Tether e Circle estão “imprimindo dinheiro”, mas a concorrência se aproxima, diz cofundador da Wormhole
Dan Reecer, da Wormhole, afirmou que Tether e Circle capturam o rendimento dos Treasuries que lastreiam suas stablecoins, enquanto novos modelos e fundos tokenizados tentam levar esse yield aos usuários; a Tether rebateu dizendo que o USDT é um “dólar digital”, não um produto de investimento.
Em cenário de juros altos, Dan Reecer afirma que emissores retêm o rendimento dos Treasuries; projetos como M^0 e Agora e fundos tokenizados buscam levar yield a usuários, enquanto a Tether diz que o USDT é “dólar digital”, não investimento.
Gigantes das stablecoins como Tether e Circle estão lucrando com o atual ambiente de juros altos enquanto os detentores de stablecoins não veem nenhum retorno, disse o cofundador da Wormhole, Dan Reecer, no evento DAC 2025 do Mercado Bitcoin.
Como painelista, ele afirmou que as empresas estão, na prática, “imprimindo dinheiro” ao reter o rendimento dos títulos do Tesouro dos EUA que lastreiam seus tokens. A Tether, por exemplo, reportou US$ 4,9 bilhões de lucro líquido no segundo trimestre do ano. Com isso, a avaliação da empresa teria disparado para US$ 500 bilhões em uma nova rodada de captação.
Com os juros ainda elevados, Reecer sugeriu que é apenas uma questão de tempo até que os usuários passem a exigir uma parcela desse rendimento ou migrem seus recursos para outras alternativas.
Plataformas como M^0 e Agora já estariam respondendo a essa demanda, segundo ele. Esses projetos permitem construir infraestrutura de stablecoins de forma a direcionar o rendimento para aplicações ou diretamente aos usuários finais, em vez de todo o ganho ficar com o emissor.
“Se eu estou segurando USDC, estou perdendo dinheiro — dinheiro que a Circle está ganhando”, disse Reecer na sessão, referindo-se ao custo de oportunidade de manter um token sem rendimento que é lastreado por Treasuries dos EUA que geram receita.
Tether e Circle provavelmente não repassam diretamente aos usuários o rendimento gerado por suas stablecoins porque fazê-lo poderia atrair a ira de reguladores. Uma alternativa que cresce de forma constante são os fundos de mercado monetário, que permitem aos investidores se expor ao rendimento por trás dessas stablecoins.
Vale notar que a Circle adquiriu a Hashnote no início deste ano por US$ 1,3 bilhão, emissora do fundo de mercado monetário tokenizado USYC. Com a aquisição, a Circle pretende viabilizar a convertibilidade entre caixa e colateral com rendimento em blockchains.
Esses fundos de mercado monetário, porém, ainda representam uma fração do mercado de stablecoins. Segundo dados da RWA.xyz, sua capitalização de mercado gira hoje em torno de US$ 7,3 bilhões, enquanto o mercado global de stablecoins já superou US$ 290 bilhões.
Um porta-voz da Tether disse que “o papel do USDT é claro: é um dólar digital, não um produto de investimento”. Ele acrescentou que “centenas de milhões de pessoas” dependem do USDT, especialmente em mercados emergentes, “onde ele serve como um salva-vidas contra a inflação, a instabilidade bancária e os controles de capital”.
“Embora alguns pontos percentuais possam fazer diferença para americanos ou europeus ricos, a verdadeira economia para nossa base de usuários de USDT é aquela contra a inflação dramática tão comum em países em desenvolvimento — que frequentemente alcança números tão altos quanto 50% a 90% ano a ano, com desvalorizações das moedas locais frente ao dólar de 70% no mesmo período”, disse.
O porta-voz acrescentou: “Repassar rendimento mudaria fundamentalmente a natureza, o perfil de risco e o tratamento regulatório de uma stablecoin. Competidores que experimentam stablecoins remuneradas miram um público completamente diferente e assumem riscos adicionais.”
Stephen Richardson, da Fireblocks, disse durante o painel que o mercado mais amplo de stablecoins está evoluindo para casos de uso no mundo real, incluindo pagamentos transfronteiriços e serviços de câmbio.
Ele apontou que dinheiro tokenizado se movendo instantaneamente pode ajudar a resolver problemas que existem hoje, como trilhos lentos de pagamentos corporativos ou remessas caras. A inovação financeira, acrescentou Richardson, já é visível no setor, com exemplo nos fundos de mercado monetário tokenizados que vêm sendo usados como colateral em exchanges.
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