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3 vezes em que a blockchain foi aplicada no combate à COVID-19


Por Gabriel Aleixo
abril 7, 2020

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Se você chegou a este artigo esperando que a blockchain seja uma cura milagrosa para a atual pandemia, você irá se decepcionar. A blockchain não é solução isolada de nada. Por outro lado, se acha que a tecnologia pode dar mais transparência e eficiência a certos processos, acelerando algumas medidas capazes de nos tirar dessa, eu tenho boas notícias.

  • Resumo da notícia:
    – Criptomoedas são uma forma rápida e barata de doar recursos
    – A blockchain está sendo usada em identidades digitais no trabalho remoto
    – Stablecoins podem ser utilizadas para distribuição de renda emergencial

BLOCKCHAIN COMO SOLUÇÃO GENERALISTA

Ao contrário do que se cogitou nos anos de 2016 e 2017, durante o boom dos ICOs, a blockchain não é capaz de resolver todos os problemas de confiança do mundo. Até porque não são poucos. Após um período de amadurecimento no mercado, hoje, muitas indústrias deixaram o hype de lado para propor soluções mais sensatas.

Em momentos de crise como o atual, entretanto, é natural que propostas de todos os tipos ganhem espaço, das mais racionais às muito questionáveis. O caso de uso mais óbvio são as remessas internacionais de valor. O Bitcoin sozinho teve volume médio de movimentações financeiras nos últimos dias superior a 40 bilhões de dólares, dando uma ideia da liquidez que possui. Ou seja, ele pode ser facilmente convertido de ou para reais, dólares, euros, etc, ainda que em grandes montantes.

Somando-se ao fato de que temos, ainda, na tecnologia blockchain um meio rápido, barato e altamente confiável para fazer transações, vêm ajudar largamente a aceitação neutra da divisa e sua forte liquidez global. O Bitcoin não possui pátria ou dono, sendo gerido por centenas de milhares de servidores voluntários espalhados por todo o planeta (e até mesmo alguns satélites fora dele)! Qualquer um que não possua BTC pode rapidamente comprar suas primeiras frações. E qualquer possuidor de valores em bitcoins pode transmiti-los num piscar de olhos.

CRIPTOMOEDAS NA FILANTROPIA

Diante de tudo isso, a primeira vez em que a blockchain aparece como aliada no combate aos transtornos causados pelo coronavírus surgiu com o braço de filantropia da gigante Binance. Com centenas de funcionários de origem chinesa, a exchange agiu até mesmo antes do olho do furacão, estabelecendo rapidamente doações de equipamentos médicos para a cidade de Wuhan. Em seguida, diante da expansão mundial da epidemia, estabeleceu a iniciativa Crypto Against COVID. Por meio dela, a empresa irá receber doações em quatro diferentes criptoativos (BTC, BNB, XRP e BUSD).

O objetivo é investir os recursos nos países mais afetados pelo vírus, como Itália, Alemanha, Espanha, Irã, Turquia, EUA e Reino Unido. Além da transferência imediata dos recursos, quando feitos através da blockchain dessas criptomoedas, todo o fluxo do dinheiro digital pode ser rastreado por doadores e demais partes interessadas. Assim, todos conseguem verificar que não houve desvios e até mesmo pressionar para que as quantias cheguem rapidamente aos devidos destinatários, a partir da compra de insumos médicos que auxiliam no combate à COVID-19.

IDENTIDADES DIGITAIS EM TEMPOS DE CRISE

Outra demanda que está sendo atacada via blockchain é o uso de identidades digitais. Especialmente neste momento em que devido ao isolamento social tudo o que é possível deve ser feito de maneira remota, provar de maneira ágil, segura e pouco burocrática quem você é pode fazer grande diferença. Com base nessa premissa, a startup Everest se uniu ao BRI Remittance, braço de um grande banco da Indonésia, para fazer uso das tecnologias da blockchain Ethereum no provimento da EverID.

Com a EverID, segundo informações do líder da iniciativa, os usuários do BRI podem facilmente provar alguns dos seus elementos de identidade pessoal, como nome, endereço e renda. Para múltiplos fins, como adesão a políticas de know-your-client ou prevenção à lavagem de dinheiro, o mecanismo de identidade digital vem sendo usado na simplificação de processos, com ganhos de eficiência e transparência, graças ao uso da blockchain.

A joint-venture acredita que neste momento crítico de expansão da COVID-19, a EverID contribua para reduzir drasticamente o tempo de compensação financeira e validação de identidades. Ambos são largamente utilizados numa plataforma de comércio digital internacional recentemente lançada por eles, voltada a ampliar as negociações entre a Indonésia e a Europa, agora que o mundo necessita mais de tecnologias de trabalho remoto e outras adaptações para seguir seu fluxo social e econômico.

STABLECOINS PARA RENDA EMERGENCIAL

A terceira, e provavelmente não será última, vez em que a blockchain veio à tona nas discussões decorrentes da pandemia, envolve importantes autoridades monetárias. Ainda que não se tenha, por ora, uma plataforma do tipo funcionando, rumores e sugestões vindos de múltiplas partes surgiram nos últimos dias apontando a blockchain como uma solução para o problema de distribuição de renda emergencial para famílias em situação vulnerável.

A própria CEO da subsidiária norte-americana da Binance, Catherine Coley, publicou há poucos dias um artigo defendendo o uso de stablecoins como meio de fazer este dinheiro chegar rapidamente a quem mais precisa. Ela aponta que ao fazer isso centenas de milhões de dólares dos contribuintes poderiam ser economizados, com a utilização de moedas digitais com valor atrelado ao dólar no lugar de cheques enviados nominalmente a cada um dos lares em necessidade.

Adicionalmente, Coley cita ainda que ninguém precisa ter um endereço fixo ou caixa postal para receber moedas digitais, e que elas jamais podem ser falsificadas ou se perder no caminho até o recipiente. Uma vez mais, a combinação de total transparência, com a eficiência e a ausência de fronteiras de uma rede blockchain descentralizada são trazidas como potenciais aliadas em uma hora em que todos estão em buscas das mais variadas soluções.

É certo que, para além dos casos sensatos mencionados até aqui, algumas panacéias surgirão. Ainda, parte do que se propôs não caberá a certos cantos do globo, em que inúmeras e por vezes mais urgentes carências saltam à vista. Contudo, na medida em que estragos de uma década de aceleracionismo inflacionista venham ao encontro dos danos econômicos resultantes da COVID-19, é quase certo que a tecnologia blockchain, mais precisamente em criptoativos como o Bitcoin, voltará ao centro das atenções. Quanto antes todos se derem conta disso melhor para a humanidade!

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