Tether soma US$ 10 bilhões de lucro até o 3º trimestre de 2025 e amplia aposta em Treasuries
Tether registra lucro de US$ 10 bilhões até o 3º trimestre de 2025, impulsionado por rendimentos de Treasuries e ganhos com ouro e bitcoin. Exposição recorde à dívida dos EUA chega a US$ 135 bilhões, enquanto a oferta de USDT segue em alta em meio a maior demanda por liquidez em dólar.
Exposição a títulos do Tesouro chega a US$ 135 bilhões; reservas em ouro e bitcoin somam US$ 22,8 bilhões e ajudam resultado em meio à incerteza macroeconômica
A Tether, emissora do USDT, informou ter alcançado lucro líquido acumulado superior a US$ 10 bilhões entre o primeiro e o terceiro trimestres de 2025, consolidando a liderança entre as stablecoins. O desempenho reflete sobretudo a renda gerada por títulos do Tesouro dos EUA em um ambiente de juros ainda elevados, além de ganhos com posições em ouro e bitcoin que compõem parte das reservas. A empresa também destacou que se tornou a 17ª maior compradora da dívida americana, superando países como Coreia do Sul, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Em um mercado pressionado por incertezas globais, a combinação de carry em Treasuries e diversificação de reservas tem sustentado a expansão do balanço.
Segundo os dados divulgados, a exposição total a Treasuries, direta e indiretamente, atingiu aproximadamente US$ 135 bilhões, um recorde para a companhia. As reservas de ouro e bitcoin somavam US$ 12,9 bilhões e US$ 9,9 bilhões, respectivamente, cerca de 13% do total das reservas, enquanto os ativos totais chegaram a US$ 181,2 bilhões ao fim do 3º trimestre. No mesmo período, havia 174,4 bilhões de USDT emitidos e mais de US$ 6,8 bilhões em reservas excedentes, além dos 100% de lastro em ativos líquidos. A oferta de USDT aumentou em US$ 17 bilhões apenas no 3º trimestre, um indicativo de demanda por liquidez em dólar fora do sistema bancário tradicional.
Em publicação nas redes sociais, o CEO da Tether afirmou que o USDT se tornou um caso de inclusão financeira em mercados emergentes, citando centenas de milhões de usuários. A alta de juros nos EUA explica a maior parte do lucro: com grande parte das reservas alocadas em Treasuries de curto prazo, os cupons e rendimentos diários alimentam o resultado operacional. Por outro lado, a presença de ouro e bitcoin adiciona componente de volatilidade ao balanço, ainda que limitado pelo peso relativo dessas posições. A classificação da Tether entre os maiores detentores de dívida americana reforça sua relevância sistêmica e pode atrair escrutínio regulatório adicional sobre governança, transparência de reservas e gestão de liquidez.
No plano político e regulatório, a expansão da oferta do USDT desde as eleições americanas de 2024 coincidiu com a opção dos EUA de não avançar com uma CBDC, o que elevou a dependência de emissoras privadas para a digitalização do dólar. Em resposta a possíveis novas exigências nos EUA, a empresa apresentou a USAT, uma stablecoin voltada ao mercado doméstico. A concorrência de bancos e instituições tradicionais que ingressam no segmento tende a intensificar a corrida por conformidade, auditoria independente e padrões de divulgação. Nesse cenário, a dinâmica de risco para emissores de stablecoins passa por três frentes: concentração em Treasuries e risco de rolagem, eventuais choques de liquidez em momentos de estresse e a gestão de reservas mais voláteis como criptoativos e metais preciosos.
Para o investidor brasileiro, o movimento da Tether ajuda a entender por que stablecoins se consolidaram como via prática de dolarização financeira, inclusive diante de custos e tributos locais. A estrutura do IOF e as diferentes rotas de on-ramp e off-ramp podem alterar materialmente o custo final de manter exposição em dólar via stablecoins, corretoras ou operações de câmbio tradicionais. Para quem deseja compreender melhor caminhos legais, custos, riscos e mecânicas de dolarização em um ambiente de juros altos e uso crescente de stablecoins, o BlockTrends oferece o curso Como Dolarizar Sem Pagar IOF, que explora aspectos práticos de formação de preço, alternativas regulatórias e planejamento tributário.