de data center da empresa cresceu 122% no último ano fiscal.

Mas o domínio absoluto começa a encontrar resistência. Google, Amazon e Microsoft desenvolvem chips proprietários para reduzir a dependência da Nvidia. O TPU v6 do Google e o Trainium 2 da Amazon já processam parcelas significativas das cargas de trabalho internas dessas empresas. Como analisamos em nossa cobertura de tecnologia, a verticalização dos semicondutores pelas big techs é uma das tendências mais relevantes do setor.

A AMD, por sua vez, ganhou terreno com a linha MI300X, conquistando contratos com provedores de nuvem que buscam alternativa competitiva. A empresa projeta US$ 5 bilhões em receita com chips de IA neste ano.

TSMC: a fábrica que todos precisam (e ninguém consegue replicar)

Se a Nvidia projeta os chips, quem os fabrica é a TSMC. A empresa taiwanesa detém mais de 60% do mercado global de fabricação de semicondutores por contrato e praticamente monopoliza os nós mais avançados, de 3 e 2 nanômetros. Todo chip de IA de ponta, seja da Nvidia, Apple, AMD ou Qualcomm, passa por suas fábricas.

Essa concentração cria um risco geopolítico que governos ao redor do mundo tentam mitigar. Os Estados Unidos investiram mais de US$ 52 bilhões via CHIPS Act para atrair fábricas ao território americano. A TSMC já opera uma planta no Arizona e planeja investir US$ 65 bilhões no total em solo americano até 2028.

O problema é que replicar a eficiência da TSMC em Taiwan exige anos. As primeiras remessas da fábrica americana apresentaram rendimentos abaixo do esperado, segundo reportagem da Bloomberg. A dependência global de uma ilha no Estreito de Taiwan continua sendo uma das maiores vulnerabilidades da cadeia de suprimentos tecnológica.

Samsung aposta alto para recuperar relevância

A Samsung, historicamente a segunda maior foundry do mundo, perdeu terreno significativo para a TSMC nos últimos três anos. Problemas de rendimento nos processos de 3nm afastaram clientes de alto perfil. A empresa anunciou recentemente um plano agressivo de investimentos em chips de IA, como detalhamos em nossa análise sobre a estratégia da Samsung.

O foco agora está na memória HBM (High Bandwidth Memory), componente essencial para GPUs de IA. A Samsung é uma das três fabricantes globais de HBM, ao lado da SK Hynix e Micron. A SK Hynix lidera o segmento com contratos exclusivos junto à Nvidia, mas a Samsung busca conquistar fatia com a tecnologia HBM3E de 12 camadas.

A aposta faz sentido estratégico. Se a empresa não consegue competir com a TSMC na fabricação de chips lógicos, pode se tornar indispensável no fornecimento de memória avançada, um mercado que deve crescer 85% neste ano segundo a TrendForce.

Intel tenta se reinventar como foundry independente

A Intel vive talvez o momento mais crítico de sua história. A empresa separou formalmente sua divisão de foundry, chamada Intel Foundry, em uma subsidiária independente, buscando atrair clientes externos. O objetivo é competir com a TSMC oferecendo fabricação avançada em solo ocidental.

Os desafios são enormes. A Intel Foundry registrou prejuízo operacional de US$ 7 bilhões em 2024. O processo 18A, que deveria ser a aposta de virada, ainda está em fase de qualificação. Enquanto isso, a empresa queima caixa e perde participação no mercado de processadores para servidores, justamente o segmento que a IA está transformando.

Analistas do Morgan Stanley estimam que a Intel precisa de pelo menos três anos para alcançar volumes competitivos em sua foundry. Até lá, como mostramos em nossa seção de finanças, o mercado precifica a empresa com um desconto de 45% em relação aos múltiplos históricos.

O que isso significa para quem acompanha o setor

A guerra dos chips de IA não é apenas uma disputa entre empresas. É uma reorganização industrial com implicações geopolíticas, financeiras e tecnológicas profundas. Quem controla a fabricação de semicondutores avançados controla o ritmo de evolução da inteligência artificial.

Para investidores, o setor oferece oportunidades e armadilhas. A Nvidia negocia a 35 vezes o lucro projetado, refletindo expectativas altíssimas. A TSMC, a 22 vezes. Já a Intel, a 15 vezes, mas com execução ainda incerta. O diferencial entre vencedores e perdedores nessa corrida será medido em nanômetros e em bilhões de dólares.

O segundo semestre de 2025 deve trazer definições importantes: a TSMC inicia produção em 2nm, a Samsung precisa provar que sua HBM é competitiva e a Intel enfrenta o prazo para validar seu processo 18A. A corrida dos chips de IA está longe de acabar.

Compartilhar
Sobre o autor
Lucas Ferreira
Jornalista especializado em tecnologia e inteligencia artificial. Cobre big techs, startups, IA generativa, ciberseguranca e transformacao digital para o portal BlockTrends.
Continue scrollando para a próxima matéria…