Live gratuita da VEJA Negócios em 13/10, às 19h: como investir fora do Brasil, com Tony Volpon e Rodolfo Bastos. Inscreva-se grátis.Estratégia Internacional, o curso da VEJA Negócios e da BlockTrends: 4 módulos para investir fora do Brasil. Inscrições abertas.
Finanças

Sell-off em tech e petróleo a US$ 104: o que explica a divisão em Wall Street

Nasdaq caiu mais de 1% com nova rodada de vendas em tech, enquanto energia saltou quase 3%. Entenda o que está por trás da rotação setorial nos EUA.

Sell-off em tech e petróleo a US$ 104: o que explica a divisão em Wall Street
Foto: Jeremy de Blok / Unsplash

Wall Street encerrou o pregão desta quinta-feira sem direção única, com os principais índices refletindo uma divisão clara entre setores. Enquanto o Nasdaq recuou mais de 1% sob pressão de uma nova onda de vendas em ações de tecnologia, o Dow Jones fechou no azul, puxado pela disparada do setor de energia e pela resiliência de papéis financeiros e industriais.

A sessão escancarou um fenômeno que investidores precisam acompanhar de perto: a rotação setorial acelerada. Dinheiro saiu de tech e migrou para commodities e setores cíclicos, num movimento que carrega implicações relevantes para quem monta portfólio.

Petróleo dispara 4% e arrasta o setor de energia

O contrato mais líquido do Brent para dezembro fechou em alta de 4,07%, cotado a US$ 104,28 o barril na ICE, em Londres. Dois fatores convergiram para a escalada. No Oriente Médio, o Irã impôs novas restrições a rotas alternativas pelo Estreito de Ormuz, além de relatos de ataques a navios-tanque, elevando o prêmio de risco geopolítico sobre a commodity.

Ao mesmo tempo, os Estados Unidos se preparam para a temporada de furacões, o que tende a reduzir a produção doméstica nas plataformas offshore do Golfo do México. A combinação de oferta potencialmente menor e tensão geopolítica criou o cenário perfeito para a disparada dos preços.

O reflexo em Wall Street foi imediato. O setor de energia avançou mais de 2,9% no dia, liderando os ganhos entre todos os segmentos do mercado. Finanças subiram 0,9% e industriais avançaram 0,3%, o suficiente para sustentar o Dow Jones em território positivo.

Por que as ações de tecnologia derreteram

Na ponta oposta, o setor de tecnologia registrou queda de 1,8%, a maior perda setorial do pregão. A Nvidia, considerada termômetro do rali de inteligência artificial dos últimos trimestres, caiu 3%. O movimento não foi isolado. Trata-se da continuidade de um padrão de realização de lucros que vem se intensificando à medida que investidores reavaliam múltiplos esticados diante de um cenário de juros ainda restritivos.

O sell-off em tech ganha contexto quando olhamos para o mercado de títulos soberanos. Os Treasuries de 10 e 30 anos seguem em patamares elevados, o que pressiona diretamente ações de crescimento, como as do setor de tecnologia. Empresas cujo valor depende fortemente de fluxos de caixa futuros são mais sensíveis a taxas de desconto altas. Essa é a mecânica básica que investidores em renda variável devem compreender para navegar o momento atual.

Live gratuita da VEJA Negócios em 13/10, às 19h: como investir fora do Brasil, com Tony Volpon e Rodolfo Bastos. Inscreva-se grátis.Estratégia Internacional, o curso da VEJA Negócios e da BlockTrends: 4 módulos para investir fora do Brasil. Inscrições abertas.

O que disse o Fed e por que importa

Christopher Waller, diretor do Federal Reserve, afirmou que provavelmente serão necessários novos aumentos nas taxas de juros para levar a inflação à meta de 2%. No entanto, deixou margem ao mencionar que há “flexibilidade” quanto ao ritmo dos apertos.

A declaração é relevante por dois motivos. Primeiro, reforça que o ciclo de alta de juros nos Estados Unidos ainda não terminou. Segundo, abre a porta para uma possível pausa na reunião de outubro do Fed, o que os mercados interpretaram com cautela moderada, sem pânico generalizado.

Após as falas de Waller, os rendimentos dos Treasuries de 10 e 30 anos recuaram levemente para o terreno negativo no dia, oferecendo algum alívio pontual. Mas o patamar absoluto das taxas continua alto o suficiente para manter a pressão sobre ativos de risco, especialmente os de duration longa.

Para quem acompanha a dinâmica dos juros americanos e seus efeitos sobre mercados globais, o recado é claro: a incerteza sobre política monetária deve permanecer como fator dominante nas próximas semanas.

Rotação setorial: o que o investidor deve observar

A sessão desta quinta-feira ilustra uma tendência que se repete em ciclos de juros altos. Quando o custo do dinheiro sobe, setores com fluxos de caixa previsíveis e exposição a commodities tendem a se beneficiar, enquanto ações de crescimento sofrem.

A rotação de tech para energia não é novidade. Em 2022, o mesmo padrão se manifestou de forma ainda mais agressiva, quando o setor de energia do S&P 500 subiu 59% enquanto o Nasdaq caiu 33%. O movimento atual é menos extremo, mas a direção é a mesma.

Para o investidor brasileiro, a leitura prática é dupla. De um lado, ações de petrolíferas na B3, como Petrobras, tendem a capturar parte da alta do Brent. Do outro, papéis de tecnologia listados nos EUA, muito presentes em carteiras via BDRs e ETFs, podem continuar pressionados enquanto os Treasuries não recuarem de forma sustentada.

A análise do cenário macro americano indica que essa dinâmica de rotação pode se prolongar, especialmente se o petróleo mantiver a trajetória de alta e o Fed sinalizar novos apertos.

O cenário geopolítico como variável de risco

A tensão no Estreito de Ormuz adiciona uma camada de incerteza que vai além do técnico. Por ali passa cerca de 20% do petróleo consumido globalmente. Qualquer escalada no conflito, com restrições reais ao trânsito de navios-tanque, pode levar o Brent rapidamente acima dos US$ 110.

Esse risco geopolítico funciona como um imposto invisível sobre a economia global. Petróleo mais caro significa custo de transporte mais alto, o que retroalimenta a inflação e dificulta o trabalho dos bancos centrais que tentam controlar os preços sem destruir a atividade econômica.

A guerra no Oriente Médio segue sem avanços no campo diplomático. Enquanto isso, o mercado precifica o pior cenário possível para oferta e o melhor cenário possível para demanda. Essa assimetria sustenta o prêmio de risco e mantém a volatilidade elevada.

O investidor que ignora a geopolítica neste momento está ignorando o principal driver de preços do ativo mais importante da economia global.

Este conteúdo é informativo e educacional e não constitui recomendação de investimento. Rentabilidade passada não é garantia de resultados futuros.

Live gratuita da VEJA Negócios em 13/10, às 19h: como investir fora do Brasil, com Tony Volpon e Rodolfo Bastos. Inscreva-se grátis.Estratégia Internacional, o curso da VEJA Negócios e da BlockTrends: 4 módulos para investir fora do Brasil. Inscrições abertas.
Compartilhar
Sobre o autor
Marina Alves
Traduz o que Copom, câmbio e licenças de exchange fazem com a sua carteira. Cobre o mercado de capitais brasileiro, a macro do dia a dia e a regulação do cripto. Sem promessa de ganho fácil.
Continue scrollando para a próxima matéria…