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Rússia vai de suposto banimento para interesse em mineração de Bitcoin em 1 semana

Após sugestão do Banco Central para banir criptoativos, Vladimir Putin entrou em campo para evitar que o país fique de fora da indústria de cripto, ressaltando as vantagens da Rússia na mineração.

Em 20 de janeiro deste ano, o Banco Central Russo, emitiu uma nota sobre criptoativos alegando tratar-se de uma questão urgente para a Rússia promover um banimento de mineração, transações e investimentos envolvendo criptomoedas, como a Bitcoin.

Ao contrário de outros países, como a China, a alegação oficial não envolveu preocupações ambientais, mas uma questão que atormenta a Rússia há algumas boas décadas: a máfia russa.

Entre 2010 e 2014, por exemplo, mafiosos russos foram acusados de promover o maior esquema de lavagem de dinheiro da história, movimentando $80 bilhões por meio de bancos tradicionais, como o Deutsche Bank.

Para o Ministro das Finanças do país, porém, a preocupação apesar de legítima propõe uma solução ineficiente. Para Ivan Chebeskov, a solução está na regulação, e não no banimento.

Discussões envolvendo a melhor abordagem para o assunto não são exatamente novas e se replicam país por país, levando autoridades como o FMI a regulamentar contabilmente a supervisão sobre transações financeiras envolvendo cripto, por exemplo.

A surpresa vinda da Rússia, porém, foi a rapidez com que o sinal negativo se transformou em um fato positivo, afinal, a discussão chegou ao ministério de Vladimir Putin, agregando questões além de mera regulação, como a geopolítica do setor.

Desde o banimento da mineração na China, a briga por abocanhar parte deste mercado de $3 trilhões, levou a decisões muito mais favoráveis por parte de países como os Estados Unidos, que agora concentra ao menos ⅓ da mineração de Bitcoin no mundo, além da maior parte dos investimentos na indústria.

De fato, a Rússia é hoje a terceira maior economia do mundo em participação no mercado de mineração com 10% da rede. O segundo? O Cazaquistão, um território sob forte influência russa.

Ciente destas questões, o governo russo publicou nota em um tom bastante mais brando do que aquele inicialmente feito pelo banco central.

Segundo Vladimir Putin, czar, primeiro-ministro ou presidente da Rússia, a depender da constituição válida na semana, a Rússia possui “enormes vantagens comparativas na mineração de cripto”.

A nota transcreveu parte de uma videoconferência com ministros do governo onde Putin declarou:

“Quanto às criptomoedas, o banco central tem uma posição própria, relacionada ao fato de que, segundo especialistas, a expansão desse tipo de atividade traz certos riscos, dada a alta volatilidade e alguns outros componentes deste tópico”

Em seguida, complementou:

“Embora, claro, tenhamos algumas vantagens competitivas aqui, principalmente na chamada mineração. Refiro-me ao excedente de energia elétrica e pessoal bem treinado disponível no país.”

A palavra do chefe de governo russo abrandou parte do mercado de mineração que se preocupou até então com um possível avanço de proibições ao Bitcoin na Rússia.

Questões envolvendo o setor energético estão no centro do debate público da Rússia, tendo em vista sua posição geográfica amplamente favorável, com uma costa ligada ao oceano ártico (que graças ao aquecimento global está se tornando navegável), além de uma relevância ímpar no que diz respeito ao gás natural.

Da mesma maneira, as criptos, intrinsecamente ligadas a energia, seja pela maneira de produção, ou por serem um resposta a política monetária adotada para garantir os planos de transição energética, representam um campo no qual a Rússia será, sem sombra de dúvidas, um participante relevante nas próximas décadas.

Não menos importante é o caráter independente de cripto, que pode garantir à Rússia uma alternativa diante de ameaças como a de exclusão do sistema SWIFT, que une 11.000 bancos ao redor do planeta, e cuja exclusão poderia ser catastrófica para a economia do país.

Há pelo menos 2 anos as sanções do ocidente contra a Rússia levantam debates envolvendo cripto, o que pode indicar uma conciliação mais favorável entre os interesses do governo e os do banco central do país.

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