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Siderurgicas disparam ate 9% com tarifa menor dos EUA

Acoes de CSN, Usiminas e Gerdau disparam apos EUA sinalizarem reducao nas tarifas sobre aco. Entenda quem ganha mais e o que esperar agora.

Siderurgicas disparam ate 9% com tarifa menor dos EUA
Foto: Mike van Schoonderwalt / Unsplash

As ações das siderúrgicas brasileiras tiveram uma terça-feira de euforia. Gerdau (GGBR4) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4) avançaram cerca de 9%, enquanto CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5) acompanharam o movimento com altas expressivas. O gatilho foi a sinalização dos Estados Unidos de redução nas tarifas sobre o aço importado, uma reviravolta que muda as contas do setor.

Para entender o tamanho do impacto, é preciso olhar o contexto. Desde 2018, as tarifas americanas sobre aço importado, originalmente fixadas em 25% pela Seção 232, funcionaram como uma barreira que limitava a competitividade do produto brasileiro no maior mercado consumidor do mundo. Qualquer flexibilização nesse percentual altera diretamente as margens das exportadoras.

Quem ganha mais com a reducao das tarifas

A Gerdau é, disparado, a mais beneficiada. A empresa tem operações próprias nos EUA, com usinas no Texas, Flórida e Carolina do Norte, mas também exporta semiacabados do Brasil para abastecer essas unidades. Uma tarifa menor reduz o custo de transferência entre as operações e melhora a margem consolidada.

Segundo dados da própria companhia, a operação norte-americana representa cerca de 35% da receita líquida do grupo. Com tarifas menores, a competitividade do aço brasileiro frente a concorrentes turcos e indianos também melhora, o que pode ampliar o volume exportado.

CSN e Usiminas têm perfis diferentes. A CSN depende mais do mercado doméstico, mas exporta placas de aço para os EUA que são transformadas em produtos finais por laminadores americanos. Já a Usiminas tem uma exposição menor ao mercado externo, mas se beneficia indiretamente: quando Gerdau e CSN exportam mais, a oferta doméstica diminui, o que sustenta preços internos.

O historico das tarifas e por que agora

As tarifas de 25% sobre aço foram implementadas em março de 2018 pelo então presidente Donald Trump, sob o argumento de segurança nacional. O Brasil negociou um sistema de cotas em 2018 que limitava o volume exportado, mas mantinha a tarifa como teto. Esse arranjo foi revisado diversas vezes desde então.

A sinalização atual de redução acontece num contexto específico. A indústria americana de construção civil e infraestrutura enfrenta custos elevados de insumos, e o lobby dos consumidores de aço, fabricantes de automóveis, eletrodomésticos e construtoras, ganhou força política. O déficit comercial americano em bens industriais segue em níveis recordes, mas a prioridade política mudou: reduzir inflação de custos internos virou mais urgente do que proteger siderúrgicas domésticas.

Dados do American Iron and Steel Institute mostram que a utilização de capacidade das usinas americanas caiu para 73% em abril de 2026, abaixo do patamar de 80% considerado saudável. Isso reduz o argumento de que a indústria local precisa de proteção integral.

O que os numeros dizem sobre o impacto nas acoes

A reação do mercado foi imediata, mas é preciso colocar em perspectiva. Gerdau subia cerca de 9% no pregão de terça, levando o papel para patamares não vistos desde o início do ano. O múltiplo EV/EBITDA da Gerdau, que estava em torno de 4,5x, ainda é considerado barato frente a pares globais como Nucor (6,2x) e ArcelorMittal (5,1x).

Para a CSN, o impacto nas ações é amplificado pela alavancagem. A empresa carrega uma dívida líquida/EBITDA próxima de 3x, o que significa que qualquer melhora operacional tem efeito desproporcional no valor do equity. Uma redução de 5 pontos percentuais na tarifa pode representar entre R$ 200 milhões e R$ 400 milhões adicionais de EBITDA anual para o conjunto das exportadoras brasileiras, segundo estimativas de analistas do setor.

Producao recorde de petroleo e o cenario macro

A boa notícia para as siderúrgicas se soma a outro dado relevante da economia brasileira. A produção de petróleo do país atingiu recorde de 4,34 milhões de barris por dia em abril de 2026, segundo a ANP. Embora os setores sejam distintos, o dado reforça a tese de que o Brasil está ampliando sua relevância como fornecedor global de commodities num momento em que cadeias de suprimento estão sendo reorganizadas.

O fluxo de capital estrangeiro para ativos brasileiros ligados a commodities tem sido um dos pilares de sustentação da bolsa em 2026. Com o Ibovespa ainda negociando abaixo de suas máximas históricas em dólar, a combinação de câmbio favorável e redução de barreiras comerciais torna o setor de materiais básicos um dos mais atrativos para alocação.

E dai: o que esperar a partir de agora

A sinalização é positiva, mas a redução tarifária ainda precisa ser formalizada. Negociações comerciais entre Brasil e EUA costumam envolver contrapartidas, e o governo brasileiro pode ser pressionado a abrir mercado em outras frentes. O investidor precisa monitorar os desdobramentos das próximas semanas antes de assumir que o cenário favorável está consolidado.

O dado concreto é que o setor siderúrgico brasileiro estava barato mesmo antes dessa notícia. Se a redução se confirmar, as revisões de lucro para Gerdau e CSN podem ser relevantes. Se não se confirmar, os papéis devolvem parte da alta, mas o patamar de valuation continua oferecendo margem de segurança. O mercado está precificando expectativa. Cabe ao investidor separar o que é fato do que ainda é negociação.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

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Sobre o autor
Marina Alves
Traduz o que Copom, câmbio e licenças de exchange fazem com a sua carteira. Cobre o mercado de capitais brasileiro, a macro do dia a dia e a regulação do cripto. Sem promessa de ganho fácil.
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