Economia

Renda do trabalhador no Brasil caiu 10% desde o começo da pandemia

Em meio a uma inflação sem precedentes desde o plano real, a maioria dos brasileiros têm de lidar ainda com outro efeito nefasto: a queda de renda

Problemas históricos do país tem se acumulado em meio a um choque global sem precedentes.

Com ao menos 5 décadas de baixa produtividade e estagnação da riqueza média do brasileiro, quando medida em comparação à riqueza dos EUA (o padrão por ser a economia mais avançada do mundo), o país acumula mais uma notícia complicada após a primeira década com queda no PIB.

Desde janeiro de 2020, quando atingiu R$2,7 mil, a renda média do trabalhador brasileiro já recuou ao menos 10%, para R$2,42 mil. Os dados são da PNAD, a pesquisa nacional por amostragem domiciliar.

Por média, leia-se a renda de toda população entre 0 e 20 salários mínimos.

Ainda segundo a pesquisa, a renda domiciliar per capita ficou abaixo de 1 salário mínimo em ao menos 13 estados.

Com um histórico de crescimento pautado em aumento populacional, o país enfrenta agora um desafio ainda maior dado o fim do chamado “bônus demográfico”.

Considerando os últimos 30 anos, do aumento médio de 2,2% do PIB, ao menos 1,7% se deu por crescimento da força de trabalho, cabendo a produtividade os restantes 0,5%.

Ocorre que desde 2010, o aumento populacional diminuiu de 0,9% ao ano para 0,5%, com tendência de chegar a zero em 2031.

O envelhecimento da população também pressiona gastos do governo, em especial com previdência e saúde.


Segundo aponta o economista Roberto Ellery, é possível que o padrão de consumo das famílias também tenha mudado em meio a pandemia, com maior destaque para alimentos e menores custos com educação e outros itens como vestuário. Isso implicaria um aumento de gastos das famílias ainda maior do que a inflação oficial, que considera uma média entre diversos itens.

Esse descasamento entre a inflação e o consumo real das famílias pode se tornar ainda mais perigoso dado que os aumentos de benefícios previdenciários ou salários ocorreriam com base em índices de inflação oficiais.

Esse descasamento tem ocorrido também nas contas públicas, que se beneficiam de uma alta de 76% no preço da gasolina desde o início da pandemia.

Com ao menos 10% do total de impostos estaduais no país tendo origem em combustíveis, os governos regionais tiveram o melhor resultado da história, superando R$100 bilhões em superávit primário. Na outra ponta, os gastos públicos seguem atrelados ao índice de inflação, ou estão congelados, como no caso dos estados que aderiram ao RRF, o Regime de Recuperação Fiscal.

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