Economia

5 efeitos da guerra na Ucrânia que devem ser sentidos no seu bolso

Dois dos maiores produtores de commodities do mundo estão em conflito, e o resultado já pode ser sentido diretamente no seu bolso

A invasão iniciada pela Rússia tem se prolongado com um avanço mais lento do que se esperava inicialmente. Para alguns analistas, pode ser uma questão calculada pela própria Rússia, que indiretamente se beneficiaria com a extensão do conflito, uma vez que este impacta diretamente aquilo que o país produz de mais valioso: energia.

Para outros, houve um erro de cálculo no Kremlin, que esperava ser bem recebido por ucranianos, ou que a organização do tratado do atlântico norte (OTAN), permaneceria desunida. 

Independentemente da visão que impere, porém, é fato que a guerra tem provocado efeitos adversos na economia. E estes efeitos estão se multiplicando ao redor do planeta.

Pensando nisso, resumimos aqui 5 efeitos da guerra da Ucrânia que os “meros” 12 dias de conflito já tiveram nos mercados globais e no seu bolso 

1. O Petróleo atingiu o maior valor em 8 anos e a gasolina no Brasil já está 40% defasadas

Segundo maior produtor mundial de petróleo, a Rússia está enfrentando dificuldades para exportar. Boatos de que a Shell estaria pagando até 20% menos pelo petróleo russo contribuíram, não para a queda do preço do barril, mas para pressionar governos nos EUA e Europa a agir para vetar importações de forma mais veemente.

Para alguns analistas é um cenário perigoso, tendo em vista que tal medida foi adotada em 1941 contra o Japão, e teria levado a uma escalada na segunda guerra. Ainda que o paralelo histórico possa ser feito, o cenário atual é oposto, afinal, a Rússia é exportador líquido de petróleo. Contudo, vetar importações do país significa reduzir de maneira abrupta a oferta de petróleo no mundo.

Considerando que passamos os últimos 10 anos aumentando barreiras para produzir petróleo ao redor do mundo, o corte das importações significaria elevar drasticamente o preço do barril, prejudicando mais economias europeias do que as exportadoras.

Apesar de produzir e exportar petróleo, o Brasil tem seguido o preço internacional, o que se por um lado ajudou a Petrobras a se recuperar de uma situação de risco para a estatal, tornando-a hoje uma das petrolíferas mais lucrativas do mundo, por outro significa repassar um custo elevado à população.

O último reajuste de preços da empresa foi feito em 12 de janeiro, quando a gasolina subiu 8%. De lá pra cá o petróleo subiu ao menos 40%. Na prática, se decidir manter o preço do combustível atrelado ao custo internacional, a Petrobras contribuiria para um desastre na renda das famílias.

Tornou-se inviável portanto manter tal política, o que por sua vez eleva o risco dado que o governo terá de tomar uma decisão sobre como aliviar a alta de preços.

A depender da maneira como for feita tal intervenção, o custo pode se diluir para outras áreas da economia. Certo apenas é que você deverá pagar mais caro, ainda que indiretamente.

2. As commodities que o Brasil é importador, como trigo, dispararam

Apesar de ser considerado por muitos ufanistas como “o celeiro do mundo”, por sua produção de 240 milhões de toneladas de grãos por ano, o suficiente para alimentar 800 milhões de pessoas (ou 4 vezes a população brasileira), o país ainda é importador de determinados tipos de grãos.

No trigo, o Brasil consome ao menos 12,2 milhões de toneladas, dos quais 6,5 milhões são importadas.

Trata-se de um elemento básico para produção de pães e massas, parte relevante da dieta das famílias.

Ainda que mais de 90% das nossas importações venha da Argentina, a um custo anual de $1,8 bilhão. 

A alta de cerca de 40% no preço do trigo desde o início da guerra ocorre pois Ucrânia e Rússia respondem por 29% do total de trigo exportado no mundo. Com o aumento do conflito, espera-se uma dificuldade maior para a oferta do grão. 

3. As commodities que o Brasil é exportador ficaram mais caras de se produzir

Se por um lado há queda na produção de determinados grãos, por outro o problema está na posição relevante da Rússia como exportador de fertilizantes.

O país é o maior exportador do mundo, com $8,9 bilhões de dólares por ano em vendas de produtos ligados ao insumo agrícola. Já o Brasil, é o maior importador. Por aqui trazemos $1,85 bilhão de dólares de fertilizantes russos, cerca de 13% de tudo que consumimos.

Assim como as commodities, os fertilizantes também são cotados em dólar.

No último ano, o país produziu R$470 bilhões no campo. O aumento do preço de fertilizantes, por outro lado, elevou os custos de produção por 2 vias, a primeira, claro, pelo lado da oferta, e a segunda pela desvalorização do real. 

Ao menos R$1 em cada R$5 faturados pelo agro brasileiro se vai para bancar fertilizantes. 

4. A guerra deve adiar a alta de juros com o temor de uma recessão 

A escalada do conflito levou os países ricos a repensarem sua estratégia de alta de juros, prevista para ocorrer com maior intensidade neste ano. Mais um dos efeitos da guerra da Ucrânia que deverá ser sentido no seu bolso será o temor do mercado.

O FED, o banco americano, que previa até 6 altas de juros, já recuou. O ECB, o banco central europeu, também seguiu por uma linha similar.

O risco é de que o aumento no custo da energia possa provocar uma recessão nas economias desenvolvidas, algumas ainda fragilizadas pela pandemia.

Com isso, a ideia de aumentar o custo para investimentos e consumo, algo que poderia controlar a inflação, fica prejudicada. Entre mais inflação e menor crescimento, os governos devem ignorar o primeiro e buscar maior crescimento.

Trata-se de uma boa notícia para investimentos como o Bitcoin, cuja principal função é proteger investidores de eventuais decisões de política monetária que busquem reduzir o valor da moeda para buscar crescimento artificial.

A iminência de uma alta na taxa de juros e redução de estímulos reduziu o preço do Bitcoin nos últimos meses, algo que tem sido revisto agora. 

5. Inflação permanentemente transitória 

A inflação é, em essência, a desvalorização do dinheiro, mas isso não ocorre de forma sistemática. Como Richard Cantillon mostrou ainda no século XVIII, aqueles que estão mais próximos da impressora de dinheiro tendem a se beneficiar.

Governos em qualquer lugar do planeta se beneficiam de uma alta de preços, pois são eles quem primeiro podem gastar as notas impressas, e ao final, serão eles que irão aumentar sua arrecadação.

A alta de 75% no preço da gasolina por aqui no Brasil fez os governos estaduais terem o melhor resultado fiscal da história. Sobrou mais de R$100 bilhões nos cofres públicos em 2021. E dificilmente eles irão querer recuar. Ao contrário, seguirão aumentando impostos junto de preços, como no caso do IPVA.

A expectativa é de que na ânsia de evitar uma recessão, os governos sejam mais lenientes com a inflação. O problema, claro, é que não é improvável que acabemos por ter ambos: inflação e recessão.

Estes são os 5 efeitos da guerra na Ucrânia que devem ser sentidos no seu bolso.

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